A errância do filósofo platônico: dogmatismo, ignorância e aporia

Maicon R. Engler

Resumo


Para fazer frente ao dogmatismo costumeiramente atribuído ao platonismo, o presente artigo discute a figura do filósofo através de dois conceitos: o intermediário (metaxý) e a ignorância enquanto errância psíquica (plánē). Defende-se que o primeiro conceito, presente em mais de um diálogo, é fulcral para a compreensão da figura do filósofo e opõe-se a uma postura dogmática. Argumenta-se igualmente que a ignorância como errância psíquica caracteriza não apenas o estado aporético experimentado pelos interlocutores de Sócrates, como também a experiência do próprio filósofo. Nesse sentido, pode-se falar de uma errância do filósofo platônico, a qual novamente aponta para a ausência de dogmatismo. Os dois conceitos enfatizam o elemento de incompletude que define o filósofo platônico e se baseiam, respectivamente, na consciência da ignorância e na dificuldade de lidar com os conceitos universais próprios da filosofia.


Palavras-chave


Platão. Dogmatismo. Ignorância. Aporia. Filósofo.

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ISSN 2179-9180