Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 6, n. 1, p. 05-
26, Jan./Jun., 2026.
GEOPARQUE PRUDENTÓPOLIS COMO ESTRATÉGIA DE
DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL SUSTENTÁVEL: UMA ANÁLISE
BASEADA NA TEORIA DOS
STAKEHOLDERS
1
PRUDENTÓPOLIS GEOPARK AS A STRATEGY FOR SUSTAINABLE
TERRITORIAL DEVELOPMENT: AN ANALYSIS BASED ON STAKEHOLDER
THEORY
GELSON MENON
Universidade Federal do Centro-Oeste (UNICENTRO)
E-mail: karinacolarites@gmail.com
RONALDO FERREIRA MAGANHOTTO
Universidade Federal do Centro-Oeste (UNICENTRO)
E-mail: karinacolarites@gmail.com
SÍLVIO ROBERTO STÉFANI
Universidade Federal do Centro-Oeste (UNICENTRO)
E-mail: karinacolarites@gmail.com
MARINÊS TAFFAREL
Universidade Federal do Centro-Oeste (UNICENTRO)
E-mail: karinacolarites@gmail.com
RESUMO
Os geoparques configuram-se como
territórios inovadores para articular conservação ambiental,
valorização cultural, turismo sustentável e desenvolvimento territorial. Alinhados à Agenda 2030 e
aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), constituem plataformas estratégicas para a
experimentação de práticas locais de sustentabilidade e governança multissetorial. Este artigo tem
como objetivo analisar, a partir das experiências de geoparques consolidados, como a articulação
entre
stakeholders
, práticas de geoturismo e as dimensões do desenvolvimento sustentável podem
contribuir
para
a
efetivação
do
Projeto
Geoparque
Prudentópolis.
A
pesquisa
adota
abordagem
qualitativa, utilizando a estratégia de estudo de casos múltiplos, envolvendo o Geopark Araripe, o
Geoparque Caçapava e o Projeto de Geoparque Prudentópolis.
As técnicas incluem entrevistas
semiestruturadas com
stakeholders
, observações de campo e análise documental, sistematizadas
por
meio
de
análise
de
conteúdo
categorial.
Os
resultados
evidenciam
que
Araripe
apresenta
estrutura
institucional
consolidada
e
integração
entre
ciência,
comunidade
e
poder
público;
Caçapava destaca-se pela mobilização comunitária e valorização cultural; e Prudentópolis reúne
potencial geoturístico e cultural relevante, mas demanda fortalecimento institucional, governança
participativa e integração intersetorial. Conclui-se que os geoparques funcionam como plataformas
de desenvolvimento sustentável territorial, desde que apoiados em arranjos institucionais sólidos,
participação
social
qualificada
e
planejamento
articulado
com
os
ODS,
apontando
caminhos
estratégicos para a consolidação do Projeto Geoparque Prudentópolis.
1
DOI: https://doi.org/10.5935/2763-9673.20260001
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 6, n. 1, p. 05-
26, Jan./Jun., 2026.
Palavras-chave
: Geoparques; Geoturismo;
Stakeholders
; Desenvolvimento Sustentável; ODS.
ABSTRACT
Geoparks are innovative territories that articulate environmental conservation, cultural appreciation,
sustainable tourism, and territorial development. Aligned with the 2030 Agenda and the Sustainable
Development
Goals
(SDG),
they
constitute
strategic
platforms
for
experimenting
with
local
sustainability
practices
and
multisectoral
governance.
Based
on
the
experiences
of
established
geoparks,
this
article
aims
to
analyze
how
the
articulation
between
stakeholders,
geotourism
practices, and the dimensions of sustainable development can contribute to the implementation of
the Prudentópolis Geopark Project. The research adopts a qualitative approach, using a multiple
case study strategy, involving the Araripe Geopark, the Caçapava Geopark, and the Prudentópolis
Geopark
Project.
Techniques
include
semi-structured
interviews
with
stakeholders,
field
observations, and document analysis, systematized through categorical content analysis. The results
show
that
Araripe
has
a
consolidated
institutional
structure
and
integration
between
science,
community,
and
government;
Caçapava
stands
out
for
its
community
mobilization
and
cultural
appreciation;
and
Prudentópolis
has
significant
geotourism
and
cultural
potential,
but
requires
institutional strengthening, participatory governance, and intersectoral integration. The conclusion is
that
geoparks
function
as
platforms
for
sustainable
territorial
development,
provided
they
are
supported by solid institutional arrangements, qualified social participation, and planning aligned with
the SDGs, highlighting strategic paths for the consolidation of the Prudentópolis Geopark Project.
Keywords
: Geoparks; Geotourism; Stakeholders; Sustainable Development; SDGs.
7
Gelson Menon, Ronaldo Ferreira Maganhotto, Sílvio Roberto Stéfani, Marinês Taffarel
GEOPARQUE PRUDENTÓPOLIS COMO ESTRATÉGIA DE DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL SUSTENTÁVEL: UMA
ANÁLISE BASEADA NA TEORIA DOS
STAKEHOLDERS
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26, Jan./Jun., 2026.
1. INTRODUÇÃO
Nas
últimas
décadas,
o
debate
sobre
desenvolvimento
territorial
sustentável tem se intensificado, destacando a importância de integrar conservação
ambiental, valorização cultural, inclusão social e dinamização econômica em escala
local. Nesse cenário, os Geoparques Globais da Organização das Nações Unidas
para
a
Educação,
a
Ciência
e
a
Cultura
(UNESCO)
se
configuram
como
instrumentos inovadores de gestão, ao combinar proteção do patrimônio geológico
com
educação,
turismo
sustentável
e
governança
multissetorial
(Brilha,
2018;
Henriques; Brilha, 2017; Unesco, 2023). Ao articular ciência, cultura e sociedade,
esses
territórios
assumem
papel
estratégico
na
implementação
dos
ODS
da
Agenda 2030, promovendo ações territorializadas de sustentabilidade.
Apesar do avanço das discussões sobre geoparques e seu potencial como
instrumentos de desenvolvimento sustentável, a literatura ainda apresenta lacunas
importantes, especialmente no que se refere à compreensão integrada de como a
articulação entre
stakeholders
, as práticas de geoturismo e as diferentes dimensões
do desenvolvimento sustentável se materializam em contextos territoriais distintos,
sobretudo em iniciativas em fase de implementação.
De modo geral, os estudos concentram-se em análises descritivas de casos
consolidados ou em abordagens setoriais, sem explorar de forma comparativa e
sistêmica os processos de governança, as dinâmicas de participação social e sua
relação com a efetivação dos princípios da Agenda 2030 em territórios emergentes.
Além disso, o estudo contribui para a área de Organizações ao analisar estruturas
de governança e coordenação multissetorial em contextos territoriais complexos,
bem
como
para
a
Controladoria,
ao
evidenciar
a
necessidade
de
indicadores,
monitoramento
e
avaliação
como
suporte
à
gestão
estratégica
de
iniciativas
de
desenvolvimento sustentável.
Adicionalmente,
observa-se
uma
escassez
de
estudos
que
utilizem
simultaneamente a Teoria dos
Stakeholders
e as dimensões do desenvolvimento
sustentável de Sachs (2008) como lentes analíticas para interpretar experiências
de
geoparques
em
diferentes
estágios
de
maturidade.
Essa
lacuna
limita
a
compreensão
sobre
quais
elementos
institucionais,
sociais
e
territoriais
são
determinantes
para
a
consolidação
dessas
iniciativas,
bem
como
sobre
a
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GEOPARQUE PRUDENTÓPOLIS COMO ESTRATÉGIA DE DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL SUSTENTÁVEL: UMA
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transferibilidade de aprendizados entre territórios consolidados e projetos em fase
inicial.
Diante desse contexto, este estudo busca responder à seguinte questão de
pesquisa: Como a articulação entre
stakeholders
, as práticas de geoturismo e as
dimensões
do
desenvolvimento
sustentável
contribuem
para
a
efetivação
de
projetos de geoparques em diferentes estágios de maturidade institucional?
A
partir
dessa
questão,
o
objetivo
deste
artigo
é
analisar,
de
forma
comparativa, como a articulação entre
stakeholders
, práticas de geoturismo e as
dimensões do desenvolvimento sustentável podem contribuir para a efetivação do
Projeto Geoparque Prudentópolis/PR, tomando como referência as experiências do
Geopark Araripe e do Geoparque Caçapava.
Para alcançar esse objetivo, o artigo está estruturado em cinco seções,
além
desta
introdução:
a
segunda
apresenta
o
referencial
teórico;
a
terceira
descreve a metodologia; a quarta discute os resultados organizados por território e
análise
comparativa;
e
a
quinta
traz
as
considerações
finais,
destacando
contribuições e recomendações estratégicas.
2. REFERENCIAL TEÓRICO
Nesta
seção,
articulam-se
as
abordagens
sobre
desenvolvimento
sustentável, fundamentadas nas dimensões de Sachs (2008) e na Agenda 2030
(ONU,
2015),
complementadas
pela
Teoria
dos
Stakeholders
(Freeman,
1984;
Freeman;
Elms,
2023),
que
permite
compreender
a
governança
participativa
e
multissetorial.
2.1. Desenvolvimento Sustentável e Geoturismo: Fundamentos Teóricos
A
compreensão
do
desenvolvimento
passou,
ao
longo
das
últimas
décadas, por um processo de transformação conceitual significativo. Se, em um
primeiro
momento,
esteve
fortemente
associado
ao
crescimento econômico e à
modernização
produtiva,
a
partir
das
críticas
aos
modelos
excludentes
e
ambientalmente
degradantes
das
décadas
de
1960
e
1970,
consolidou-se
progressivamente
uma
visão
multidimensional,
que
integra
aspectos
sociais,
culturais, ecológicos e territoriais (Buarque, 1999; Sachs, 2008; Santos, 2002).
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O conceito de desenvolvimento local e territorial destaca-se nesse contexto
como
um
processo
endógeno,
participativo
e
enraizado
nas
especificidades
socioculturais de cada território, valorizando os saberes locais, a capacidade de
mobilização comunitária e a governança multissetorial (França; Vaz; Silva, 2002;
Santos, 2002).
Entre as contribuições teóricas centrais para essa abordagem destaca-se
o modelo de Sachs (2008), que organiza o desenvolvimento sustentável em sete
dimensões
interdependentes:
social,
econômica,
ecológica/ambiental,
territorial,
cultural,
política/institucional e
educacional
(transversal);
oferecendo
uma
leitura
sistêmica
que
articula
múltiplas
escalas
e
domínios
da
realidade.
A
dimensão
educacional atua como eixo estruturante ao disseminar conhecimento, fortalecer
valores coletivos e qualificar comunidades para a gestão responsável dos recursos
e do território (Vieira
et al
., 2018; Silva, 2021).
Essa
perspectiva
dialoga
diretamente
com
a
proposta
dos
Geoparques,
promovida pela UNESCO desde o início dos anos 2000. Os Geoparques Globais
da UNESCO são definidos como territórios com patrimônio geológico de relevância
internacional
que
integram
estratégias
de
conservação,
educação
e
desenvolvimento sustentável (Henriques; Brilha, 2017; Brilha, 2018). Ao articular
ciência,
educação
e
turismo,
esses
territórios
tornam-se
plataformas
de
desenvolvimento territorial sustentável, promovendo a
valorização
do patrimônio
natural
e
cultural,
o
fortalecimento
das
identidades
locais
e
a
dinamização
econômica (Rosado-González
et al
., 2023).
No Brasil, a estratégia dos geoparques ganhou destaque com a criação do
Geopark
Araripe,
no
Ceará
(CE),
reconhecido
em
2006
como
o
primeiro
das
Américas
(Geopark
Araripe,
2025),
seguido
por
novas
iniciativas
em
diferentes
estágios de maturidade, como o Geoparque Caçapava no Rio Grande do Sul (RS)
e o Projeto de Geoparque no município de Prudentópolis no Paraná (PR). Esses
territórios
têm
desempenhado
papel
relevante
na
articulação
entre
políticas
de
conservação,
turismo
e
desenvolvimento
local,
atuando
como
espaços
de
experimentação das agendas globais em contextos locais (Menon, 2025).
Nesse contexto, o geoturismo desempenha um papel estratégico ao ir além
de uma modalidade turística especializada, configurando-se como instrumento de
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educação, valorização patrimonial e promoção de práticas sustentáveis (Moreira,
2014;
Soares,
2019).
Ao
integrar
experiências
turísticas
à
interpretação
do
patrimônio
geológico,
favorece
a
apropriação
social
do
território,
gera
oportunidades
econômicas
locais e promove
relações
mais
conscientes
com os
recursos naturais e culturais. Essa abordagem converge com os ODS da Agenda
2030 da ONU (2015), que destacam políticas integradas voltadas à erradicação da
pobreza,
conservação
ambiental,
educação
de
qualidade,
trabalho
decente,
redução das desigualdades e fortalecimento de parcerias multissetoriais.
A interface entre geoturismo, dimensões do desenvolvimento sustentável e
ODS
constitui,
assim,
uma
base
teórica
sólida
para
analisar
os
geoparques
enquanto instrumentos de transformação territorial. Ao mesmo tempo em que os
ODS oferecem um marco normativo internacional, as dimensões de Sachs (2008)
permitem interpretar criticamente a realidade local e as práticas dos
stakeholders
,
possibilitando
avaliar
em
que
medida
os
geoparques
contribuem,
ou
não,
para
processos de desenvolvimento inclusivos, duradouros e enraizados no território.
2.2. Teoria dos
Stakeholders
e Governança em Territórios de Geoparques
Formulada por Freeman
(1984), a
Teoria dos
Stakeholders
constitui um
referencial central para compreender a articulação entre atores sociais, instituições
e
organizações
em
processos
de
gestão
compartilhada.
Ao
ampliar
o
foco
da
gestão para além dos interesses dos acionistas, reconhecendo a pluralidade de
grupos envolvidos, Freeman (1984) inaugura uma perspectiva de responsabilidade
estratégica
perante
múltiplos
públicos.
Posteriormente,
Freeman
e
Elms
(2023)
aprofundam
essa
abordagem
ao
enfatizar
a
deliberação
ética
e
o
engajamento
colaborativo na construção de soluções sustentáveis para desafios complexos.
No
contexto
dos
geoparques,
a
Teoria
dos
Stakeholders
fornece
um
instrumental
analítico
sólido
para
compreender
a
governança
multissetorial
e
participativa desses territórios (Menon, 2025). A gestão depende do envolvimento
ativo de diversos grupos, poder público em diferentes esferas, universidades, setor
privado,
comunidades
locais,
sociedade
civil
e
organismos
internacionais,
que
formam redes de colaboração territorial (França; Vaz; Silva, 2002; Buarque, 1999).
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Nessa perspectiva, os
stakeholders
são coprodutores de estratégias que
moldam
a
identidade
e
a
sustentabilidade
dos
geoparques,
e
a
governança
territorial
eficaz
depende
da
articulação
desses
atores
em
torno
de
visões
compartilhadas
e
mecanismos
transparentes
de
participação
(Santos,
2002;
Buarque, 1999). Tal articulação requer o reconhecimento de interesses diversos e
a criação de espaços institucionais de diálogo e negociação, conforme recomenda
a UNESCO, ao defender estruturas participativas que integrem saberes científicos,
técnicos e tradicionais (Henriques; Brilha, 2017; Brilha, 2018).
A aplicação da Teoria dos
Stakeholders
permite identificar atores-chave,
formas
de
participação,
percepções
e
expectativas,
além
de
avaliar
níveis
de
cooperação
ou
conflito,
fornecendo
subsídios
para
compreender
avanços
e
desafios
na
consolidação
dos
geoparques.
Nos
casos
dos
geoparques
Araripe,
Caçapava
e
Projeto
de
Geoparque
Prudentópolis,
a
análise
evidencia
distintos
graus de
institucionalização,
engajamento
comunitário e
integração
intersetorial,
confirmando a governança como fator fundamental para o sucesso ou fragilidades
dessas iniciativas (Menon, 2025).
Ao ser articulada às dimensões do desenvolvimento sustentável de Sachs
(2008), a Teoria dos
Stakeholders
permite um olhar integrado sobre governança,
participação e sustentabilidade. Se, por um lado, as dimensões de Sachs (2008)
fornecem
os
eixos
analíticos
para
avaliar
o
alcance
e
os
limites
das
práticas
territoriais,
por
outro,
a
teoria
de
Freeman
(1984)
oferece
o
instrumental
para
identificar
quem
são
os
atores
e
como
se
organizam
para
implementar
essas
práticas.
Essa
integração
conceitual
é
particularmente
relevante
em
contextos
emergentes, onde os desafios institucionais, políticos e sociais podem dificultar a
consolidação de modelos participativos de gestão territorial.
Os
geoparques
podem
ser
entendidos
não
apenas
como
instrumentos
técnicos de conservação e promoção turística, mas como territórios de negociação
social,
nos
quais
múltiplos
interesses
e
saberes
se
encontram
para
construir
projetos
de
futuro
compartilhados
(Menon,
2025).
A
Teoria
dos
Stakeholders
,
portanto, assume um papel central na análise crítica das experiências estudadas,
fornecendo
subsídios
para
identificar
condições
institucionais
e
arranjos
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colaborativos
que
fortalecem
a
governança
territorial
e
a
efetividade
dos
geoparques enquanto instrumentos de desenvolvimento sustentável.
3. METODOLOGIA
A
pesquisa
adota
uma
abordagem
qualitativa,
descritiva
e
analítica,
fundamentada na Teoria dos
Stakeholders
(Freeman, 1984) e nas Dimensões do
Desenvolvimento Sustentável de Sachs (2008), permitindo compreender de forma
sistêmica
as
interações
entre
atores
sociais,
práticas
geoturísticas
e
ODS
nos
territórios
de
geoparques.
A
estratégia
metodológica
baseia-se
em
estudos
de
casos múltiplos, envolvendo o Geopark Araripe (CE), o Geoparque Caçapava (RS)
e
o
Projeto
de
Geoparque
Prudentópolis
(PR).
A
seleção
desses
casos
reflete
diferentes estágios de maturidade institucional e territorial, possibilitando análises
comparativas de trajetórias, práticas e desafios.
A coleta de dados envolveu três técnicas complementares: (a) entrevistas
semiestruturadas
com
stakeholders
estratégicos,
organizadas
em
cinco
blocos
temáticos sobre gestão, participação social, práticas turísticas e contribuições ao
desenvolvimento
sustentável;
(b)
observações
de
campo
em
geossítios
e
instituições vinculadas aos geoparques, com registros em diário de campo; e (c)
análise documental de materiais institucionais, relatórios técnicos e normativas da
UNESCO e de políticas públicas locais.
Ao todo, foram entrevistados 22
stakeholders
, 5 do Geopark Araripe, 6 do
Geoparque
Caçapava
e
11
do
Projeto
Prudentópolis,
selecionados
por
representatividade institucional e territorial, envolvimento direto e disponibilidade.
As entrevistas, presenciais ou remotas, tiveram duração média de 50 minutos e
seguiram
formato
semiestruturado,
equilibrando
comparabilidade
e
liberdade
de
expressão (Minayo; Deslandes; Gomes, 2016).
A
análise
dos
dados
foi
conduzida
com
base
na
análise
de
conteúdo
categorial (Bardin, 2016), estruturada a partir de um quadro de categorias analíticas
derivado dos objetivos da pesquisa e do referencial teórico adotado. As categorias
contemplaram: (1) implementação e gestão; (2) percepções dos
stakeholders
; (3)
atividades
turísticas;
(4)
contribuições
às
dimensões
de
desenvolvimento
sustentável de Sachs (2008); e (5) conexões com os Objetivos de Desenvolvimento
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Sustentável. A técnica de triangulação metodológica (Triviños, 1987; Flick, 2009)
foi empregada para confrontar os dados provenientes das entrevistas, observações
e documentos, assegurando consistência analítica e validade interna.
As dimensões de Sachs (2008) foram utilizadas como eixos interpretativos
para
avaliar
práticas
de
geoturismo
e
governança
territorial,
enquanto
os
ODS
orientaram
a
análise
como
diretriz
normativa
internacional.
A
Teoria
dos
Stakeholders
embasou
a
identificação
e
análise
do
papel
de
atores
públicos,
privados, comunitários e acadêmicos na implementação e gestão dos geoparques.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
Esta seção aborda os territórios dos Geoparques Araripe e Caçapava, além
do
Projeto
de
Geoparque
Prudentópolis,
apresentando
também
uma
análise
comparativa e uma síntese integrativa dessas experiências.
4.1
Geopark Araripe
Localizado
na
região
do
Cariri
cearense
e
abrangendo
seis
municípios
(Juazeiro
do
Norte,
Crato,
Barbalha,
Nova
Olinda,
Santana
do
Cariri
e
Missão
Velha), o Geopark Araripe foi reconhecido em 2006 como o primeiro geoparque das
Américas
certificado
pela
UNESCO,
tornando-se
referência
nacional
(Geopark
Araripe,
2025).
Sua
estrutura
baseia-se
em
uma
governança
multissetorial
que
articula universidades, poder público, comunidades e organizações parceiras em
prol da conservação, educação e desenvolvimento sustentável. A implementação
ocorreu de forma orgânica e participativa, com a Universidade Regional do Cariri
(URCA) atuando como elo articulador entre ciência, cultura e identidade regional.
A
governança
do
Geopark
Araripe
baseia-se
em
modelos
de
gestão
compartilhada
que
envolvem
prefeituras,
proprietários,
instituições
técnicas,
organizações
comunitárias
e
o
terceiro
setor,
alinhando-se
à
dimensão
político-
institucional de Sachs (2008) por valorizar estruturas participativas e integradas. A
gestão
cotidiana
é
conduzida
por
uma
equipe
técnica
sediada
em
Crato,
responsável
por
coordenação,
comunicação
e
planejamento,
com
a
URCA
liderando decisões colegiadas que asseguram continuidade institucional. Contudo,
persistem
desafios
relacionados
à
rotatividade
política
e
ao
fortalecimento
da
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participação
comunitária,
uma
vez
que
a
presença
formal
em
conselhos
nem
sempre implica engajamento efetivo.
Além
da
estrutura
institucional
consolidada,
a
integração
entre
geoeducação,
geoturismo
e
conservação
ambiental
destaca-se
como
eixo
estratégico do desenvolvimento territorial. A educação exerce papel transversal por
meio de programas escolares e ações de sensibilização ambiental que envolvem
redes municipais e estaduais, com visitas a geossítios, oficinas e atividades em
centros
interpretativos.
O
Centro
de
Interpretação
Ambiental
(CIEA)
fortalece
o
pertencimento territorial desde a infância, enquanto a Fundação Casa Grande, em
Nova
Olinda,
atua
com
crianças
e
adolescentes
em
contraturno
escolar,
promovendo educação patrimonial, arte, cultura e cidadania.
O território abriga 11 geossítios, com destaque para a Colina do Horto, o
Mirante
do
Caldas
e
o
Pontal
da
Santa
Cruz,
que
possuem
infraestrutura
consolidada
para
visitação,
sinalização
e
interpretação
geológica.
A
atividade
turística
é
predominantemente
geoturística,
com
trilhas
interpretativas,
visitas
guiadas
e
programas
educativos.
O
turismo
religioso,
histórico
e
cultural
complementa a oferta, resultando em uma combinação singular de experiências. A
presença
do
aeroporto
em
Juazeiro
do
Norte,
único
dentro
de
um
geoparque
brasileiro, favorece o acesso e amplia a escala de visitação.
A profissionalização do turismo foi uma prioridade no Geopark Araripe: a
primeira geração de guias foi formada pelo próprio geoparque e, posteriormente,
implantaram-se cursos técnicos e superiores em turismo, consolidando o território
como
espaço
de
aprendizagem
aplicada.
Ações
digitais
em
plataformas
como
YouTube e Instagram ampliam a divulgação e o alcance das estratégias educativas
e turísticas.
No
campo
ambiental,
destacam-se
iniciativas
de
recuperação
de
áreas
degradadas,
sinalização
de
trilhas,
delimitação
de
áreas
sensíveis
e
ações
educativas,
com
destaque
para
o
Geossítio
Batateiras
(Crato),
onde
memória
indígena
e
educação
ambiental
se
articulam
em
trilhas
ecológicas
e
núcleos
interpretativos.
A
cooperação
entre
URCA,
secretarias
de
meio
ambiente
e
educação reforça a dimensão ecológica/ambiental de Sachs (2008), evidenciando
15
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GEOPARQUE PRUDENTÓPOLIS COMO ESTRATÉGIA DE DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL SUSTENTÁVEL: UMA
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26, Jan./Jun., 2026.
a
convergência
entre
ciência,
comunidade
e
políticas
públicas
na
proteção
do
patrimônio geológico.
Essas
práticas
repercutem
diretamente
nas
dimensões
do
desenvolvimento sustentável propostas por Sachs (2008). Socialmente, fortalecem
pertencimento,
autoestima
e
inclusão
de
comunidades
antes
marginalizadas;
economicamente,
dinamizam
cadeias
produtivas
locais,
profissionalizam
guias,
valorizam o artesanato e os geoprodutos, articulando cultura e economia solidária;
culturalmente,
promovem
mestres
da
cultura
e
museus
comunitários,
como
o
Memorial do Homem Kariri, ressignificando a memória coletiva; institucionalmente,
consolidam
uma
estrutura
técnica
e
participativa,
embora
com
desafios
orçamentários
e
políticos;
territorialmente,
integram
seis
municípios
distintos,
utilizando os geossítios como elementos de conexão física e simbólica.
As ações e projetos do geoparque dialogam diretamente com a Agenda
2030
da
ONU
e
seus
Objetivos
de
Desenvolvimento
Sustentável
(ODS),
especialmente em educação de qualidade (ODS 4), trabalho decente e crescimento
econômico (ODS 8), redução das desigualdades (ODS 10), cidades e comunidades
sustentáveis
(ODS
11),
consumo
e
produção
responsáveis
(ODS
12)
e
vida
terrestre (ODS 15). Desde 2019, uma das metas estratégicas do Geoparque tem
sido disseminar os ODS junto a parceiros locais, promovendo selos ambientais e
práticas empresariais alinhadas ao Pacto Global.
O Geopark Araripe em síntese, configura-se como um território educativo e
geoturístico
consolidado,
cuja
estrutura
institucional
robusta
e
integração
entre
ciência, cultura e comunidade o posicionam como referência nacional em gestão
territorial sustentável. Ao mesmo tempo, os desafios de ampliação da participação
comunitária,
continuidade
política
e
fortalecimento
da
infraestrutura
demandam
atenção para garantir a perenidade e a expansão dos resultados alcançados.
4.2
Geoparque Caçapava
Reconhecido pela UNESCO em 2023, o Geoparque Caçapava localiza-se
na
região
central
do
Rio
Grande
do
Sul,
no
município
de
Caçapava
do
Sul,
abrangendo 2.700 km² e sendo conhecido como a “capital da geodiversidade”. O
território
apresenta
identidade
geológica
singular
e
elevado
potencial
para
o
16
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desenvolvimento geoturístico e sustentável, com formações rochosas de grande
relevância científica, paisagística e simbólica, ligadas à história da mineração e à
cultura
gaúcha.
A
identidade
territorial
é
um
dos
traços
mais
marcantes
do
geoparque, com a paisagem geológica incorporada ao imaginário e à cultura local,
refletida em símbolos municipais, festas tradicionais e práticas cotidianas.
O
Geoparque
Caçapava
reúne
22
geossítios
com
diversidade
temática,
incluindo formações geológicas singulares, como a Pedra do Segredo e as Pedras
das
Guaritas,
áreas
paleontológicas,
antigos
ambientes
marinhos
e
locais
de
relevância
histórica
e
cultural.
Esses
elementos
fortalecem
o
pertencimento
comunitário
e
a
valorização
do
território,
segundo
entrevistados
e
documentos
institucionais. A Pedra das Guaritas destaca-se como ícone paisagístico e turístico,
enquanto
a
Pedra
do
Segredo
combina
valor
geológico
e
simbólico,
sendo
referência
identitária
local.
Ambos
concentram
grande
parte
do
fluxo
turístico,
atraindo visitantes regionais e nacionais interessados em ecoturismo, turismo de
aventura e interpretação ambiental.
Apesar
do
potencial,
o
Geoparque
Caçapava
enfrenta
desafios
em
governança e infraestrutura. Sua estrutura institucional está em consolidação, com
forte dependência de lideranças acadêmicas e do apoio técnico da UNIPAMPA e
da UFSM, responsáveis por inventários geológicos, planos de manejo e divulgação
científica. A participação do poder público municipal tem sido instável, afetada por
mudanças de gestão e restrições orçamentárias, comprometendo a continuidade
das ações.
Além
disso, a
articulação
com a
comunidade
local ainda
é
limitada,
demandando maior diálogo e fortalecimento de instâncias participativas.
A
infraestrutura
turística
do
Geoparque
Caçapava
é
limitada,
com
geossítios de difícil acesso, carência de sinalização e equipamentos de apoio, rede
hoteleira e gastronômica reduzida e ausência de um centro de visitantes, o que
compromete a interpretação geológica e ambiental. Essas fragilidades contrastam
com o alto valor paisagístico e científico do território, indicando a necessidade de
investimentos coordenados em infraestrutura, conservação e uso turístico.
Apesar dos desafios, há uma mobilização crescente de atores acadêmicos,
culturais e comunitários, como artesãs, escolas, associações e empreendedores,
em
ações
de
valorização
patrimonial,
geoprodutos
e
educação,
refletindo
as
17
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dimensões cultural e social do desenvolvimento sustentável de Sachs (2008). Para
que o
geoparque
se consolide
como
instrumento
de
desenvolvimento
territorial,
será
essencial
fortalecer
a
governança
multissetorial,
ampliar
a
infraestrutura
e
profissionalizar a gestão turística.
As ações do Geoparque Caçapava articulam-se com múltiplas dimensões
do
desenvolvimento
sustentável
de
Sachs
(2008).
Na
dimensão
ambiental,
destacam-se
inventários,
mapeamentos
e
delimitação
de
áreas
sensíveis;
na
cultural,
a
valorização
de
práticas
tradicionais
e
símbolos
identitários;
na
econômica,
o
turismo
surge
como
vetor
promissor,
embora
ainda
incipiente;
na
institucional,
persistem
fragilidades
de
articulação
governamental
e
participação
comunitária;
e,
territorialmente,
os
geossítios
estruturam
o
espaço
ao
integrar
conservação, turismo e memória coletiva.
Quanto à Agenda 2030 da ONU, o geoparque contribui para diversos ODS:
1 (erradicação da pobreza), 4 (educação de qualidade) e 5 (igualdade de gênero),
por
meio
de
capacitações
e
protagonismo
feminino;
8
(trabalho
decente)
e
12
(consumo
e
produção
responsáveis),
com
iniciativas
de
turismo
sustentável
e
geoprodutos; 10
(redução
das
desigualdades)
e
18
(igualdade
étnico-racial),
ao
valorizar
grupos
historicamente
marginalizados;
11
(cidades
e
comunidades
sustentáveis) e 15 (vida terrestre), pela conservação e ordenamento territorial; e 17
(parcerias), pela formação de redes multissetoriais.
O Geoparque Caçapava, em síntese, possui forte identidade territorial e
alto
potencial
geoturístico,
sustentado
por
um
patrimônio
natural
e
cultural
relevante.
Contudo,
desafios
relacionados
à
governança,
infraestrutura
e
participação social ainda impedem sua consolidação plena como instrumento de
desenvolvimento
sustentável.
A
experiência
evidencia
que,
além
do
reconhecimento
internacional,
é
essencial
investir
em
arranjos
institucionais
estáveis
e
participativos,
no
fortalecimento
da
infraestrutura
turística
e
na
integração entre ciência, poder público e comunidade para garantir sua efetividade
a longo prazo.
4.3
Projeto de Geoparque Prudentópolis
Posicionado na mesorregião sudeste do Paraná, Prudentópolis destaca-se
por sua rica geodiversidade e patrimônio cultural. O território reúne formações da
18
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Bacia
do
Paraná,
quedas
d’água
como
os
Saltos
São
João
e
São
Francisco,
paleotocas,
afloramentos
fossilíferos
e
paisagens
de
vales
e
campos
com
remanescentes de Floresta com Araucárias, configurando um espaço de alto valor
científico,
educativo
e
turístico.
A
forte
herança
ucraniana
marca
a
identidade
cultural local, expressa na arquitetura religiosa, festas, gastronomia, artesanato e
uso do idioma, integrando patrimônio natural e cultural e reforçando a vocação para
o geoturismo e a educação patrimonial.
Apesar das potencialidades, a proposta do Geoparque Prudentópolis está
em estágio inicial de articulação institucional. A Universidade Estadual do Centro-
Oeste (UNICENTRO) e Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), órgãos
estaduais,
o
Instituto
Água
e
Terra
(IAT)
e
setores
municipais
participam
do
processo, porém não há plano de gestão consolidado, equipe técnica dedicada ou
estrutura
formal
de
governança.
A
participação
comunitária
é
pontual
e
fragmentada,
revelando
fragilidades
político-institucionais
e
riscos
de
descontinuidade diante de mudanças administrativas.
No campo do turismo, observa-se um movimento consolidado em torno dos
atrativos
naturais
e
religiosos,
com
destaque
para
os
grandes
saltos,
igrejas
bizantinas e festas culturais. No
entanto, as atividades ainda ocorrem de forma
desarticulada em relação aos princípios do geoturismo, carecendo de roteirização
interpretativa,
sinalização
adequada
e
estratégias
educativas
integradas.
A
limitação da infraestrutura de recepção e de um centro de visitantes, fragiliza o uso
pedagógico e turístico do patrimônio geológico.
As entrevistas com
stakeholders
indicam expectativas positivas em relação
ao reconhecimento internacional e ao potencial econômico e simbólico da proposta,
especialmente por meio da valorização de produtos locais, do turismo sustentável
e
do
fortalecimento
da
identidade
territorial.
Por
outro
lado,
evidenciam
preocupações
com
a
falta
de
comunicação
territorial,
a
resistência
de
setores
produtivos e a baixa institucionalização da participação social, fatores que dificultam
a construção de uma governança ampla e estável.
O
Projeto
de
Geoparque
Prudentópolis
possui
elevado
potencial,
mas
requer
avanços
estruturantes
para
se
consolidar,
como
o
fortalecimento
da
governança
multissetorial,
a
elaboração
de
um
plano
de
gestão
participativo,
a
19
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integração entre geodiversidade, cultura e turismo comunitário, além da ampliação
dos mecanismos de comunicação e engajamento social.
Suas ações iniciais dialogam com várias dimensões do desenvolvimento
sustentável:
a
geodiversidade
e
o
patrimônio
cultural
sustentam
as
dimensões
ambiental, territorial e cultural (Sachs, 2008), enquanto as universidades têm papel
central na dimensão educacional por meio de pesquisas e extensão. Em relação às
dimensões
institucional
e
econômica,
estas
permanecem
frágeis,
em
razão
da
ausência de coordenação e de fontes de financiamento estáveis.
Em relação à Agenda 2030 da ONU, o Projeto de Geoparque Prudentópolis
apresenta
conexões
potenciais
e
práticas
emergentes
com
diversos
ODS,
articulando
conservação
ambiental,
valorização
cultural
e
geração
de
renda.
Destacam-se os ODS 4, com ações educativas e trilhas interpretativas; ODS 6, 13
e
15,
em
iniciativas
de
proteção
de
nascentes
e
geossítios;
ODS
8
e
12,
no
fortalecimento de cadeias produtivas locais e criação de geoprodutos; e ODS 10,
11 e 18, ao valorizar saberes tradicionais e diversidade cultural. Há ainda vínculos
com os ODS 9 e 16, em propostas de infraestrutura e instrumentos jurídicos, e com
o
ODS
17,
nas
articulações
institucionais.
A
consolidação
dessas
conexões
depende
do
fortalecimento
das
políticas
públicas,
da
institucionalização
das
práticas e de uma governança colaborativa.
O Projeto de Geoparque Prudentópolis configura-se como um território com
elevado
potencial
para
o
desenvolvimento
sustentável,
combinando
atributos
geológicos e culturais de expressiva relevância com uma articulação institucional
ainda
incipiente.
O
desafio
central
consiste
em
transformar
expectativas
em
estruturas de
governança
participativa,
políticas
públicas
e
estratégias
turísticas
integradas, capazes de alinhar práticas locais aos compromissos globais.
4.4
Análise Comparativa e Síntese Integrativa
A
análise
comparativa
dos
três
territórios,
Geopark
Araripe,
Geoparque
Caçapava e Projeto de Geoparque Prudentópolis, evidencia diferentes estágios de
institucionalização, governança e articulação territorial. Esses elementos permitem
compreender, de forma mais precisa, como os geoparques se configuram como
plataformas de desenvolvimento sustentável.
20
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O Geopark Araripe se destaca como um modelo consolidado, com plano
de
gestão
estável,
forte
integração
entre
universidades,
poder
público
e
comunidades locais, infraestrutura turística estruturada e articulação
consistente
com os ODS. O Geoparque Caçapava, recém-certificado, evidencia mobilização
comunitária,
identidade
territorial
forte
e
criatividade
institucional,
apesar
de
enfrentar limitações em infraestrutura e institucionalização formal. Por sua vez, o
Projeto
de
Geoparque
Prudentópolis
apresenta
potencial
geoturístico
e
cultural
expressivo, base acadêmica sólida e ações pontuais em andamento, mas carece
de governança consolidada, planejamento
territorial integrado e mecanismos de
participação social mais robustos.
O
Quadro
1
sintetiza
os
principais
elementos
comparativos
entre
os
territórios, permitindo visualizar avanços e desafios de forma sistemática:
Quadro 1 – Comparativo sobre Implementação e gestão dos geoparques
Categoria
Geopark Araripe
Geoparque Caçapava
Projeto Geoparque
Prudentópolis
Implementação e
Gestão
Modelo
consolidado
com
governança
institucional,
plano
de
gestão,
envolvimento
universitário
e
comunitário.
Território
em
estruturação,
com
articulação
multissetorial
crescente. Governança
em construção.
Proposta
embrionária.
Necessidade
de
plano
de
gestão
e
articulação
institucional.
Percepções dos
Stakeholders
Alta
identificação
simbólica
e
orgulho
territorial.
Participação
ativa
e
protagonismo
das
comunidades
locais.
Sentimento
de
pertencimento
emergente.
Expectativas
de
desenvolvimento social
e econômico.
Expectativas
positivas,
mas
participação
limitada
nos
processos
decisórios e ausência
de escuta ativa.
Atividades
Turísticas
Infraestrutura
robusta,
geossítios organizados,
integração com roteiros
culturais e educativos.
Potencial
geoturístico
ativado com geossítios
e produtos identitários,
mas
com
limitações
estruturais.
Atrações
turísticas
consolidadas,
mas
desvinculadas
do
conceito
de
geoturismo
e
sem
integração territorial.
Contribuições ao
Desenvolvimento
Sustentável
Integra
todas
as
dimensões
de
Sachs
com
destaque
para
educação,
cultura
e
governança.
Avanços
em
todas
as
dimensões,
com
destaque
para
cultura,
economia
e
organização social.
Potencial
latente
em
todas
as
dimensões,
mas
poucas
ações
articuladas a proposta
de geoparque.
Conexões com os
ODS
Vinculação
aos
ODS
e
práticas
estruturadas
com
monitoramento
e
parcerias institucionais.
Aderência
prática
aos
ODS
com
ações
culturais,
educativas
e
produtivas,
embora
com
menor
formalização.
Reconhecimento
dos
ODS, necessidade de
planejamento
vinculado
à
Agenda
2030.
Fonte: Dados da pesquisa (2025).
21
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A comparação apresentada no Quadro 1 mostra que as trajetórias dos três
territórios
não
seguem
uma
linha
evolutiva
única,
mas
refletem
diferentes
estratégias
de
institucionalização
e
territorialização
do
conceito
de
geoparque,
moldadas por contextos históricos, sociopolíticos e culturais. As experiências de
Araripe e Caçapava oferecem referências valiosas para Prudentópolis, sobretudo
quanto
à
formalização
institucional,
criação
de
governança
multissetorial,
integração ciência, comunidade e alinhamento à Agenda 2030.
Enfim, o Geopark Araripe consolidou um modelo institucional robusto, com
governança
estável
e
forte
articulação
com
os
ODS.
O
Geoparque
Caçapava,
mesmo recente, destaca-se pela identidade territorial e mobilização comunitária,
apesar
de
limitações
estruturais.
E
Prudentópolis
combina
patrimônio
natural
e
cultural expressivo e base acadêmica sólida, mas ainda carece de planejamento
integrado, governança consolidada e mecanismos participativos efetivos.
Com
base
nesse
panorama,
delineia-se
um
caminho
estratégico
para a
consolidação do Projeto de Geoparque Prudentópolis, ancorado em três frentes
principais: (1) Formalização institucional e planejamento, com elaboração de plano
de
gestão,
base
legal
e
definição
de
responsabilidades
entre
os
atores;
(2)
Governança participativa e intersetorial, por meio da criação de conselhos gestores
multissetoriais
e
fortalecimento
de
parcerias
entre
universidades,
poder
público,
setor
privado
e
comunidades
locais;
(3)
Mobilização
territorial
e
comunicação,
valorizando
identidades
culturais
e
ambientais,
ampliando
estratégias
de
geocomunicação e promovendo pertencimento e engajamento social.
Essas diretrizes estão sintetizadas na Figura 1, que apresenta um roteiro
de ação articulado à Agenda 2030, está organizada em oito eixos fundamentais:
formalização
institucional;
articulação
de
parceiros;
criação
de
estrutura
de
governança;
qualificação
da
comunicação
territorial;
mobilização
comunitária;
promoção do pertencimento; gestão participativa e transversalidade de políticas; e
continuidade política e interinstitucional, os quais representam as ações a serem
desenvolvidas no Projeto de Geoparque Prudentópolis.
22
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Figura 1 – Recomendações estratégicas para a consolidação do Projeto de
Geoparque Prudentópolis.
Fonte: Elaborado pelos autores (2025).
A experiência de Araripe e Caçapava demonstra que a consolidação de
geoparques
requer
mais
do
que
reconhecimento
internacional:
envolve
a
construção de redes territoriais sólidas, planejamento participativo e valorização do
patrimônio
como
instrumento
de
desenvolvimento
sustentável.
Nesse
contexto,
Prudentópolis tem diante de si um caminho possível e contextualizado, capaz de
transformar
potenciais
ambientais,
culturais
e
sociais
em
práticas
concretas
e
sustentáveis.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A
análise
dos
três
territórios,
Geopark
Araripe,
Geoparque
Caçapava
e
Projeto
de
Geoparque
Prudentópolis,
evidencia
diferentes
estágios
de
institucionalização,
práticas
de
governança
e
articulação
territorial,
permitindo
compreender
de
forma
comparativa
como
os
geoparques
se
configuram
como
plataformas de desenvolvimento sustentável. Cada território expressa, a seu modo,
a integração entre patrimônio geológico, identidade cultural, práticas educativas e
23
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estratégias de participação social, em consonância com as dimensões propostas
por Sachs (2008) e com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Agenda
2030 da ONU.
O Geopark Araripe representa uma experiência consolidada, com estrutura
institucional
robusta,
integração
entre
ciência,
comunidades
e
poder
público,
e
práticas estáveis em educação, turismo e conservação. O Geoparque Caçapava
destaca-se
pela
forte
mobilização
comunitária,
criatividade
institucional
e
valorização cultural, mesmo diante de desafios estruturais. O Projeto de Geoparque
Prudentópolis reúne patrimônio natural e cultural significativo e base acadêmica
sólida, mas demanda avanços em planejamento territorial, governança participativa
e integração intersetorial para consolidar-se.
A
experiência
comparada
demonstra
que
os
geoparques
vão
além
de
instrumentos
de
conservação,
atuando
como
laboratórios
vivos
de
desenvolvimento
territorial
sustentável,
capazes
de
articular
agendas
globais
e
práticas locais. Para isso, a escuta qualificada dos
stakeholders
e a construção de
modelos
de
governança
colaborativa
e
multissetorial
são
fundamentais
para
garantir
legitimidade,
continuidade
política
e
corresponsabilidade
na
gestão
do
território.
Com
base
nas
análises
realizadas,
recomenda-se
para
o
Projeto
de
Geoparque Prudentópolis: (1) a formalização institucional e elaboração de um plano
de
gestão
com
metas
claras
e
indicadores;
(2)
a
criação
de
estruturas
de
governança
multissetorial
que
assegurem
participação
efetiva
de
comunidades,
universidades,
setor
público
e
privado;
(3)
o
fortalecimento
da
comunicação
territorial
e
mobilização
comunitária,
valorizando
identidades
locais
e
práticas
culturais;
(4)
a
integração
entre
turismo,
educação
e
conservação
em
políticas
públicas coordenadas; e, (5) o alinhamento estratégico com a Agenda 2030 e os
ODS, como referência orientadora para ações locais.
Apesar
das
contribuições
apresentadas,
esta
pesquisa
possui
algumas
limitações que devem ser consideradas na interpretação dos resultados. O número
de
entrevistados,
embora
adequado
à
abordagem
qualitativa
e
à
estratégia
de
estudos
de
casos
múltiplos,
restringe
a
abrangência
das
percepções
captadas
diante da complexidade e diversidade de atores envolvidos. Além disso, o recorte
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Gelson Menon, Ronaldo Ferreira Maganhotto, Sílvio Roberto Stéfani, Marinês Taffarel
GEOPARQUE PRUDENTÓPOLIS COMO ESTRATÉGIA DE DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL SUSTENTÁVEL: UMA
ANÁLISE BASEADA NA TEORIA DOS
STAKEHOLDERS
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territorial,
centrado
em
três
experiências
em
diferentes
estágios
de
maturidade
(consolidada, em consolidação e inicial), limita a generalização dos achados para
outros contextos de geoparques com características distintas.
Adicionalmente, a dependência das percepções dos
stakeholders
, ainda
que fundamental para compreender dinâmicas de governança e participação, pode
refletir visões parciais ou interesses específicos, configurando possíveis vieses de
interpretação e de seleção dos participantes. Dessa forma, os resultados devem
ser analisados com cautela quanto à sua generalização, sendo mais apropriados
para
a
compreensão
aprofundada
dos
casos
estudados.
Como
agenda
futura,
recomenda-se a ampliação do número de casos, a incorporação de abordagens
quantitativas complementares e o desenvolvimento de estudos longitudinais que
permitam acompanhar a evolução dos geoparques ao longo do tempo.
Do ponto de vista teórico e aplicado, este estudo contribui para as áreas de
Organizações
e
Controladoria
ao
evidenciar
como
a
governança
territorial
em
geoparques
se
estrutura
a
partir
da
articulação
entre
múltiplos
stakeholders
,
incluindo
poder
público,
universidades,
setor
privado
e
comunidades
locais.
Ademais,
destaca
a
importância
da
incorporação
de
práticas
sistemáticas
de
monitoramento,
avaliação
e
mensuração
de
resultados,
com
a
definição
de
indicadores
relacionados
à
governança,
ao
desempenho
turístico,
à
valorização
sociocultural e aos impactos ambientais, alinhados aos ODS, contribuindo para o
desenvolvimento
de
sistemas
de
controle
e
apoio
à
gestão
estratégica
em
contextos territoriais complexos.
Conclui-se que, para que Prudentópolis avance rumo à certificação como
Geoparque
UNESCO
e
se
consolide
como
território
educativo
e
sustentável,
é
essencial
fortalecer
arranjos
institucionais,
ampliar
a
mobilização
social
e
consolidar a articulação entre os diferentes atores. As experiências de Araripe e
Caçapava evidenciam que o êxito dos geoparques depende menos da chancela
formal
e
mais
da
capacidade
de
estruturar
redes
territoriais
sólidas,
promover
governança participativa e valorizar o patrimônio geológico e cultural como ativo
estratégico para o desenvolvimento local.
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GEOPARQUE PRUDENTÓPOLIS COMO ESTRATÉGIA DE DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL SUSTENTÁVEL: UMA
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