Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 6, n. 1, p. 98-
129, Jan./Jun., 2026.
DISCLOSURE
VOLUNTÁRIO E MÉTRICAS DE CONTROLADORIA
AMBIENTAL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DE PADRÕES DISCURSIVOS
ASSOCIADOS AO
GREENWASHING
1
VOLUNTARY DISCLOSURE AND ENVIRONMENTAL CONTROLLERSHIP
METRICS: A COMPARATIVE ANALYSIS OF DISCURSIVE PATTERNS
ASSOCIATED WITH GREENWASHING
ITELMAN ZOÉ DE BRITO
Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)
E-mail: itelmanbrito@gmail.com
ANA CARINA DE ANDRADE ARAUJO
Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)
E-mail: ana.caaraujo@ufrpe.br
KÉSSIA FERREIRA AGUIAR
Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)
E-mail: kessia.aguiar@ufrpe.br
GABRIEL ANTÔNIO MARCELINO XAVIER
Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)
E-mail: gabriel.xavier@ufrpe.br
MARCIO SAMPAIO PIMENTEL
Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)
E-mail: marcio.pimentel@ufrpe.br
RESUMO
O
disclosure
voluntário das organizações tem contribuído para a transparência corporativa e para a
tomada de decisão. Apesar desse avanço, persiste um debate sobre a credibilidade das informações
divulgadas,
especialmente
em
contextos
em
que
a
comunicação
ambiental
assume
caráter
meramente simbólico. Este estudo objetiva analisar comparativamente o disclosure voluntário de
grandes empresas atuantes no Brasil, com base em métricas de controladoria ambiental, visando
identificar
padrões
discursivos
associados
a
potenciais
indícios
de
greenwashing
.
A
pesquisa
é
qualitativa,
descritiva
e
documental,
utilizando
Análise
de
Conteúdo
aplicada
a
relatórios
de
sustentabilidade
e
integrados,
com
triangulação
de
dados
provenientes
da
mídia
de
grande
circulação. A amostra compreende dois grupos: empresas de referência em transparência ambiental
e
empresas
no
grupo
de
contraste.
Os
resultados
indicam
que
empresas
mencionadas
em
reportagens
de
grande
circulação,
em
discussões
relacionadas
a
potenciais
práticas
de
greenwashing
apresentam maior recorrência de linguagem vaga, ausência de métricas quantitativas
1
DOI: https://doi.org/10.5935/2763-9673.20260005
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 6, n. 1, p. 98-
129, Jan./Jun., 2026.
e
ênfase
em
compromissos
futuros,
enquanto
as
empresas
de
referência
evidenciam
maior
consistência
informacional,
com
indicadores
mensuráveis,
metas
claras
e
maior
transparência.
Conclui-se que as métricas propostas contribuem para a identificação de padrões no
disclosure
ambiental,
ampliando
o
potencial
da
controladoria
ambiental
como
instrumento
de
avaliação
da
qualidade das informações divulgadas.
Palavras-chave
:
Análise
de
conteúdo;
Controladoria
ambiental;
Disclosure
voluntário
;
Greenwashing
.
ABSTRACT
The
expansion
of
voluntary
corporate
disclosure
has
strengthened
transparency
and
supported
decision-making,
yet
concerns
remain
regarding
the
credibility
of
environmental
information,
particularly when communication assumes a symbolic orientation. This study comparatively analyses
the voluntary disclosure of large companies operating in Brazil, using environmental controllership
metrics to identify discursive patterns associated with potential indications of greenwashing. The
research adopts a qualitative, descriptive, and documentary approach and applies Content Analysis
to
sustainability
and
integrated
reports,
while
triangulating
data
from
major
media
sources.
The
sample comprises companies with established environmental transparency practices and companies
assigned to a contrast group. The findings indicate that contrast group companies exhibit a higher
prevalence of vague language, limited use of quantitative metrics, and greater emphasis on future
commitments, whereas reference companies demonstrate greater informational consistency, with
measurable
indicators,
clear
targets,
and
more
detailed
disclosure.
The
study
shows
that
the
proposed
metrics
support
the
identification
of
disclosure
patterns
and
strengthen
the
role
of
environmental controllership in assessing the quality of corporate environmental information.
Keywords
: Content analysis; Environmental controllership; Greenwashing; Voluntary disclosure.
100
Itelman Zoé De Brito, Ana Carina De Andrade Araujo, Késsia Ferreira Aguiar Gabriel Antônio Marcelino Xavier, Marcio
Sampaio Pimentel
DISCLOSURE
VOLUNTÁRIO E MÉTRICAS DE CONTROLADORIA AMBIENTAL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DE
PADRÕES DISCURSIVOS ASSOCIADOS AO
GREENWASHIN
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 6, n. 1, p. 98-
129, Jan./Jun., 2026.
1. INTRODUÇÃO
Nas
últimas
décadas,
a
crescente
pressão
regulatória,
social
e
de
investidores
tem
ampliado
a
demanda
por
transparência
e
responsabilidade
socioambiental
das
organizações.
Esse
movimento
incentivou
um
aumento
do
disclosure,
isto é, da divulgação voluntária, disseminando o máximo de informações
sobretudo
por
meio
de
relatórios
de
sustentabilidade,
relatórios
integrados
e
documentos
Environmental, Social, and Governance
(ESG) (Ignatov; Rudolf, 2021;
Cho;
Patten,
2013).
Apesar
desse
avanço,
questionam-se
a
efetividade
e
a
credibilidade das informações divulgadas, especialmente em contextos nos quais a
comunicação
ambiental
assume
caráter
meramente
simbólico
mais
do
que
substantivo (Subramaniam
et al.
, 2023).
A literatura nacional e internacional tem mostrado que parte significativa
dos
relatórios
corporativos
ainda
apresenta
inconsistências,
lacunas,
linguagem
vaga,
manipulação
de
dados
ou
ausência
de
métricas
robustas,
o
que
dificulta
distinguir a transparência genuína de práticas manipulativas de comunicação (Liu
et
al.,
2024;
Cho;
Patten,
2013;
Delmas;
Burbano,
2011).
Esse
fenômeno,
amplamente discutido sob o conceito de
greenwashing
, refere-se à divulgação de
mensagens
ambientais
positivas
que
não
refletem
integralmente
as
práticas
operacionais,
gerando
assimetria
informacional,
fraudes,
riscos
reputacionais
e
perda de credibilidade diante dos investidores podendo inclusive afetar o preço de
suas ações (Liu
et al.
2024; Baldi; Pandimiglio, 2022; Delmas; Burbano, 2011).
Apesar da evolução nos mecanismos de
accountability
e transparência, o
avanço dos relatórios voluntários de sustentabilidade e integrados, elaborados com
base em padrões internacionais (GRI e ISE-B3), trouxe à tona questionamentos
sobre
a
fidedignidade
dessas
informações
(Ignatov;
Rudolf,
2021).
Embora
tais
documentos
representem
um
avanço
na
comunicação
corporativa,
pesquisas
alertam
para
a
inconsistência
entre
as
informações
divulgadas
e
as
práticas
efetivamente adotadas (Silva
et al
., 2015). O avanço do consumo verde intensifica
essa prática, fazendo com que empresas busquem associar produtos a práticas
ambientais sem o devido respaldo em ações efetivas (Braga Junior
et al
., 2016;
Chen; Chai, 2010).
101
Itelman Zoé De Brito, Ana Carina De Andrade Araujo, Késsia Ferreira Aguiar Gabriel Antônio Marcelino Xavier, Marcio
Sampaio Pimentel
DISCLOSURE
VOLUNTÁRIO E MÉTRICAS DE CONTROLADORIA AMBIENTAL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DE
PADRÕES DISCURSIVOS ASSOCIADOS AO
GREENWASHIN
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 6, n. 1, p. 98-
129, Jan./Jun., 2026.
Consequentemente, o marketing verde se torna uma característica comum
de
mensagem
publicitária
como:
“Eco”,
“amigo
do
meio
ambiente”,
“verde”,
“sustentabilidade”,
uma
imagem
positiva
em
relação
ao
meio
ambiente
pode
contribuir para a
atração de
consumidores mais conscientes (Paula; Rosa; Feil,
2024). No entanto, muitas alegações ambientais que apontam para atributos verdes
possuem o objetivo de ser um mero exercício de conformidade e mercado, muitas
vezes apresentam divergências entre as práticas reais e como elas são retratadas
em
comunicações
oficiais
(Liu
et
al
.,
2024;
Ignatov;
Rudolf,
2021).
O
poder
da
compra verde força as empresas a mudarem suas estratégias de marketing. Assim,
o
Greenwashing
também é definido, segundo Parguel
et al.
(2011), como a falta de
honestidade com os consumidores sobre as práticas ambientais de uma empresa
ou os benefícios ambientais de um produto ou serviço. Mas ainda são escassas as
aplicações
sistemáticas
dessas abordagens no
contexto
brasileiro,
com
foco
no
confronto entre
disclosure
e cobertura jornalística de grande impacto.
Casos envolvendo empresas de grande porte em setores como mineração,
energia, alimentos e transporte reforçam que o aumento da produção de relatórios
não implica necessariamente maior confiabilidade, muitas vezes agindo de forma
estratégica
por
apresentarem-se
como
setores
sensíveis
a
má
reputação
no
mercado (Ignatov; Rudolf, 2021). Em diversas situações, organizações divulgam
compromissos ambientais ambiciosos, porém sem uma base concreta de medição,
além de apresentarem limitações na evidenciação de riscos e passivos ambientais
(Liu
et
al.,
2024),
o
que,
em
alguns
casos,
contrasta
com
questionamentos
veiculados
pela
imprensa
nacional
de
grande
circulação.
Esses
episódios
evidenciam um problema central: a dificuldade de avaliar a qualidade substantiva
do
disclosure
ambiental
quando
empresas
combinam
forte
exposição
com
acusações públicas de práticas insustentáveis, inclusive, segundo Subramaniam
et
al. (
2023), por pouco conhecimento acerca de seus determinantes e motivações.
Apesar dos avanços no
disclosure
ambiental, observa-se a ausência de
métricas operacionalizáveis, especialmente no campo da controladoria ambiental,
capazes
de
identificar
padrões
discursivos
associados
a
potenciais
indícios
de
greenwashing
nos relatórios corporativos. Estudos internacionais têm avançado na
análise
do
discurso
ambiental e na
identificação
de
elementos
como
linguagem
102
Itelman Zoé De Brito, Ana Carina De Andrade Araujo, Késsia Ferreira Aguiar Gabriel Antônio Marcelino Xavier, Marcio
Sampaio Pimentel
DISCLOSURE
VOLUNTÁRIO E MÉTRICAS DE CONTROLADORIA AMBIENTAL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DE
PADRÕES DISCURSIVOS ASSOCIADOS AO
GREENWASHIN
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 6, n. 1, p. 98-
129, Jan./Jun., 2026.
vaga,
metas
não
mensuráveis,
omissões
estratégicas
e
inconsistências
entre
discurso e comportamento.
Diante
desse
contexto,
o
presente
estudo
tem
por
objetivo
analisar
comparativamente o
disclosure
voluntário das empresas Banco do Brasil, Natura,
Gol,
Localiza
e
JBS,
no
período
de
2023
a
2024,
com
base
em
métricas
de
controladoria
ambiental,
a
fim
de
identificar
padrões
discursivos
associados
a
potenciais indícios de
greenwashing
.
Diante
desse
contexto,
o
presente
estudo
tem
por
objetivo
interpretar
narrativas organizacionais das empresas Banco do Brasil, Natura, Gol, Localiza e
JBS, no período de 2023 a 2026, com base em métricas de controladoria ambiental,
a
fim
de
identificar
padrões
discursivos
associados
a
potenciais
indícios
de
greenwashing
.
Nesse sentido, destaca-se que a investigação externa não possui caráter
punitivo
ou
definitivo
sobre
a
conduta
das
empresas,
oposto
a
isso,
identificar
padrões fornece um sinal verificado que possibilita desencadear um processo de
ajuste das práticas e da comunicação ambiental das empresas. Assim, pode ser
compreendida como o início do processo de correção e não como o final desse
processo (Xu; Lei; Tang, 2026).
A
relevância
teórica
e
prática
deste
estudo
se
justifica
pois,
conforme
destacam Delmas e Burbano (2011), a ausência de métricas contábeis objetivas e
padronizadas
para
identificar
e
mensurar
o
greenwashing
persiste
como
uma
lacuna de pesquisa significativa. Assim, esta pesquisa preenche esse espaço ao
fornecer
um
instrumental
analítico
para
o
campo
da
controladoria
ambiental
no
cenário corporativo brasileiro.
2. REFERENCIAL TEÓRICO
Esta seção está organizada em dois eixos fundamentais. O primeiro (item
2.1) aborda
a
Contabilidade e
a
Controladoria
Ambiental
como
instrumentos
de
gestão e transparência. O segundo (item 2.2) discute a
Voluntary Disclosure Theory
e o fenômeno do
greenwashing
. Para a construção deste arcabouço, realizou-se
um
levantamento
bibliográfico
exploratório
em
bases
de
dados
acadêmicas,
selecionando
estudos
clássicos
sobre
evidenciação
voluntária
e
investigações
103
Itelman Zoé De Brito, Ana Carina De Andrade Araujo, Késsia Ferreira Aguiar Gabriel Antônio Marcelino Xavier, Marcio
Sampaio Pimentel
DISCLOSURE
VOLUNTÁRIO E MÉTRICAS DE CONTROLADORIA AMBIENTAL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DE
PADRÕES DISCURSIVOS ASSOCIADOS AO
GREENWASHIN
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 6, n. 1, p. 98-
129, Jan./Jun., 2026.
empíricas
nacionais
e
internacionais
recentes
que
fundamentam
as
métricas
adotadas.
2.1. Contabilidade e Controladoria Ambiental como Instrumentos de Gestão e
Disclosure
A
contabilidade
ambiental
pode
ser
entendida
como
uma
vertente
da
contabilidade que busca mensurar os impactos das atividades econômicas sobre o
meio
ambiente,
incluindo
seus
ativos,
passivos,
custos
e
receitas,
integrando
gestão ambiental ao sistema contábil tradicional (Paula; Rosa; Feil, 2024
).
Paula,
Rosa; Feil (2024) reforçam que, apesar das dificuldades internas de mensuração e
custos elevados, a contabilidade ambiental fortalece a confiabilidade dos relatórios,
mitiga riscos legais e auxilia na reputação e na percepção pública das empresas. A
discussão
avançou
para
a
integração
com
a
contabilidade
gerencial,
onde
Schaltegger e Burritt (2000) exploraram como as informações ambientais podem
ser
usadas
internamente
para
a
tomada
de
decisão
estratégica
e
redução
de
custos.
Desde a sua origem na década de 1970, conforme mencionado por Ferreira
e Gonzales (2015), essa área evoluiu de um simples registro de custos para um
instrumento
estratégico
de
gestão
e
transparência,
motivado
por
diferentes
interesses (Moreira; Brito; Lima, 2020). Nesse processo, a controladoria ambiental
na perspectiva organizacional emerge como um sistema de informação gerencial
essencial que integra a contabilidade ambiental, administração e economia. É ela
a
responsável
por
traduzir
os
dados
complexos
em
relatórios
claros
e
compreensíveis
para os
stakeholders
, monitorando
a
p
erformance
sustentável e
garantindo
as
informações
divulgadas
(Lima
et
al
.,
2022;
Moreira;
Brito;
Lima,
2020).
Nesse cenário, torna-se necessário avançar na operacionalização empírica
dos conceitos de controladoria
ambiental, de
modo a
possibilitar uma avaliação
mais
precisa
do
disclosure
corporativo
reportado
pelas
organizações.
Conforme
Nishitani
et
al.
(2021),
a
análise
do
relatório
configura-se
um
instrumento
de
legitimação, e análises mais precisas podem permitir distinguir se a empresa busca
promover transparência ou se utiliza o
disclosure
como instrumento de legitimação
retórica, com o objetivo de gerenciar a percepção de
stakeholders
e consumidores.
104
Itelman Zoé De Brito, Ana Carina De Andrade Araujo, Késsia Ferreira Aguiar Gabriel Antônio Marcelino Xavier, Marcio
Sampaio Pimentel
DISCLOSURE
VOLUNTÁRIO E MÉTRICAS DE CONTROLADORIA AMBIENTAL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DE
PADRÕES DISCURSIVOS ASSOCIADOS AO
GREENWASHIN
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 6, n. 1, p. 98-
129, Jan./Jun., 2026.
2.2.
Voluntary Disclosure
e
Greenwashing
A
divulgação
de
informações
socioambientais
pelas
empresas
ocorre,
majoritariamente,
de
forma
voluntária
no
Brasil,
como
apontado
pelo
título
do
presente
estudo.
A
Voluntary
Disclosure
Theory
sugere
que
as
empresas
têm
incentivos
para
divulgar
informações
além
das
exigências
obrigatórias,
visando
reduzir a assimetria informacional entre gestores e investidores. Autores clássicos
como Gray; Owen; Adams (1996), já destacavam a sua importância, sugerindo que
as
empresas
divulgam
informações
para
legitimar
suas
operações
perante
a
sociedade e
stakeholders
.
Healy e Palepu (2001), Gaver e Gaver (1993) são referências na discussão
de
como
um
maior
disclosure
pode
diminuir
a
lacuna
informacional,
afetando
positivamente o custo de capital da empresa. Contudo, essa divulgação voluntária
não é isenta de vieses. Corroborando, os autores Nishitani
et al.
(2021) afirmam
que os relatórios voluntários são como ferramenta de legitimação, que fala com o
público e stakeholders.
Estudos
empíricos,
como
o
de
Silva
et
al.
(2014),
que
analisaram
43
empresas
da
Bovespa,
verificaram
que
a
presença
de
auditoria
externa
pode
influenciar
positivamente
a
quantidade
de
informações
ambientais
divulgadas,
sugerindo um mecanismo de
Governance
que mitiga a assimetria. Por outro lado,
a pesquisa de Nossa (2002), ao analisar o setor de papel e celulose, identificou que
fatores como o tamanho da empresa e o país de origem geram divergências nas
divulgações, indicando que a voluntariedade leva a relatórios não comparáveis e
inconsistentes.
O cenário de divulgação voluntária, muitas vezes, não padronizada, abre
espaço para incertezas, cujas empresas refinam suas informações, muitas vezes
até ocultando práticas tendenciosamente procurando direcionar o leitor para um
cenário
inexistente
(Nishitani
et
al.,
2021),
culminando
no
fenômeno
do
greenwashing
(lavagem verde). O termo, cunhado na década de 1980, refere-se ao
ato de induzir consumidores ou
stakeholders
ao erro, transmitindo uma imagem
falsa de responsabilidade ambiental ou sustentabilidade (Baldi; Pandimiglio, 2022;
Delmas; Burbano, 2011).
105
Itelman Zoé De Brito, Ana Carina De Andrade Araujo, Késsia Ferreira Aguiar Gabriel Antônio Marcelino Xavier, Marcio
Sampaio Pimentel
DISCLOSURE
VOLUNTÁRIO E MÉTRICAS DE CONTROLADORIA AMBIENTAL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DE
PADRÕES DISCURSIVOS ASSOCIADOS AO
GREENWASHIN
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 6, n. 1, p. 98-
129, Jan./Jun., 2026.
Ao
nos
depararmos
com
produtos
semelhantes
nas
prateleiras
dos
mercados em geral, fica
difícil saber quais dos produtos ofertados são, de fato,
provenientes
de
empresas
que
assumiram
compromissos
genuínos
com
a
sustentabilidade.
Essa
dificuldade
é
explorada
pelas
empresas;
muitas
dessas
divulgações nas embalagens tratam-se de “maquiagem verde”, e estão associadas
a políticas de Responsabilidade Social Corporativa focadas na imagem, visando
evitar modificar a maneira como o negócio funciona ou para mitigar problemas de
reputação (Pope; Wæraas, 2016; Siano
et al.,
2017).
Lyon e Montgomery (2015), observam que não existe uma definição única
e rígida para o termo, dada sua natureza multifacetada. No entanto, a literatura
converge para a ideia de uma inconsistência entre o discurso e a prática efetiva.
Parguel
et al.
(2011) contribuíram ao criar tipologias para o
greenwashing
, enquanto
o relatório da TerraChoice (2010) popularizou os "Sete Pecados do
Greenwashing
",
que servem como métricas práticas para identificar alegações vagas, irrelevantes
ou falsas em produtos e relatórios.
A
percepção
do
consumidor
frente
a
essa
realidade
é
um ponto
crítico.
Chen e Chang (2012) afirmam que o
greenwashing
está positivamente associado
à confusão do consumidor verde e afeta a sua confiança, principalmente quando
não consegue decidir na hora da compra se um produto é de fato sustentável. No
entanto, uma pesquisa na cidade de São Paulo, realizada por Braga Junior
et al
.
(2016), identificou resultados interessantes: embora o
greenwashing
confunda o
consumidor, ele não chega a influenciar negativamente na confiança do produto
verde,
sugerindo uma
certa
resiliência
ou
até
apatia
do
consumidor
brasileiro
a
essas práticas.
Para
o
Governo
do
Brasil,
induzir
o
consumidor
ao
erro
pode
ser
considerado propaganda enganosa presente no Código de Defesa do Consumidor
brasileiro. O marketing “verde” não garante a procedência de práticas ecológicas
pelas empresas, sendo necessário que haja responsabilidade socioambiental no
contexto organizacional (BRASIL, 2025). Para tanto, há orientações relevantes a
que
o
consumidor
deve
atentar
para
as
cores
e
os
símbolos
utilizados
em
embalagens.
Outro
aspecto
é
a
valorização
de
empresas
que
possuem
certificações ambientais reconhecidas (como FSC, Selo Orgânico, ISO 14001, Fair
106
Itelman Zoé De Brito, Ana Carina De Andrade Araujo, Késsia Ferreira Aguiar Gabriel Antônio Marcelino Xavier, Marcio
Sampaio Pimentel
DISCLOSURE
VOLUNTÁRIO E MÉTRICAS DE CONTROLADORIA AMBIENTAL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DE
PADRÕES DISCURSIVOS ASSOCIADOS AO
GREENWASHIN
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 6, n. 1, p. 98-
129, Jan./Jun., 2026.
Trade) e índices como o ISE B3 (Índice de Sustentabilidade Empresarial da Bolsa
de
Valores
Brasileira)
que
fortalecem
um
mercado
mais
ético
e
transparente
(BRASIL, 2025).
3. METODOLOGIA
Delmas e Burbano (2011) destacam que a ausência de métricas contábeis
objetivas e padronizadas para identificar e mensurar o
greenwashing
persiste como
uma lacuna de pesquisa significativa. É essa lacuna que justifica a necessidade do
presente estudo.
3.1 Tipo de pesquisa
O estudo é caracterizado
como uma abordagem qualitativa de natureza
exploratória e documental, adequada para compreender fenômenos em contextos
pouco
investigados e interpretar
narrativas organizacionais
(Sampierre;
Collado;
Lucio, 2025). Além disso, a pesquisa assume caráter descritivo na medida em que
busca
identificar
e
descrever
as
características
do
disclosure
voluntário
das
empresas analisadas (Gil, 2008).
O procedimento técnico adotado no estudo parte da Análise de Conteúdo
– AC, onde essa é visualizada como um conjunto de instrumentos metodológicos
constantemente diversificado e aperfeiçoado, que faz parte, de técnicas de análises
com maior rigor e que podem ser demonstradas conforme exposição de evidências
não diretivas (Bardin, 2016).
3.2. Procedimentos de Seleção de Empresas e Coleta de Dados
A população deste estudo compreende empresas de grande porte atuantes
no Brasil que publicam relatórios de sustentabilidade ou relatórios integrados. A
amostra
é
intencional
(não
probabilística
por
tipicidade),
conforme
a
lógica
das
pesquisas
qualitativas
que
buscam
selecionar
casos
que
maximizem
a
compreensão
do
fenômeno
(Marconi;
Lakatos,
2025),
tendo
sido
definidos
dois
grupos contrastantes (Quadro 1):
107
Itelman Zoé De Brito, Ana Carina De Andrade Araujo, Késsia Ferreira Aguiar Gabriel Antônio Marcelino Xavier, Marcio
Sampaio Pimentel
DISCLOSURE
VOLUNTÁRIO E MÉTRICAS DE CONTROLADORIA AMBIENTAL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DE
PADRÕES DISCURSIVOS ASSOCIADOS AO
GREENWASHIN
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 6, n. 1, p. 98-
129, Jan./Jun., 2026.
Quadro 1 – Classificação das empresas competentes ao estudo
Grupo
A
(Empresas de Referência)
B
(
Empresas no grupo contraste
)
Organizações
●
Grande porte listada na B3;
●
Apresentam
relatórios
de
sustentabilidade
ou
integrados.
●
Grande porte não listada na B3;
●
Apresentam
relatórios
de
sustentabilidade ou integrados.
Critérios
●
Publicação
contínua
de
relatórios
de
sustentabilidade
ou integrados;
●
Evidências
de
alinhamento
a
boas
práticas
ESG
(participação
na
B3)
e
ausência
de
associações
relacionadas ao
greenwashing
na mídia de grande impacto.
●
Publicação
contínua
ou
não
de
relatórios
de
sustentabilidade
ou
integrados;
●
Presença
de
associações
relacionadas
ao
greenwashing
na
mídia de grande impacto e obtidas
por busca na
internet
no dia 11 de
abril de 2026.
Fonte: Elaborado pelos autores (2026)
.
A inclusão do estudo exigiu, para além dos procedimentos documentais
dos
relatórios
de
sustentabilidade
ou
integrados,
a
análise
das
informações
jornalísticas especializadas em mapear correspondências ou dissonâncias entre as
práticas organizacionais e o fenômeno de
greenwashing
no período delimitado e a
categorização
dos
dados
seguiu
critérios
previamente
definidos,
com
base
na
literatura,
sendo
aplicados
de
forma
sistemática
às
unidades
de
análise
selecionadas, garantindo consistência no processo de classificação.
Figura 1 – Fluxograma representativo da coleta dos dados
Fonte: Elaborado pelos autores (2026).
108
Itelman Zoé De Brito, Ana Carina De Andrade Araujo, Késsia Ferreira Aguiar Gabriel Antônio Marcelino Xavier, Marcio
Sampaio Pimentel
DISCLOSURE
VOLUNTÁRIO E MÉTRICAS DE CONTROLADORIA AMBIENTAL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DE
PADRÕES DISCURSIVOS ASSOCIADOS AO
GREENWASHIN
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 6, n. 1, p. 98-
129, Jan./Jun., 2026.
Sendo assim, a coleta dos dados foi seguida das etapas de extração dos
relatórios
de
sustentabilidade
ou
integrados
das
empresas
do
Banco
do
Brasil,
Natura, JBS, Gol e Localiza entre os anos de 2023 e 2024 configurando a Figura 1,
apresentada acima.
Além disso, foi realizada uma coleta em materiais jornalísticos seguindo o
mesmo intervalo temporal que correspondem aos critérios de classificação entre as
empresas do grupo A categorizadas como (empresas de referência), e do grupo B
indicadas como (Empresas no grupo contraste), da qual resultou no quadro 2.
Quadro 2 – Ano das matérias jornalísticas e período de coleta dos relatórios
Grupo
Ano da matéria jornalística
Período de
análise
JBS ou
cifrado
2024. https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2024/03/jbs-
enfrenta-processo-de-falso-marketing-ambiental-nos-eua-
enquanto-oposicao-a-listagem-de-acoes-cresce.shtml
2025.
https://istoedinheiro.com.br/jbs-acao-judicial-meta-climatica
2025.
https://revistaoeste.com/politica/jbs-paga-us-1-mi-em-acordo-por-
acusacoes-de-marketing-ambiental-enganoso-em-nova-york/
2025.
https://climainfo.org.br/2025/10/29/jbs-e-alvo-de-acao-judicial-nos-
eua-por-greenwashing
2026
https://g1.globo.com/df/distrito-
federal/noticia/2026/08/10/ministerio-publico-do-df-investiga-
possiveis-danos-ambientais-ao-rio-melchior.ghtml
2023 e 2026
Localiza ou
cifrado
2025.
https://idec.org.br/release/idec-notifica-gol-e-localiza-para-
prestarem-esclarecimentos-sob-suspeitas-de-greenwashing
2025.
https://pulitzercenter.org/stories/brazilian-lithium-became-carbon-
neutral-carbon-credit-project-investigated-deforestation
2023 e 2026
Gol ou
cifrado
2025.
https://www.infomoney.com.br/business/gol-e-acusada-de-induzir-
passageiros-ao-erro-com-compensacao-ambiental-sem-validade/
2025.
2023 e 2026
109
Itelman Zoé De Brito, Ana Carina De Andrade Araujo, Késsia Ferreira Aguiar Gabriel Antônio Marcelino Xavier, Marcio
Sampaio Pimentel
DISCLOSURE
VOLUNTÁRIO E MÉTRICAS DE CONTROLADORIA AMBIENTAL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DE
PADRÕES DISCURSIVOS ASSOCIADOS AO
GREENWASHIN
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 6, n. 1, p. 98-
129, Jan./Jun., 2026.
https://idec.org.br/noticia/idec-aciona-gol-na-justica-por-
greenwashing-no-programa-meu-voo-compensa
2025
https://exame.com/invest/mercados/gol-e-processada-por-
greenwashing-acao-pede-indenizacao-de-r-5-milhoes/
Natura ou
cifrados
2024.
https://www.projetodraft.com/na-contramao-do-greenwashing-a-
natura-quer-reduzir-drasticamente-suas-emissoes-de-carbono-
ate-2030-e-conta-com-a-ajuda-de-startups/
2025.
https://www.cnnbrasil.com.br/economia/negocios/ceo-da-natura-
diz-que-ampliara-metas-verdes-apesar-de-criticas-de-governos/
2026.
https://esginside.com.br/2026/02/05/natura-e-reconhecida-como-
a-empresa-de-melhor-reputacao-do-brasil-no-ranking-merco-
2025-pela-12a-vez-consecutiva
2023 e 2026
BB ou
cifrados
2024. https://www.greenpeace.org/brasil/blog/banco-do-brasil-
adere-a-demandas-do-greenpeace-sobre-credito-rural/
2025
. https://bancariosbh.org.br/conteudo/8916/bb-afirma-se-importar-
com-pautas-sociais-e-ambientais-mas-desrespeita-funcionarios-e-
financia-o-desmatamento
2025.
https://www.cnnbrasil.com.br/economia/negocios/g20-banco-do-
brasil-deve-anunciar-captacao-de-recursos-verdes-nesta-
semana-diz-vp-de-sustentabilidade-a-cnn/
2026.
https://www.broadcast.com.br/ultimas-noticias/exclusivo-bb-
promove-mudancas-em-areas-de-esg-e-de-relacoes-com-setor-
publico/
2023 e 2026
Fonte: Elaborado pelos autores (2026).
Por fim, uma consulta nos sites oficiais das referidas organizações e das
certificadoras, da qual se construiu o quadro 3, comparativo:
Quadro 3 – Comparativo das certificações organizacionais (2025-2026)
ORGANIZAÇÃO
FSC
ORGÂNICO
ISO 14001
FAIR
TRADE
ISE B3
OUTRAS
Banco do Brasil
Não
Não
Sim*
Não
Sim
(desde
2005)
Protocolo
Verde
Brasil
110
Itelman Zoé De Brito, Ana Carina De Andrade Araujo, Késsia Ferreira Aguiar Gabriel Antônio Marcelino Xavier, Marcio
Sampaio Pimentel
DISCLOSURE
VOLUNTÁRIO E MÉTRICAS DE CONTROLADORIA AMBIENTAL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DE
PADRÕES DISCURSIVOS ASSOCIADOS AO
GREENWASHIN
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 6, n. 1, p. 98-
129, Jan./Jun., 2026.
Natura
Não
Não
Sim (50%
produção)
Não
Sim
(desde
2005)
UEBT
Regenerati
va (2024)
Localiza
Não
Não
Não
documentado
Não
Não
(saiu
após
2022)
ISO 37001
Selo Ouro
EcoVadis
Gol
Não
Não
IEnvA Stage 2
(equiv. ISO
14001)
Não
Não
(2006-
2007
apenas)
ICO2 B3,
GHG
Protocol
Ouro
JBS
Não
Não
Sim (42
unidades/2024)
Não
Não
GFSI (80%
unidades)
Fonte: Elaborado pelos autores (2026).
3.3. Análise de Dados
A análise dos dados empregada pelo estudo, parte da Análise de Conteúdo
(AC), amplamente definida por Bardin (2016, p. 47) que estimula o pesquisador a
“[...] compreender o sentido da comunicação (como se fosse o receptor normal),
mas também e, principalmente, desviar o olhar para uma outra significação, uma
outra mensagem”. Permitindo, dessa maneira, uma sistematização da interferência
sobre as condições de produções narrativas das empresas.
Outrossim, com o auxílio do s
oftware
livre Iramuteq foi possível estabelecer
procedimentos
de
análise
que
conforme
Camargo,
Justo
e
Salviati
(2018)
o
Iramuteq permite realizar análise estatística ou lexicográficas, de similaridade de
conteúdo
e
estatísticas
descritivas
de
corpus
textual
que
possibilita
identificar
estruturas
subjacentes
ao
discurso
e
representações
sociais.
Destaca-se
que
estudos
dessa
abrangência,
quando
combinados,
proporcionam
produção
de
conhecimento
em
pesquisas
quantitativas
estimulando
e
aprimorando
reflexões
acerca de conhecimentos válidos e a natureza teórico-metodológica (Sousa
et al
.,
2020).
A
consistência
da
codificação
foi
assegurada
por
meio
de
revisões
iterativas dos dados e reaplicação dos critérios analíticos, buscando reduzir vieses
interpretativos
e
aumentar
a
confiabilidade
dos
resultados,
e
a
aplicação
das
categorias analíticas foi realizada por meio da leitura sistemática dos relatórios, com
identificação e classificação de trechos textuais conforme os critérios definidos. Por
exemplo, expressões como “compromisso ambiental” e “iniciativas sustentáveis”,
111
Itelman Zoé De Brito, Ana Carina De Andrade Araujo, Késsia Ferreira Aguiar Gabriel Antônio Marcelino Xavier, Marcio
Sampaio Pimentel
DISCLOSURE
VOLUNTÁRIO E MÉTRICAS DE CONTROLADORIA AMBIENTAL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DE
PADRÕES DISCURSIVOS ASSOCIADOS AO
GREENWASHIN
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 6, n. 1, p. 98-
129, Jan./Jun., 2026.
desacompanhadas de indicadores quantitativos, foram classificadas na categoria
“uso de linguagem vaga”.
Adicionalmente,
destaca-se
que
as
informações
provenientes
de
reportagens de grande circulação foram utilizadas exclusivamente como contexto
informacional
externo
para
subsidiar
a
seleção
dos
casos
analisados.
Tais
reportagens apresentam questionamentos públicos acerca de práticas ambientais
de
determinadas
organizações,
os
quais,
quando
disponíveis,
foram
acompanhados
dos
respectivos
contrapontos
apresentados
pelas
empresas.
Ressalta-se, assim, que o presente estudo não teve por objetivo verificar ou julgar
a
veracidade
dessas alegações,
limitando-se
à
análise
dos
padrões
discursivos
presentes nos relatórios corporativos.
4. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Os resultados obtidos a partir da Análise de Conteúdo - AC dos relatórios
de sustentabilidade ou integrados das empresas investigadas realizados através
do
software
Iramuteq
são
representados
em
quatro
subseções:
(i)
estatística
descritiva do corpus textual; (ii) análise da nuvem de palavras; (iii) análise fatorial
de correspondência (AFC); e (iv) análise das especificidades por empresa e ano de
coleta seguindo as codificações:
Empresa 1: BB - 2023: ano_2023a1 e 2024: 2024a2;
Empresa 2: Gol - 2023: ano_2023a3 e 2024: 2024a4;
Empresa 3: JBS - 2023: ano_2023a5 e 2024: 2024a6;
Empresa 4: Localiza - 2023: ano_2023a7 e 2024: 2024a8; e
Empresa 5: Natura - 2023: ano_2023a9 e 2024: 2024a10.
A triangulação de dados foi realizada por meio da comparação entre os
padrões
discursivos
identificados
nos
relatórios
corporativos
e
as
narrativas
veiculadas
em
reportagens
da
mídia
de
grande
circulação,
permitindo
maior
robustez na interpretação dos achados.
112
Itelman Zoé De Brito, Ana Carina De Andrade Araujo, Késsia Ferreira Aguiar Gabriel Antônio Marcelino Xavier, Marcio
Sampaio Pimentel
DISCLOSURE
VOLUNTÁRIO E MÉTRICAS DE CONTROLADORIA AMBIENTAL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DE
PADRÕES DISCURSIVOS ASSOCIADOS AO
GREENWASHIN
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 6, n. 1, p. 98-
129, Jan./Jun., 2026.
4.1. Estatística Descritiva do
Corpus
Textual
A análise dos dados permitiu identificar padrões recorrentes no
disclosure
das empresas, os quais foram organizados em categorias analíticas, possibilitando
uma interpretação comparativa entre os grupos analisados. Os dados apontados
indicam
que
a
natureza
vocabular
foi
de
0,026
demonstrando
uma
diversidade
lexical de cunho moderado, com características textuais corporativas técnicas e
com terminologia padronizada, podendo indicar muita repetição de termos. O alto
número de
hapax
indicou 34,4 % do vocabulário, evidenciando o uso de termos
técnicos específicos ao contexto corporativo (Tabela 1).
Tabela 1 – Quadro descritivo do corpus analisado
Métricas avaliadas
Valores apresentados
Número total de documentos
10
Número total de ocorrências em (
tokens
)
485.320
Número de formas únicas (
types
)
12.450
Número
de
hapax
(palavras
que
foram
apresentadas uma única vez)
4.280
Média de ocorrências por documento
48.532
Índice de riqueza vocabular
0,026
Fonte: Elaborado pelos autores (2026).
4.2. Nuvem de Palavras
Baseado na apresentação dos dados por meio da nuvem de palavras, foi
possível
identificar
que
a
nuvem
demonstrou
termos
como
“governança”,
“comunidade”, “inclusão”, “diversidade”, “colaborador” que são apresentados com
destaque
e
estabelecem
ênfase
em
termos
de
governança
e
critérios
sociais
sugerindo
uma
tendência
dos
relatórios
de
sustentabilidade
em
enfatizar
dimensões sociais e de governança em detrimento de aspectos ambientais mais
concretos (Figura 2).
Outrossim,
os termos genéricos
de
sustentabilidade
como
“sustentável”,
“programas”, “meta”, “iniciativas” predominam enquanto termos mais técnicos com
“compensação”,
“rastreabilidade”,
“provisão”,
“auditorias”,
são
visualizados
com
menor frequência. Na presença de termos ambientais foi possível visualizar as
seguintes palavras: “emissão”, “climático”, “biodiversidade”, “energia” e “renovável”,
113
Itelman Zoé De Brito, Ana Carina De Andrade Araujo, Késsia Ferreira Aguiar Gabriel Antônio Marcelino Xavier, Marcio
Sampaio Pimentel
DISCLOSURE
VOLUNTÁRIO E MÉTRICAS DE CONTROLADORIA AMBIENTAL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DE
PADRÕES DISCURSIVOS ASSOCIADOS AO
GREENWASHIN
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 6, n. 1, p. 98-
129, Jan./Jun., 2026.
estando
presentes,
embora
nem
sempre
associadas
a
métricas
concretas
de
desempenho. Segue representação abaixo.
Figura 2 – Nuvem de Palavras
Fonte: Elaborado pelos autores com uso do software Iramuteq (2026).
4.3. Análise Fatorial de Correspondência (AFC)
A
análise
fatorial
(AFC)
explica
que
existe
63,15%
da
variância
total
(34,62% está presente na dimensão 1 e 28,53% na dimensão 2), indicando uma
representação de cunho satisfatório na análise do plano fatorial (Figuras 3 e 4).
114
Itelman Zoé De Brito, Ana Carina De Andrade Araujo, Késsia Ferreira Aguiar Gabriel Antônio Marcelino Xavier, Marcio
Sampaio Pimentel
DISCLOSURE
VOLUNTÁRIO E MÉTRICAS DE CONTROLADORIA AMBIENTAL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DE
PADRÕES DISCURSIVOS ASSOCIADOS AO
GREENWASHIN
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 6, n. 1, p. 98-
129, Jan./Jun., 2026.
Figura 3 – Apresentação da análise fatorial obtida pelo Iramuteq
Fonte: Elaborado pelos autores (2026).
Baseado
nesse
segmento,
o
posicionamento
das
empresas
no
plano
fatorial da AFC revela que a empresa 1 (BB, 2023-2024) posicionada no quadrante
esquerdo, são determinadas pelos termos financeiros e de inclusão. A empresa 3
(JBS, 2023-2024) posicionados no quadrante direito indicam destaques associados
a termos operacionais e produtivos, com ênfase em “cadeia”, “produto” e “alimento”.
No
caso
da
empresa
5
(Natura,
2023-2024)
posicionada
no
quadrante
superior
esquerdo, indica-se uma associação com termos de biodiversidade e comunidade.
115
Itelman Zoé De Brito, Ana Carina De Andrade Araujo, Késsia Ferreira Aguiar Gabriel Antônio Marcelino Xavier, Marcio
Sampaio Pimentel
DISCLOSURE
VOLUNTÁRIO E MÉTRICAS DE CONTROLADORIA AMBIENTAL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DE
PADRÕES DISCURSIVOS ASSOCIADOS AO
GREENWASHIN
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 6, n. 1, p. 98-
129, Jan./Jun., 2026.
Figura 4 – Plano fatorial das empresas
Fonte: Elaborado pelos autores (2026).
4.4. Análise de Especificidades por Termo-Chave Ambiental
As
análises
de
especificidades
realizadas
pelo
Iramuteq
permitiram
identificar
quais
termos
são
característicos
(sobre-representados)
ou
ausentes
(sub-representados) em cada subcorpus (empresa/ano) em comparação ao corpus
global que resultaram em valores de termos ambientais com valores positivos e
negativos (Figuras 5, 6 e 7).
116
Itelman Zoé De Brito, Ana Carina De Andrade Araujo, Késsia Ferreira Aguiar Gabriel Antônio Marcelino Xavier, Marcio
Sampaio Pimentel
DISCLOSURE
VOLUNTÁRIO E MÉTRICAS DE CONTROLADORIA AMBIENTAL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DE
PADRÕES DISCURSIVOS ASSOCIADOS AO
GREENWASHIN
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 6, n. 1, p. 98-
129, Jan./Jun., 2026.
Figura 5 – Especificidade ESG
Fonte: Elaborado pelos autores (2026).
No caso da ESG foi verificada uma especificidade positiva para o Banco do
Brasil (2023: +0,48; 2024: +0,48) e Natura (2023: +0,35; 2024: +0,35), indicando
que
essas
empresas
do
Grupo
A
enfatizam
a
sigla
em
seus
relatórios.
Em
contraste, empresas do Grupo B (Gol, JBS, Localiza) apresentam valores negativos
ou
próximos
a
zero,
sugerindo
menor
ênfase
no
termo
"ESG"
como
marca
identitária.
Figura 6 – Especificidade Ambiental
Fonte: Elaborado pelos autores (2026).
A JBS novamente destaca-se com valores elevados de especificidade para
"ambiental"
(2023:
+1,75;
2024:
+3,35),
enquanto
empresas
do
Grupo
A
(BB
e
Natura)
apresentam
valores
próximos
a
zero
ou
ligeiramente
negativos.
Este
padrão sugere que a JBS utiliza o termo "ambiental" de forma proeminente, o que
contrasta com as denúncias de práticas operacionais inconsistentes.
117
Itelman Zoé De Brito, Ana Carina De Andrade Araujo, Késsia Ferreira Aguiar Gabriel Antônio Marcelino Xavier, Marcio
Sampaio Pimentel
DISCLOSURE
VOLUNTÁRIO E MÉTRICAS DE CONTROLADORIA AMBIENTAL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DE
PADRÕES DISCURSIVOS ASSOCIADOS AO
GREENWASHIN
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 6, n. 1, p. 98-
129, Jan./Jun., 2026.
Figura 7 – Especificidade dos gases de efeito estufa – GEE
Fonte: Elaborado pelos autores (2026).
A JBS apresenta valores elevados de especificidade para "GEE" (2023:
+3,55; 2024: +1,05), indicando ênfase discursiva nos gases de efeito estufa. Este
padrão contrasta com as denúncias de que a empresa reportou mais de 71 milhões
de toneladas de emissões em 2021 sem plano viável de neutralização.
De
forma
comparativa,
observou-se
que
as
empresas
associadas
a
alegações de
greenwashing
apresentam maior recorrência de padrões discursivos
caracterizados por imprecisão informacional, ausência de mensuração e ênfase em
compromissos
futuros,
em
contraste
com
as
empresas
de
referência,
que
evidenciam
maior
consistência,
mensurabilidade
e
transparência
no
disclosure
ambiental.
4.5. Discussão dos Resultados
Os
resultados
da
análise
de
conteúdo
via
Iramuteq
revelam
padrões
teóricos distintos entre as empresas do Grupo A (Banco do Brasil e Natura) e do
Grupo B (Gol, JBS e Localiza), evidenciando divergências entre teoria e prática
ambiental.
Esta
seção
confronta
os
achados
da
análise
computacional
com
o
software
Iramuteq
com
as
notícias
de
greenwashing
veiculadas
na
mídia
e
as
certificações ambientais documentadas, onde o confronto permitiu identificar três
padrões distintos:
Padrão 1: Conteúdo alinhado com Práticas (Natura)
●
Especificidades Iramuteq: Foco em biodiversidade e comunidades;
118
Itelman Zoé De Brito, Ana Carina De Andrade Araujo, Késsia Ferreira Aguiar Gabriel Antônio Marcelino Xavier, Marcio
Sampaio Pimentel
DISCLOSURE
VOLUNTÁRIO E MÉTRICAS DE CONTROLADORIA AMBIENTAL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DE
PADRÕES DISCURSIVOS ASSOCIADOS AO
GREENWASHIN
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 6, n. 1, p. 98-
129, Jan./Jun., 2026.
●
Denúncias: Indiretas (subsidiária);
●
Certificações: UEBT Regenerativa, ISO 14001 (50%), ISE B3; e
●
Avaliação: Baixo risco de
greenwashing.
Tomando a Natura como exemplo, observa-se que na mídia brasileira, a
empresa
vem sendo noticiada atrelada às suas ações de sustentabilidade, sem
contradições
entre
sua
comunicação
oficial,
relatórios
de
sustentabilidade
e
a
mídia. É o caso da CNN (2025), quando afirma que a Natura ampliará suas metas
de
sustentabilidade
em
um
movimento
quase
oposto
ao
de
outras
grandes
empresas, que é de retração e estagnação de seus compromissos socioambientais
em consequência dos estímulos governamentais.
Em outra citação, pelo Projeto Draft (2024), a mídia afirma que a Natura
continua
se
desenvolvendo
no
âmbito
sustentável
em
“contramão
do
greenwashing”
ao
receber
a
certificação
global
da
Voluntary
Carbon
Markets
Integrity Initiative (VCMI), sendo a segunda empresa do mundo a receber o selo.
Assim como explícito em seus relatórios de sustentabilidade, na mídia, a Natura
CO afirma estar investindo em parcerias com startups e empreendedores com foco
nas
reduções
e
compensações
de
carbono
em
comunidades
agroextrativistas
(Projeto Draft, 2024).
Nesse
mesmo
cenário,
noticiado
pela
ESGinside
(2026),
a
Natura
foi
reconhecida como a empresa de melhor reputação corporativa do Brasil, segundo
o
Ranking
Merco
Empresas
2025,
um
ranking
elaborado
de
acordo
com
as
perspectivas da sociedade, que utiliza a metodologia
multistakeholder
, abrangendo
diferentes tipos de público.
A
consistência
observada
entre
os
relatórios
de
sustentabilidade
da
empresa,
sua
comunicação
institucional
e
a
cobertura
midiática
sugere
que
a
Natura opera próxima ao papel estratégico da controladoria ambiental descrito por
Moreira, Brito e Lima (2020), Lima
et al.
(2022) e Nishitani
et al.
(2021), na medida
em que consegue comunicar sua performance sustentável de forma verificável, e
não apenas retórica. Dessa forma, demonstra utilizar sua comunicação voluntária
com caráter substantivo e estratégico, não apenas simbólico (Subramaniam
et al.
,
2023), resultando em um exemplo de baixo risco de
greenwashing
.
119
Itelman Zoé De Brito, Ana Carina De Andrade Araujo, Késsia Ferreira Aguiar Gabriel Antônio Marcelino Xavier, Marcio
Sampaio Pimentel
DISCLOSURE
VOLUNTÁRIO E MÉTRICAS DE CONTROLADORIA AMBIENTAL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DE
PADRÕES DISCURSIVOS ASSOCIADOS AO
GREENWASHIN
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 6, n. 1, p. 98-
129, Jan./Jun., 2026.
Padrão 2:
Disclosure
com Contradições Operacionais (Banco do Brasil)
●
Especificidades
Iramuteq:
Ênfase
em
verde,
renovável,
socioambientais;
●
Denúncias: Financiamento a desmatadores;
●
Certificações: ISO 14001 (parcial), ISE B3; e
●
Avaliação: Risco moderado de
greenwashing
institucionalizado.
O segundo padrão identificado pode ser exemplificado pela empresa Banco
do Brasil, que possui especificidades verdes e certificação ISE B3, não é apontado
ao
greenwashin
g
diretamente
na
mídia,
contudo,
é
citado
indiretamente
em
algumas notícias atreladas a impactos socioambientais negativos.
Como o caso da notícia que informa que a organização aderiu a demandas
da Greenpeace, principalmente no que tange ao crédito rural, desassociando os
financiamentos concedidos a indícios de desmatamento e embargos ambientais
(Greenpeace, 2025). Ao mesmo tempo em que é possível identificar notícias que
o associam ao desmatamento, como ocorre em notícia divulgada pelo Sindicato
dos Bancários (2025), que relata que o banco financiou fazendas no Pantanal que
utilizam desmatamento químico de vegetação nativa (SB, 2025).
O
direcionamento
das
notícias
na
mídia
mostra
que
o
Banco
do
Brasil
caminha em direção à sustentabilidade, incluindo mudanças de gestão nas áreas
de ESG, posicionando o banco em fóruns internacionais sobre o tema (Broadcast,
2026). A CNN Brasil (2025) noticiou mudanças em financiamentos fornecidos pelo
Banco,
que
deverá
investir
mais
em
projetos
de
“bioeconomia,
mercado
de
carbono, agricultura sustentável, energia renovável e outros” (CNN Brasil, 2025,
s/p).
Adicionalmente,
à
luz
da
Voluntary
Disclosure
Theory
(Gray,
Owen
e
Adams,
1996),
o
comportamento
do
banco
pode
ser
compreendido
como
uma
tentativa de legitimar suas operações perante a sociedade e
stakeholders
, ainda
que, conforme destacam Healy e Palepu (2001), essa divulgação não seja isenta
de
vieses,
o
que
ajuda
a
explicar
os
registros
midiáticos
contraditórios
sem
necessariamente
configurar
uma
inconsistência
deliberada.
Nesse
sentido,
as
publicações
da
mídia
durante
o
período
investigado
conversam
com
as
120
Itelman Zoé De Brito, Ana Carina De Andrade Araujo, Késsia Ferreira Aguiar Gabriel Antônio Marcelino Xavier, Marcio
Sampaio Pimentel
DISCLOSURE
VOLUNTÁRIO E MÉTRICAS DE CONTROLADORIA AMBIENTAL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DE
PADRÕES DISCURSIVOS ASSOCIADOS AO
GREENWASHIN
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 6, n. 1, p. 98-
129, Jan./Jun., 2026.
especificidades identificadas pelo
software
Iramuteq, apresentando risco moderado
de
greenwashing
institucionalizado.
Padrão
3:
Disclosure
com
discurso
com
Práticas
Inconsistentes
(Gol,
Localiza, JBS).
●
Especificidades
Iramuteq:
Ênfase
genérica
em
sustentabilidade/carbono;
●
Denúncias: Programas de compensação enganosos, ações judiciais;
●
Certificações: Limitadas ou ausentes (ISE B3); e
●
Avaliação: Alto risco de
greenwashing.
O terceiro e último padrão pode ser representado por empresas atuantes
no Brasil com alto risco de
greenwashing,
que apresentam exposição midiática em
notícias
associadas
ao
tema,
ao
mesmo
tempo
em
que
as
especificidades
identificadas
pelo
Iramuteq
identificam
ênfase
genérica
em
sustentabilidade/carbono em seus relatórios, além de não possuírem certificação
no ISE B3. Como exemplo, destacam-se as empresas Gol Linhas Aéreas, Localiza
e JBS.
A Gol, por exemplo, teve seu programa de redução de carbono chamado
de
“Meu
Voo
Compensa”
questionado
pelo
Instituto
de
Defesa
do
Consumidor
quanto à transparência e à efetividade do programa (Idec, 2025). A revista Exame
(2025) relatou que a companhia comercializava “ativos digitais ao invés de créditos
reais de carbono aos passageiros que pagavam para neutralizar suas emissões”
(Exame, 2025, s/p). A Companhia aérea afirma que suspendeu e já não estão mais
veiculando informações sobre este programa (Idec, 2025), situação que ilustra o
risco de confusão e de erosão da confiança do consumidor discutido por Chen e
Chang (2012).
No caso da Localiza, em relação ao programa Neutraliza, reportagens do
Instituto
de
Defesa
do
Consumidor
(Idec,
2025)
destacaram
questionamentos
quanto
a
“ausência
de
informações
claras
sobre
a
correlação
entre
os
valores
pagos
pelos
consumidores
e
a
quilometragem
rodada”
(Idec,
2025,
s/p).
Adicionalmente,
a
mesma
fonte
apontou
a
falta
de
detalhamento
acerca
dos
projetos
de
compensação
ambiental
apoiados
pelo
programa,
incluindo
121
Itelman Zoé De Brito, Ana Carina De Andrade Araujo, Késsia Ferreira Aguiar Gabriel Antônio Marcelino Xavier, Marcio
Sampaio Pimentel
DISCLOSURE
VOLUNTÁRIO E MÉTRICAS DE CONTROLADORIA AMBIENTAL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DE
PADRÕES DISCURSIVOS ASSOCIADOS AO
GREENWASHIN
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 6, n. 1, p. 98-
129, Jan./Jun., 2026.
informações sobre a aquisição de créditos de carbono ou mecanismos equivalentes
(Idec,
2025)
,
reforçando
o
alerta
de
Cho
e
Patten
(2013)
quanto
ao
uso
do
disclosure
ambiental como estratégia de legitimação mais do que de controladoria.
Segundo o Instituto de Defesa do Consumidor (2025), trata-se da primeira
vez, no Brasil, em que empresas são chamadas a explicar como seus programas
apresentam verossimilhança com as alegações de sustentabilidade voluntárias a
eles atribuídas. A Localiza, por sua vez, em sua página oficial, comunica que “mais
de
358mil
t
CO2
tonelada
de
GEE
compensadas,
incluindo
emissões
diretas
e
indiretas pelo Neutraliza” (Localiza, 2026).
Já a empresa JBS (JBSS3), o maior produtor de carnes do mundo, teve
seu nome associado a ação judicial nos Estados Unidos amplamente noticiada pela
mídia internacional, sofrendo alegações de comunicação climática possivelmente
enganosa movida pelo grupo ativista
Mighty Earth
. Essa não é a primeira alegação
noticiada,
“é
a
mais
recente
de
uma
série
de
processos
contra
empresas
por
alegações do chamado
greenwashing
, incluindo uma contestação bem-sucedida
em um tribunal francês” (Isto é dinheiro, 2025, s/p). Evidências na mídia indicam
que
a
JBS
tem
sido
alvo
de
crescente
de
acusações
por
possíveis
práticas
de
greenwashing
, especialmente no que se refere à credibilidade e a transparência de
seu
disclosure
ambiental. Segundo a ClimaInfo (2025), há alegações de “omissões
materiais” sobre os danos ambientais causados pelas suas operações, no entanto,
a empresa rejeita categoricamente as alegações.
Muito embora negue às acusações, notícias permanecem correlacionando
a
empresa
a
possíveis
prejuízos
ambientais.
Em
2026,
o
Ministério
Público
do
Distrito
Federal
iniciou
uma
investigação
acerca
“possíveis
danos
ambientais
causados
por
lançamento
irregular
ou
inadequado
de
resíduos
domésticos,
industriais e de chorume nos corpos hídricos do Rio Melchior”, sendo os pontos de
descarte
de
efluentes
da
unidade
industrial
da
Seara
Alimentos/JBS
parte
da
investigação (G1, 2026a, s/p). Segundo a notícia, há divergências nos relatórios de
monitoramento
apresentados.
A
alta
especificidade
discursiva
da
JBS
para
os
termos "ambiental" e "GEE" identificada pelo Iramuteq, reforçam a classificação da
empresa no padrão de alto risco de
greenwashing
, sugerindo que a ênfase textual
122
Itelman Zoé De Brito, Ana Carina De Andrade Araujo, Késsia Ferreira Aguiar Gabriel Antônio Marcelino Xavier, Marcio
Sampaio Pimentel
DISCLOSURE
VOLUNTÁRIO E MÉTRICAS DE CONTROLADORIA AMBIENTAL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DE
PADRÕES DISCURSIVOS ASSOCIADOS AO
GREENWASHIN
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 6, n. 1, p. 98-
129, Jan./Jun., 2026.
em termos ambientais não encontra correspondência em um histórico consistente
de conformidades ambientais.
Ao realizar uma comparação entre a análise fatorial de correspondência do
software
Iramuteq entre a Natura no Padrão 1 (baixo risco de
greenwashing
) com
a JBS no Padrão 3 (alto risco de
greenwashing
), percebe-se que a Natura indica
uma
associação
a
termos
como
"biodiversidade"
e
"comunidade",
reforça
seu
enquadramento
no
Padrão
1.
Já
a
JBS,
associada
a
termos
operacionais
e
produtivos como "cadeia", "produto" e "alimento", reforça seu enquadramento no
Padrão
3,
sugerindo
uma
comunicação
mais
voltada
à
eficiência
da
cadeia
produtiva do que a compromissos ambientais consistentes.
Esses achados estão alinhados à literatura (Ignatov; Rudolf, 2021; Liu
et
al.,
2024)
que
aponta
o
uso
do
disclosure
como
instrumento
simbólico
de
legitimação organizacional. A comunicação corporativa pode ser caracterizada por
apresentar compromissos ambientais ambiciosos, além de ser utilizada para mitigar
pressões
sem
necessariamente
refletir
mudanças
substantivas
nas
práticas
organizacionais, assumindo um caráter simbólico ou inconsistente (Nishitani,
et al.,
2021; Oliveira; Santos; Junior, 2022; Czesnat; Prá Netto, 2012).
4.6 Contribuições para a Controladoria Ambiental
Os resultados deste estudo oferecem contribuições para a controladoria
ambiental
ao
identificar
métricas
discursivas
que
podem
sinalizar
potenciais
práticas de
greenwashing
, conforme quadro 4 abaixo.
Quadro 4 – Métricas discursivas de Controladoria Ambiental para identificação de
Greenwashing
Métrica
Descrição Operacional
Indicador de Alerta (
Greenwashing
)
Índice
de
Ênfase
Discursiva
Razão
entre
a
frequência
de
termos
genéricos
(sustentabilidade,
ambiental)
e
termos
específicos
(renovável,
rastreabilidade, auditoria).
Elevada
vagueza
comunicacional
e
falta de dados concretos.
Incoerência
Temporal
Variações
abruptas
e
sazonais
nas
especificidades
textuais
entre
os
anos
avaliados.
Quedas drásticas de índices (ex: JBS
em
"climático"
de
+0,45
para
-0,75),
sugerindo reação a denúncias.
Alinhamento
com
Certificações
Grau de correlação entre o discurso dos
relatórios
e
a
obtenção
de
selos
reconhecidos.
Ausência de correlação com índices e
normas oficiais (ISE B3, ISO 14001),
indicando inconsistências.
Fonte: Dados da pesquisa (2026).
123
Itelman Zoé De Brito, Ana Carina De Andrade Araujo, Késsia Ferreira Aguiar Gabriel Antônio Marcelino Xavier, Marcio
Sampaio Pimentel
DISCLOSURE
VOLUNTÁRIO E MÉTRICAS DE CONTROLADORIA AMBIENTAL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DE
PADRÕES DISCURSIVOS ASSOCIADOS AO
GREENWASHIN
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 6, n. 1, p. 98-
129, Jan./Jun., 2026.
Estas
métricas,
combinadas
com
análises
das
notícias
na
mídia
e
auditorias
de
certificações,
podem
compor
um
sistema
de
alerta
para
padrões
discursivos associados ao
greenwashing
em relatórios corporativos, dessa forma,
caminhar para que cumpram seu papel formal de ser um instrumento estratégico
de gestão e transparência (Moreira; Brito; Lima, 2020).
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O
presente
estudo
contribui
para
a
literatura
ao
propor
uma
operacionalização
empírica
voltada
à
identificação
de
padrões
discursivos
associados ao
greenwashing
. A partir da aplicação de métricas de controladoria
ambiental e da análise documental dos relatórios corporativos processados pelo
software Iramuteq, foi possível identificar padrões discursivos que podem sinalizar
potenciais indícios de
greenwashing
.
Os resultados evidenciaram que, embora haja um avanço quantitativo na
publicação
de
relatórios
de
sustentabilidade,
a
qualidade
substantiva
das
informações permanece heterogênea. Empresas do Grupo A (Banco do Brasil e
Natura)
apresentaram
maior
alinhamento
entre
compromissos
declarados
e
métricas concretas, reforçando a credibilidade de suas práticas. Em contrapartida,
empresas do Grupo B (Gol, Localiza e JBS) sugerem padrões teóricos que, à luz
da
literatura
especializada,
podem
ser
interpretados
como
sinais
analíticos
compatíveis com tipologias associadas ao
greenwashing
.
A
análise
via
Iramuteq
demonstrou
ser
uma
ferramenta
valiosa
para
identificar
padrões,
especialmente
quando
combinada
com
o
confronto
de
denúncias
externas
e
certificações
ambientais.
A
técnica
de
especificidades
permitiu quantificar a ênfase dada a termos ambientais, revelando que empresas
com denúncias de
greenwashing
tendem a apresentar especificidades elevadas
para
termos
genéricos
("sustentabilidade",
"ambiental")
e
baixas
para
termos
específicos ("renovável", "rastreabilidade").
Foi possível inferir três tipos de padrões relacionados ao
disclosure e
ao
greenwashing
: o conteúdo do
disclosure
alinhado à prática que indica baixo risco
de
greenwashing
;
disclosure
com
contradições
operacionais
indicando
risco
moderado
de
greenwashing
institucionalizado;
e
disclosure
com
discurso
com
124
Itelman Zoé De Brito, Ana Carina De Andrade Araujo, Késsia Ferreira Aguiar Gabriel Antônio Marcelino Xavier, Marcio
Sampaio Pimentel
DISCLOSURE
VOLUNTÁRIO E MÉTRICAS DE CONTROLADORIA AMBIENTAL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DE
PADRÕES DISCURSIVOS ASSOCIADOS AO
GREENWASHIN
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 6, n. 1, p. 98-
129, Jan./Jun., 2026.
práticas inconsistentes e certificações ausentes ou limitadas indicando alto risco de
greenwashing.
Esses achados destacam a necessidade de maior rigor regulatório e de
métricas
comparativas
que
permitam
avaliar
a
fidedignidade
das
informações
divulgadas, que sejam capazes de reduzir a assimetria informacional e fortalecer a
confiança dos stakeholders.
Como contribuição, este estudo propõe auxiliar pesquisadores, reguladores
e
investidores
quanto
às
métricas
discursivas
identificadas
(índice
de
ênfase,
coerência temporal, alinhamento com certificações) que oferecem um framework
preliminar para análise automatizada de grandes volumes de textos corporativos.
No contexto da controladoria organizacional, contribui, principalmente sinalizando
potenciais
práticas
de
greenwashing:
Índice
de
ênfase
discursiva;
Incoerência
temporal; e Alinhamento com certificações.
Contudo, reconhecem-se como limitações o recorte amostral intencional e
a
dependência
de
fontes
documentais
e
midiáticas,
o
que
pode
restringir
a
generalização dos resultados. Outra limitação reside na natureza textual da análise
Iramuteq, que não captura inconsistências entre discurso e prática operacional não
documentadas nos relatórios.
Em síntese, conclui-se que o avanço da transparência ambiental no Brasil
depende não apenas da expansão do
disclosure
voluntário, mas, sobretudo, da
consistência
e
verificabilidade
das
informações,
de
modo
a
transformar
a
comunicação
socioambiental
em
instrumento
efetivo
de
sustentabilidade
corporativa.
Pesquisas
futuras
podem
ampliar
a
amostra
analisada,
bem
como
incorporar técnicas automatizadas de análise textual e abordagens quantitativas
para aprofundar a identificação de padrões associados ao
greenwashing
.
REFERÊNCIAS
BALDI, F.; PANDIMIGLIO, A. The role of ESG scoring and greenwashing risk in
explaining the yields of green bonds: a conceptual framework and an econometric
analysis.
Global
Finance
Journal
,
v.
52,
p.
100711,
2022.
Disponível
em:
https://doi.org/10.1016/j.gfj.2022.100711. Acesso em: 10 abr. 2026.
125
Itelman Zoé De Brito, Ana Carina De Andrade Araujo, Késsia Ferreira Aguiar Gabriel Antônio Marcelino Xavier, Marcio
Sampaio Pimentel
DISCLOSURE
VOLUNTÁRIO E MÉTRICAS DE CONTROLADORIA AMBIENTAL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DE
PADRÕES DISCURSIVOS ASSOCIADOS AO
GREENWASHIN
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 6, n. 1, p. 98-
129, Jan./Jun., 2026.
BANCO DO BRASIL.
Mudanças em áreas de ESG e setor público
. São Paulo:
Broadcast,
05
fev.
2026.
Disponível
em:
broadcast.com.br.
Acesso
em:
11
abr.
2026.
BARDIN, L.
Análise de conteúdo
. São Paulo: Edições 70, 2016.
BRAGA
JUNIOR,
S.
S.
et
al
.
Greenwashing:
conceituação,
contextualização
e
perspectivas de pesquisa.
Revista Brasileira de Gestão de Negócios
, São Paulo,
v. 18, n. 59, p. 110-125, jan./mar. 2016.
BRAGA JUNIOR, S. S.
et al
. True or false: consumer perception to green consumer
retail.
Revista Brasileira de Marketing
, v. 15, n. 3, p. 390–400, 2016.
BRASIL.
Orientações para sustentabilidade empresarial
. Brasília, DF: Ministério
do
Meio
Ambiente,
2025.
Disponível
em:
https://www.gov.br/mj/pt-
br/assuntos/noticias/greenwashing-entenda-o-que-e-e-aprenda-a-se-defender-de-
propagandas-falsas. Acesso em: 11 abr. 2026.
CAMARGO,
B.
Z.;
JUSTO,
A.
M.
Tutorial
para
uso
do
software
IRAMUTEQ.
Laboratório de Psicologia Social da Comunicação e Cognição
. Santa Catarina:
UFSC, v. 2, p. 1-74, 2018.
CHEN,
T.
B.;
CHAI,
L.
T.
Attitude
towards
environment
and
green
products:
Consumers perspective.
Management Science and Engineering
, v. 4, n. 2, p. 27-
39, 2010.
CHEN, Y. S.; CHANG, C. H. Greenwash and green trust: The mediation effects of
green consumer confusion and green perceived risk.
Journal of Business Ethics
,
v. 114, n. 3, p. 489-500, 2012.
CHO,
C.
H.;
PATTEN,
D.
M.
Corporate
disclosure
of
environmental
capital
expenditures: A test of legitimacy theory.
Accounting, Auditing & Accountability
Journal
, v. 26, n. 4, p. 491-507, 2013.
CLIMAINFO.
JBS é alvo de ação judicial nos EUA por greenwashing
. Brasília,
DF: ClimaInfo, 29 out. 2025. Disponível em: climainfo.org.br. Acesso em: 11 abr.
2026.
CNN
BRASIL.
G20:
Banco
do
Brasil
deve
anunciar
captação
de
recursos
verdes
nesta
semana,
diz
VP
.
São
Paulo:
CNN
Brasil,
2025.
Disponível
em:
cnnbrasil.com.br. Acesso em: 11 abr. 2026.
CNN BRASIL.
CEO da Natura diz que ampliará metas verdes apesar de críticas
de
governos
.
São
Paulo:
CNN
Brasil,
2025.
Disponível
em:
cnnbrasil.com.br.
Acesso em: 11 abr. 2026.
DELMAS,
M.
A.;
BURBANO,
V.
C.
The
drivers
of
greenwashing.
California
Management Review
, v. 54, n. 1, p. 64-87, 2011.
126
Itelman Zoé De Brito, Ana Carina De Andrade Araujo, Késsia Ferreira Aguiar Gabriel Antônio Marcelino Xavier, Marcio
Sampaio Pimentel
DISCLOSURE
VOLUNTÁRIO E MÉTRICAS DE CONTROLADORIA AMBIENTAL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DE
PADRÕES DISCURSIVOS ASSOCIADOS AO
GREENWASHIN
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 6, n. 1, p. 98-
129, Jan./Jun., 2026.
ESG INSIDE.
Natura é reconhecida como a empresa de melhor reputação do
Brasil no ranking Merco 2025
. São Paulo: ESG Inside, 05 fev. 2026. Disponível
em: esginside.com.br. Acesso em: 11 abr. 2026.
FERREIRA,
A.
M.;
GONZALES,
R.
M.
Mensuração
dos
custos
e
benefícios
ambientais:
um
estudo
de
caso
em
uma
empresa
do
setor
eletroeletrônico.
Advances in Scientific and Technological Research
, v. 9, n. 2,
p. 101-110, 2015.
FOLHA DE S. PAULO.
JBS enfrenta processo de falso marketing ambiental
nos EUA
. São Paulo: Folha de S. Paulo, 2024. Disponível em: uol.com.br. Acesso
em: 11 abr. 2026.
G1, globo.com.
Ministério Público do DF investiga possíveis danos ambientais
ao
Rio
Melchior
.
Brasil,
2026a.
Disponível
em:
https://g1.globo.com/df/distrito-
federal/noticia/2026/08/10/ministerio-publico-do-df-investiga-possiveis-danos-
ambientais-ao-rio-melchior.ghtml. Acesso em: 11 set. 2026.
GAVER, J. J.; GAVER, K. M. Additional evidence on the association between the
investment
opportunity
set
and
corporate
voluntary
disclosure.
Journal
of
Accounting and Economics
, v. 16, n. 1-3, p. 125-139, 1993.
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
GRAY, R.; OWEN, D.; ADAMS, C.
Accounting & accountability
: Changes and
challenges
in
corporate
social
and
environmental
reporting.
Hemel
Hempstead:
Prentice Hall, 1996.
GREENPEACE BRASIL.
Banco do Brasil adere a demandas do Greenpeace
sobre crédito rural
. Manaus: Greenpeace, 2024. Disponível em: greenpeace.org.
Acesso em: 11 abr. 2026.
HEALY, P. M.; PALEPU, K. G. Information asymmetry, corporate disclosure, and
the
capital
markets:
A
review
of
the
empirical
disclosure
literature.
Journal
of
Accounting and Economics
, v. 31, n. 1-3, p. 405-440, 2001.
IDEC - INSTITUTO DE DEFESA DO CONSUMIDOR.
Idec notifica Gol e Localiza
para prestarem esclarecimentos sob suspeitas de greenwashing
. São Paulo:
IDEC, 2025. Disponível em: idec.org.br. Acesso em: 11 abr. 2026.
IDEC - INSTITUTO DE DEFESA DO CONSUMIDOR.
Idec aciona Gol na justiça
por greenwashing no programa Meu Voo Compensa
. São Paulo: IDEC, 2025.
Disponível em: idec.org.br. Acesso em: 11 abr. 2026.
IGNATOV,
Konstantin;
RUDOLF,
Markus.
Sentimental
sustainability:
does
what
companies say tell more than what companies do?
Financial Markets, Institutions
& Instruments -Wiley
, 2021.
127
Itelman Zoé De Brito, Ana Carina De Andrade Araujo, Késsia Ferreira Aguiar Gabriel Antônio Marcelino Xavier, Marcio
Sampaio Pimentel
DISCLOSURE
VOLUNTÁRIO E MÉTRICAS DE CONTROLADORIA AMBIENTAL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DE
PADRÕES DISCURSIVOS ASSOCIADOS AO
GREENWASHIN
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 6, n. 1, p. 98-
129, Jan./Jun., 2026.
INFOMONEY.
Gol
é
acusada
de
induzir
passageiros
ao
erro
com
compensação ambiental sem validade
. São Paulo: InfoMoney, 2025. Disponível
em: infomoney.com.br. Acesso em: 11 abr. 2026.
ISTO É DINHEIRO.
JBS enfrenta ação judicial por meta climática
. São Paulo:
Editora Três, 2025. Disponível em: istoedinheiro.com.br. Acesso em: 11 abr. 2026.
LIMA, B. A. N.; VIEIRA, J. S.; PAIVA, K. M.; GERVÁSIO, L. G.; GUALBERTO, C.
G.
The
benefits
of
controlling
and
governance
in
public
administration.
Revista
Recifaqui
, v. 1, n. 12, 2022.
LIU,
G.;
QIAN,
H.;
SHI;
Y.
ZHANG,
Y.;
WU
F.
(2024)
Does
ESG
report
greenwashing
increase
stock
price
crash
risk?
China
Journal
of
Accounting
Studies
. 12:3, 615-639, 2024. DOI: 10.1080/21697213.2024.2303070. Acesso em:
10 abr. 2026.
LOCALIZA.
Sustentabilidade
.
Disponível
em:
https://ri.localiza.com/sustentabilidade/. Acesso em: ago. 2026.
LYON,
T.
P.;
MONTGOMERY,
A.
W.
The
corporate
social
responsibility
(CSR)
information revolution.
Organizational Dynamics
, v. 44, n. 4, p. 247-256, 2015.
MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M.
Metodologia Científica
. 8. ed. Rio de Janeiro:
Atlas,
2022.
E-book.
p.
31.
ISBN
9786559770670.
Disponível
em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786559770670/
Acesso
em: 17 nov. 2025.
MOREIRA,
R.
S.;
BRITO,
E.
J.;
LIMA,
R.
A.
A
importância
da
contabilidade
ambiental
para
as
empresas.
Revista
de
Administração
e
Negócios
da
Amazônia
, v. 12, n. 1, p. 60-77, 2020.
NISHITANI,
K.;
UNERMAN,
J.;
KOKUBU,
K.
Motivations for
voluntary
corporate
adoption of integrated reporting: A novel context for comparing voluntary disclosure
and legitimacy theory.
Journal of Cleaner Production
, v. 322, 2021. Disponível
em: https://doi.org/10.1016/j.jclepro.2021.129027. Acesso em: 10 abr. 2026.
NOSSA,
V.
Disclosure
ambiental
:
uma
análise
do
conteúdo
dos
relatórios
ambientais de empresas do setor de papel e celulose em nível internacional. 2002.
246
p.
Tese
(Doutorado
em
Controladoria
e
Contabilidade)
–
Faculdade
de
Economia, Administração e Contabilidade, Universidade de São Paulo, São Paulo,
2002.
OLIVEIRA, A. S.; SANTOS, M. de. P. C.; JUNIOR, P. B. Legitimação Corporativa e
a
Qualidade
de
Disclosure
Socioambiental.
Revista
Evidenciação
Contábil
&
Finanças
,
10(1),
89–104.
2022.
https://doi.org/10.22478/ufpb.2318-
1001.2022v10n1.5634.
CZESNAT, A. O.; PRA NETTO, D. D. Legitimação na evidenciação de informações
socioambientais entre as empresas de telecomunicações listadas na BOVESPA.
128
Itelman Zoé De Brito, Ana Carina De Andrade Araujo, Késsia Ferreira Aguiar Gabriel Antônio Marcelino Xavier, Marcio
Sampaio Pimentel
DISCLOSURE
VOLUNTÁRIO E MÉTRICAS DE CONTROLADORIA AMBIENTAL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DE
PADRÕES DISCURSIVOS ASSOCIADOS AO
GREENWASHIN
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 6, n. 1, p. 98-
129, Jan./Jun., 2026.
BASE - Revista de Administração e Contabilidade da Unisinos
, v. 9, n. 3, p.
291–305, 2012.
PARGUEL, B.
et al
. How corporate green marketing practices affect perceptions of
credibility and attitudes toward the organization.
Journal of Business Ethics
, v.
104, n. 2, p. 247-263, 2011.
PAULA, D. D.; ROSA, M. C.; FEIL, A. A. Benefícios e dificuldades na utilização da
contabilidade
ambiental:
revisão
sistemática
da
literatura
no
Brasil.
Revista
Destaques
Acadêmicos
,
v.
16,
n.
1,
p.
41-55,
2024.
DOI:
https://dx.doi.org/10.22410/issn.2176-3070.v16i1a2024.3714.
POPE, S.; WÆRAAS, A. CSR-washing is rare: A conceptual framework of CSR,
greenwashing, and CSR-washing.
Journal of Business Ethics
, v. 137, n. 1, p. 173-
193, 2016.
PROJETO
DRAFT.
Na
contramão
do
greenwashing,
a
Natura
quer
reduzir
drasticamente
suas
emissões
de
carbono
até
2030
.
São
Paulo:
Draft,
2024.
Disponível em: projetodraft.com. Acesso em: 11 abr. 2026.
PULITZER
CENTER.
Brazilian
lithium
became
carbon
neutral
:
carbon
credit
project
investigated
deforestation.
Washington,
D.C.:
Pulitzer
Center,
2025.
Disponível em: pulitzercenter.org. Acesso em: 11 abr. 2026.
REVISTA
EXAME.
Gol
é
processada
por
greenwashing;
ação
pede
indenização
de
R$
5
milhões
.
São
Paulo:
Exame,
2025.
Disponível
em:
exame.com. Acesso em: 11 abr. 2026.
REVISTA OESTE.
JBS paga US$ 1 mi em acordo por acusações de marketing
ambiental
enganoso
em
Nova
York
.
São
Paulo:
Oeste,
2025.
Disponível
em:
revistaoeste.com. Acesso em: 11 abr. 2026.
SAMPIERRE, R. H.; COLLADO, C. F.; LUCIO, M. P. B.
Metodologia de pesquisa
.
6. ed. Porto Alegre: Penso, 2025.
(Nota: ajustado para a edição padrão em língua
portuguesa).
SCHALTEGGER, S.; BURRITT, R. G.
Contemporary environmental accounting
:
issues, concepts and practice. Sheffield: Greenleaf Publishing, 2000.
SIANO,
A.
et
al.
More
than
words:
Expanding
the
taxonomy
of
greenwashing.
Journal of Business Research
, v. 71, p. 27-37, 2017.
SILVA, A. L. C. D.
et al
. Influência da auditoria externa na divulgação ambiental de
empresas listadas na BM&FBovespa.
Advances in Scientific and Technological
Research
, v. 8, n. 1, p. 1-15, 2014.
SILVA,
M.
N.
et
al
.
Determinantes
do
Disclosure
Ambiental
nos
relatórios
de
empresas listadas na Bovespa.
Revista Ambiental Contábil
, v. 7, n. 2, jul./dez.
2015.
129
Itelman Zoé De Brito, Ana Carina De Andrade Araujo, Késsia Ferreira Aguiar Gabriel Antônio Marcelino Xavier, Marcio
Sampaio Pimentel
DISCLOSURE
VOLUNTÁRIO E MÉTRICAS DE CONTROLADORIA AMBIENTAL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DE
PADRÕES DISCURSIVOS ASSOCIADOS AO
GREENWASHIN
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 6, n. 1, p. 98-
129, Jan./Jun., 2026.
SINDICATO DOS BANCÁRIOS DE BELO HORIZONTE E REGIÃO.
BB afirma se
importar com pautas sociais e ambientais, mas desrespeita funcionários e
financia
o
desmatamento
.
Belo
Horizonte:
SEEB-BH,
2025.
Disponível
em:
bancariosbh.org.br. Acesso em: 11 abr. 2026.
SOUSA, Y. S.; GONDIM, S. M. G.; CARIAS, I. A.; BATISTA, J. S.; MACHADO, K.
C. M. O uso do software Iramuteq na análise de dados de entrevistas.
Pesquisa e
Práticas Psicossociais
, v. 15. São João, 2020.
SOUZA, M. A. R.; WALL, M. L.; THULER, A. C. M. C.;
et al
. O uso do software
IRAMUTEQ na análise de dados em pesquisas qualitativas.
Revista da Escola de
Enfermagem
da
USP
,
v.
52,
n.
0,
2018.
Disponível
em:
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-
62342018000100444&lng=pt&tlng=pt>. Acesso em: 13 abr 2026.
SUBRAMANIAM,
N.;
AKBAR,
S.;
SITU,
H.;
JI,
S.;
PARIKH,
N.
Sustainable
development goal reporting: contrasting effects of institutional and organisational
factors.
Journal of Cleaner Production
, 2023.
TERRACHOICE.
The
Sins
of
Greenwashing
:
Home
and
family
edition.
Philadelphia: TerraChoice Environmental Marketing, 2010.
XU,
D.;
LEI,
S.;
TANG,
C.-H.
Environmental
enforcement
actions,
greenwashing, and stock price crash risk
: evidence from Chinese listed firms.
Frontiers
in
Environmental
Science,
v.
14,
e1870410,
2026.
DOI:
https://doi.org/10.3389/fenvs.2026.1870410. Acesso em: 1 set 2026.