ALÉM DA EFICIÊNCIA: POR QUE PROGRAMAS FEDERAIS DE  
TRANSFERÊNCIA DE RENDA NÃO REDUZEM A DESIGUALDADE NO  
BRASIL?1  
BEYOND EFFICIENCY: WHY FEDERAL INCOME TRANSFER PROGRAMS  
DON'T REDUCE INEQUALITY IN BRAZIL?  
PRESLINE BLUM  
Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT)  
E-mail: presline.blum@gmail.com  
FELIPE STORCH DAMASCENO  
FUCAPE Business School  
E-mail: fdamasceno@fucape.br  
RESUMO  
Este estudo analisa a eficiência técnica e de escala dos programas federais de transferência de  
renda no Brasil Bolsa Família, Auxílio Emergencial, Auxílio Brasil e Novo Bolsa Família. A presente  
pesquisa adota uma abordagem longitudinal, considerando uma série temporal compreendida entre  
os anos de 2014 e 2024, o que possibilita a análise da evolução dos indicadores e a identificação  
de tendências ao longo do período investigado, utilizando Análise Envoltória de Dados (DEA) e  
modelos econométricos em painel, com unidade de análise estado-ano. Os resultados indicam que,  
embora a maioria dos estados apresente elevada eficiência técnica pura, persistem perdas  
relevantes de eficiência de escala, sugerindo que a principal fonte de ineficiência está no  
dimensionamento dos programas às realidades territoriais e institucionais, e não em falhas  
gerenciais. No plano distributivo, observa-se que maior eficiência técnica do Programa Bolsa Família  
se associa a um leve aumento do Índice de Gini, evidenciando os limites redistributivos de políticas  
focalizadas diante de desigualdades estruturais persistentes. O Auxílio Emergencial, por sua vez,  
destacou-se pela elevada eficiência relativa, associada ao desenho institucional simplificado e à  
rápida ampliação da cobertura durante a pandemia. As estimações econométricas confirmam que  
o desemprego é o fator estrutural mais fortemente associado à desigualdade de renda, superando  
o efeito da eficiência técnica dos programas. Em conjunto, os resultados indicam que a efetividade  
distributiva dessas políticas depende menos da eficiência micro gerencial e mais do adequado ajuste  
de escala, do contexto institucional e das condições do mercado de trabalho, oferecendo subsídios  
para o aprimoramento das políticas de proteção social no Brasil.  
Palavras-chave: Transferência de Renda; Avaliação de Políticas Públicas; Proteção Social;  
Enfrentamento da Pobreza; Brasil.  
ABSTRACT  
This study analyzes the technical and scalability efficiency of Brazilian federal income transfer  
programs Bolsa Família, Auxílio Emergencial, Auxílio Brasil, and Novo Bolsa Família. This research  
adopts a longitudinal approach, considering a time series between 2014 and 2024, which allows for  
the analysis of the evolution of indicators and the identification of trends throughout the investigated  
1 DOI: https://doi.org/10.5935/2763-9673.20250009  
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 5, n. 2, p. 54-  
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period, using Data Envelopment Analysis (DEA) and panel econometric models, with the state-year  
unit of analysis. The results indicate that, although most states present high pure technical efficiency,  
significant losses in scalability efficiency persist, suggesting that the main source of inefficiency lies  
in the sizing of the programs to territorial and institutional realities, and not in managerial failures. In  
terms of distribution, it is observed that greater technical efficiency of the Bolsa Família Program is  
associated with a slight increase in the Gini Index, highlighting the redistributive limits of targeted  
policies in the face of persistent structural inequalities. The Emergency Aid program, in turn, stood  
out for its high relative efficiency, associated with its simplified institutional design and rapid  
expansion of coverage during the pandemic. Econometric estimates confirm that unemployment is  
the structural factor most strongly associated with income inequality, surpassing the effect of the  
technical efficiency of the programs. Taken together, the results indicate that the distributive  
effectiveness of these policies depends less on micro-managerial efficiency and more on the  
appropriate adjustment of scale, the institutional context, and labor market conditions, offering  
subsidies for the improvement of social protection policies in Brazil.  
Keywords: Income Transfer; Public Policy Evaluation; Social Protection; Poverty Reduction; Brazil.  
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1. INTRODUÇÃO  
Os programas federais de transferência de renda Programa Bolsa Família  
(PBF), Auxílio Emergencial (AE), Auxílio Brasil (AB) e Novo Bolsa Família (NBF)  
constituem o principal eixo da política brasileira de enfrentamento da pobreza e da  
vulnerabilidade social (Medeiros, 2007). Desde a institucionalização do Bolsa  
Família em 2003, essas iniciativas têm contribuído de forma consistente para a  
redução da pobreza extrema e a melhoria de indicadores de saúde e educação,  
especialmente entre populações de baixa renda (Osório et al., 2019; Fundação  
Osvaldo Cruz, 2025).  
Entre 2020 e 2024, o sistema de transferência de renda passou por  
mudanças institucionais relevantes (Sordi, 2023). O Auxílio Emergencial promoveu  
uma expansão sem precedentes da proteção social durante a pandemia da COVID-  
19 (Unicef, 2020), enquanto o Auxílio Brasil introduziu alterações no desenho do  
programa, nos critérios de elegibilidade e nas condicionalidades (Sordi, 2021). A  
partir de 2023, o Novo Bolsa Família restabeleceu e atualizou os mecanismos de  
acompanhamento familiar, configurando um período marcado por elevada  
heterogeneidade institucional e operacional entre os estados brasileiros (Instituto  
de Pesquisa Econômica Aplicada-IPEA, 2025).  
Nesse contexto, torna-se central avaliar não apenas os impactos sociais  
desses programas, mas também a eficiência técnica com que os estados  
transformam recursos públicos em resultados sociais observáveis. Em sistemas  
federativos marcados por desigualdades regionais, as variações na capacidade  
administrativa, na escala populacional e nas condições socioeconômicas dos entes  
subnacionais resultam em níveis distintos de desempenho na implementação de  
políticas públicas, refletindo limitações institucionais e assimetrias estruturais  
(Arretche, 2012; Abrucio, 2005; Evans, 1995).  
A distribuição de renda constitui desafio estrutural da economia brasileira,  
fundamentalmente enraizada em processos ex-ante de geração de renda  
(Medeiros, 2007; Neri, 2020). A desigualdade é multidimensional, refletindo-se em  
elevadas taxas de analfabetismo funcional, informalidade (aproximadamente 40%  
da força de trabalho) e concentração de ativos (Arretche, 2012; Lotta, 2021).  
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Historicamente enraizada em processos coloniais, intensifica-se durante ciclos de  
desemprego (Neri, 2020). Políticas de transferência de renda como Bolsa Família  
e Auxílio Emergencial emergiram como instrumentos centrais de proteção social  
(Souza et al., 2019), embora sua capacidade de alterar a desigualdade agregada  
permaneça limitada, pois não alteram processos ex-ante de geração de renda  
(Medeiros, 2007). O desemprego é o principal determinante estrutural da  
desigualdade, superando a eficiência técnica de qualquer programa isolado (Neri,  
2020; Brollo et al., 2024).  
O objetivo deste estudo é avaliar a eficiência técnica e de escala dos  
programas federais de transferência de renda nos estados brasileiros, no período  
de 2014 a 2024, e analisar a associação entre essa eficiência e a desigualdade de  
renda. Para isso, adota-se a Análise Envoltória de Dados (DEA), que permite  
mensurar a eficiência relativa das unidades federativas considerando múltiplos  
insumos e resultados, distinguindo ineficiências gerenciais de problemas  
associados à escala de operação. Em uma segunda etapa, os escores de eficiência  
são utilizados em modelos econométricos de dados em painel, tendo o Índice de  
Gini como variável explicada.  
A questão que orienta a pesquisa é: em que medida os estados brasileiros  
diferem na capacidade de transformar recursos e mecanismos de implementação  
dos programas de transferência de renda em resultados sociais, e quais fatores  
explicam essas diferenças ao longo do tempo? Ao responder a essa questão, o  
estudo pode contribuir para o debate sobre eficiência no gasto social, destacando  
os limites das políticas focalizadas frente a desigualdades estruturais persistentes  
e oferecendo subsídios para o aprimoramento da governança e do  
dimensionamento das políticas de proteção social no Brasil.  
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA  
2.1 Eficiência dos Gastos Públicos e Análise de Desempenho  
A eficiência do gasto público refere-se à capacidade do Estado de converter  
recursos disponíveis (inputs) em resultados sociais observáveis (outputs),  
minimizando desperdícios e maximizando o desempenho relativo das políticas  
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públicas. No campo da economia do setor público, a eficiência técnica corresponde  
à obtenção do maior nível possível de resultados dado um conjunto fixo de recursos  
(Farrell, 1957).  
Em contextos de restrição fiscal e elevada demanda social, a mensuração  
da eficiência torna-se central para a gestão pública orientada a resultados. Entre os  
métodos quantitativos disponíveis, destaca-se a Análise Envoltória de Dados (Data  
Envelopment Analysis DEA), amplamente utilizada na avaliação de desempenho  
do setor público por permitir a comparação relativa de unidades decisórias a partir  
de múltiplos inputs e outputs, sem imposição de forma funcional paramétrica (Coelli  
et al., 2005).  
A DEA é particularmente adequada à análise de políticas sociais, dada a  
natureza multidimensional de seus resultados. Contudo, a literatura aponta  
limitações relevantes, como a sensibilidade à escolha das variáveis e a ausência  
de tratamento explícito do erro estatístico, o que exige cautela interpretativa e o uso  
de técnicas complementares, como a correção de viés por bootstrap (Simar;  
Wilson, 2007). Nesse estudo, a eficiência é tratada estritamente como eficiência  
técnica relativa, não sendo equivalente à efetividade distributiva agregada nem  
implicando inferência causal direta.  
2.2 Políticas Públicas, Governança e uso Eficiente de Recursos  
O desempenho das políticas públicas depende menos de sua formulação  
normativa e mais da capacidade dos governos de transformar diretrizes em  
resultados concretos, processo condicionado por fatores institucionais,  
administrativos e organizacionais. A literatura sobre capacidades estatais enfatiza  
que a implementação, o monitoramento e a avaliação das políticas são  
determinantes centrais de seu desempenho (Evans, 1995; Arretche, 2012).  
A governança pública, entendida como coordenação, responsabilização e  
transparência (Hood, 1991; Nascimento, 2017), é particularmente desafiadora em  
federalismos  
complexos  
como  
o
brasileiro  
(Arretche,  
2012),  
onde  
heterogeneidades institucionais afetam a implementação de políticas (Abrucio,  
2005; Lotta, 2021). No caso das transferências de renda, a eficiência técnica  
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depende de capacidades administrativas locais (Evans, 1995), coordenação  
intersetorial (Abrucio, 2005) e qualidade de sistemas de informação (Nascimento,  
2017).  
2.3 Programas de Transferência de Renda e Eficiência Distributiva  
Os programas de transferência de renda consolidaram-se como eixo  
central das estratégias de enfrentamento da pobreza no Brasil. O Programa Bolsa  
Família, ao articular transferências monetárias e condicionalidades, produziu  
efeitos consistentes na redução da pobreza extrema e na melhoria de indicadores  
de saúde e educação (Souza et al., 2019; Ichirara et al., 2018). Entretanto, a  
literatura destaca que políticas focalizadas apresentam limitações estruturais para  
alterar padrões agregados de desigualdade, particularmente quando desemprego  
e fatores macroeconômicos permanecem como determinantes estruturais não  
endereçados (Neri, 2020; Sordi, 2023).  
Em economias com elevada concentração de renda, programas eficientes  
no combate à pobreza extrema tendem a produzir efeitos marginais sobre o Índice  
de Gini2, cuja sensibilidade é maior nos estratos superiores da distribuição (Lustig,  
2016; Kerstenetzky, 2016). Assim, eficiência técnica em nível micro não se traduz  
automaticamente em eficiência distributiva macro.  
Evidências empíricas corroboram esse diagnóstico ao apontar impactos  
relevantes sobre escolarização (Brauw; Gilligan, 2016) e saúde infantil (Ichirara et  
al., 2018; Fiocruz, 2025), mas efeitos modestos sobre desigualdade agregada  
(Souza et al., 2019). Estudos internacionais reforçam essa conclusão, indicando  
que embora políticas focalizadas sejam efetivas em reduzir pobreza extrema,  
apresentam limitações estruturais para alterar padrões de desigualdade de longo  
prazo,  
particularmente  
quando  
determinantes  
macroeconômicos  
como  
desemprego permanecem não endereçados (Medeiros, 2007; Neri, 2020; Brollo et  
al., 2024).  
2
O Índice de Gini é uma medida de desigualdade de renda que varia de 0 (igualdade perfeita) a 1  
(desigualdade máxima). Quanto maior o valor, mais concentrada é a renda na população.  
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No contexto brasileiro recente, o Auxílio Emergencial destacou-se pela  
ampliação temporária da proteção social durante a pandemia (Neri, 2020),  
enquanto as transições institucionais subsequentes Auxílio Brasil e Novo Bolsa  
Família introduziram mudanças relevantes em desenho, condicionalidades e escala  
de operação, ainda que com fragilidades institucionais (Costa et al., 2023; Sordi,  
2023).  
Apesar dos avanços na literatura sobre federalismo e desempenho de  
políticas públicas no Brasil, ainda são limitadas as análises comparativas  
interestaduais de caráter longitudinal que integrem, de forma simultânea, a  
mensuração de eficiência técnica e a análise econométrica de seus determinantes  
(Abrucio, 2005; Arretche, 2012). Este estudo busca preencher essa lacuna ao  
investigar a associação entre eficiência técnica na execução dos programas de  
transferência de renda e a desigualdade estadual, reconhecendo que os efeitos  
distributivos são condicionados por fatores estruturais, institucionais e do mercado  
de trabalho.  
Com base nesse arcabouço, formulam-se as seguintes hipóteses:  
H1 - a eficiência técnica dos programas de transferência de renda associa-  
se estatisticamente à desigualdade de renda estadual;  
H2 - maiores taxas de desemprego associam-se a maior desigualdade; e  
H3 - fatores estruturais e institucionais influenciam a desigualdade  
independentemente da eficiência técnica.  
A análise empírica combina DEA e modelos econométricos de painel para  
avaliar a magnitude e a direção dessas associações, contribuindo para o debate  
sobre os limites e potencialidades das políticas de transferência de renda em  
contextos federativos complexos.  
3. METODOLOGIA  
3.1 Design da Pesquisa  
O estudo adota abordagem quantitativa, de natureza básica, com caráter  
descritivo e exploratório, fundamentado em dados secundários de abrangência  
nacional, provenientes de bases oficiais, como o Instituto Brasileiro de Geografia e  
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Estatística, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o Ministério da Saúde do  
Brasil e o Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde,  
abrangendo o período de 2014 a 2024, para os estados brasileiros.  
A estratégia analítica é dedutiva, partindo de pressupostos teóricos sobre  
eficiência e desigualdade para testá-los empiricamente. O objetivo é avaliar a  
eficiência técnica dos programas federais de transferência de renda Bolsa Família,  
Auxílio Emergencial, Auxílio Brasil e Novo Bolsa Família no período de 2014 a  
2024, bem como analisar sua associação com a desigualdade de renda nos  
estados brasileiros.  
A metodologia estrutura-se em três estágios complementares: (i)  
mensuração da eficiência técnica por meio da Análise Envoltória de Dados (DEA),  
com correção de viés via bootstrap; (ii) análise dinâmica da produtividade por meio  
do Índice de Malmquist; e (iii) modelagem econométrica em dados em painel para  
examinar a relação entre eficiência e desigualdade de renda.  
3.2 Unidade de Análise e Escopo Amostral  
A unidade de análise corresponde ao par estado-ano, abrangendo as 27  
Unidades Federativas do Brasil. A amostra é censitária para o painel, incluindo  
todas as unidades observáveis no período de 2014 a 2024. Os dados utilizados são  
secundários e foram obtidos a partir de bases oficiais de acesso público,  
disponíveis nos portais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, do Instituto  
de Pesquisa Econômica Aplicada, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência  
Social e do Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde. A  
coleta dos dados foi realizada no período de 10/2025, considerando as informações  
mais atualizadas disponíveis para cada variável no momento da extração. O recorte  
temporal foi definido em função da disponibilidade e padronização dos dados, bem  
como por abranger diferentes arranjos institucionais dos programas de  
transferência de renda ao longo do período analisado.  
Em razão da ausência de informações completas para alguns indicadores  
de saúde e capital humano nos anos iniciais, a estimação da eficiência do Programa  
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Bolsa Família no primeiro estágio foi restrita a subperíodos com maior completude  
dos dados, limitação reconhecida e discutida posteriormente.  
3.3 Variáveis  
3.3.1 Variáveis do modelo DEA Inputs e outputs  
O modelo DEA foi estimado com orientação a outputs, assumindo que os  
estados buscam maximizar resultados sociais dado o volume de recursos  
disponíveis. Foram empregados os modelos DEA-CCR (retornos constantes de  
escala) e DEA-BCC (retornos variáveis), permitindo decompor a eficiência global  
em eficiência técnica pura e eficiência de escala.  
Os inputs correspondem ao orçamento alocado e ao número de  
beneficiários dos programas, enquanto os outputs abrangem indicadores  
associados às dimensões de renda, capital humano e saúde. Variáveis em que  
valores menores indicam melhor desempenho (pobreza, extrema pobreza e  
mortalidade infantil) foram tratadas como outputs indesejáveis, mediante  
transformação por data translation, preservando a coerência da orientação do  
modelo, conforme o Quadro 1.  
Quadro 1 Indicadores de Estrutura e de Resultado (DEA).  
Fonte de coleta  
Categoria  
Indicador  
Dimensão/Descrição  
Notas  
de dados  
financeiros Portal  
ao Transparência / valores  
Orçamento  
Recursos  
para destinados  
da Deflacionar;  
usar  
reais;  
por  
Alocado  
cada  
Input  
(Estrutura)  
programa programa  
MDS  
compatibilizar  
UF/ano  
(R$)  
Número  
de Escala  
operacional MDS / CadÚnico Mantido como input; em  
Input  
(Estrutura)  
Beneficiários para (famílias/pessoas  
cada programa  
Pobres (%)  
robustez  
output de cobertura  
(PNAD Considerar linha  
pode  
ser  
atendidas)  
Percentual de pessoas IBGE  
de  
Output  
(resultado)  
em situação de pobreza Contínua) / IPEA pobreza oficial (R$ 218  
Data per capita/mês)  
Extremos Pobres Percentual de pessoas IBGE (PNAD Linha de  
Contínua) / IPEA pobreza (R$ 105 per  
extrema  
Output  
(resultado)  
(%)  
em extrema pobreza  
Data  
capita/mês)  
Taxa  
de Participação/ocupação IBGE  
/
(ex) Alternar com emprego  
da formal (%) conforme  
disponibilidade  
Output  
(resultado)  
Empregabilidade no mercado de trabalho Ministério  
Economia  
Taxa  
Analfabetismo  
de Capital humano básico Atlas  
IBGE  
Brasil  
/ Quanto menor, melhor;  
possível  
inversão/normalização  
Output  
(resultado)  
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Taxa  
Mortalidade  
Infantil  
de Saúde materno-infantil / IBGE  
qualidade de vida DATASUS  
/ Quanto menor, melhor;  
checar comparabilidade  
temporal  
Output  
(resultado)  
Cobertura Vacinal Acesso  
a
políticas Ministério  
da Selecionar imunização  
/ básica (BCG, Penta,  
Polio, etc.)  
Output  
(resultado)  
(%)  
preventivas de saúde  
Saúde  
DATASUS  
Pré-natal  
adequado (%)  
Qualidade da atenção à Ministério  
da Considerar ≥7 consultas  
Output  
(resultado)  
gestante  
Saúde / SINASC de pré-natal  
Nutrição  
Gestantes (%)  
Atendimento nutricional Ministério  
pré-natal  
da Pode ter falhas de  
Output  
(resultado)  
Saúde / SISVAN preenchimento  
em  
alguns estados  
Nutrição Crianças Monitoramento  
(%) nutricional infantil  
Ministério  
Saúde / SISVAN dados  
da Complementar  
com  
de  
Output  
(resultado)  
desnutrição/obesidade  
infantil  
Fonte: Adaptado de Brauw e Gilligan (2016); IPEA (2019); Ichihara et al. (2018); Leite et al. (2024);  
Martins et al. (2023); Narbón-Perpiñá e De Witte (2018); Parker e Todd (2017); Rasella et al. (2018)  
e Suarez-Campoli et al. (2020).  
Nota: Elaborado pela autora (2025).  
O escore de eficiência do Bolsa Família (PBF), Auxílio Emergencial (AE),  
Auxílio Brasil (AB) e Novo Bolsa Família (NBF) constitui a variável dependente  
fundamental. Ele reflete a capacidade relativa de cada unidade federativa em  
transformar insumos (orçamento e beneficiários) em resultados sociais. Conforme  
Farrell (1957), a eficiência mede a distância de cada unidade em relação à fronteira  
de produção ótima. O uso do DEA (modelos CCR e BCC) segue a abordagem  
clássica de Charnes, Cooper e Rhodes (1978) e Banker, Charnes e Cooper (1984),  
sendo amplamente aplicado em políticas sociais (Rasella et al., 2018; Suarez-  
Campoli et al., 2020).  
3.3.2 Variáveis do modelo econométrico  
Na segunda etapa, os escores de eficiência técnica estimados via DEA  
constituem as principais variáveis explicativas. A variável dependente é o Índice de  
Gini, amplamente utilizado para mensurar desigualdade de renda. O modelo  
incorpora controles estruturais, institucionais e demográficos, incluindo  
desemprego, informalidade, escolaridade média, cobertura da Estratégia Saúde da  
Família, PIB per capita, IDH, população e efeitos temporais.  
Essa especificação permite testar as hipóteses do estudo: (H1) associação  
entre eficiência técnica e desigualdade; (H2) impacto do desemprego sobre a  
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desigualdade; e (H3) influência de fatores estruturais e institucionais  
independentemente da eficiência dos programas.  
Quadro 2 Variáveis do Modelo Econométrico dos Programas de transferência  
de Renda (Bolsa Família, Auxílio Emergencial, Auxílio Brasil e Novo Bolsa  
Família)  
Coleta de Transformaçã  
Tipo  
Variável  
Índice de Desigualdade  
Gini de renda  
Definição  
Interpretação  
Dados  
Valores próximos de IBGE  
indicam maior (PNAD  
desigualdade;  
valores próximos de 0 IPEA Data. defasagem t−1  
o sugerida  
Quanto menor,  
melhor;  
1
Variável  
Contínua) / considerar  
explicada  
indicam  
de Mede a relação entre Estimado  
insumos  
(DEA: (recursos/beneficiário via  
maior  
na 2ª etapa.  
Efic_PBF, Escore  
Usar  
Efic_AE,  
Efic_AB,  
Efic_NBF  
eficiência  
técnica  
pela autora diretamente  
DEA (01)  
(modelos  
Variáveis  
Explicativas  
01) por UF e s) e outputs sociais  
ano  
CCR  
e
BCC)  
Ano  
Índice temporal Captura  
choques —  
Usar  
efeito  
(FE_t)  
como  
fixo  
(ano-  
macroeconômicos e  
Controle-  
Temporal  
calendário)  
mudanças  
regimes  
nos  
dos  
programas  
A informalidade afeta PNAD  
Infor  
Informalidade:  
Utilização  
do  
Proporção  
trabalhadores  
de diretamente  
capacidade  
a Contínua valor  
do IBGE percentual  
ocupados que Estado de identificar, (microdado padronizado  
Controle-  
atuam  
carteira  
sem focalizar  
acompanhar  
e s  
(0100)  
ou  
Mercado de  
Trabalho  
os trimestrais escalonado  
assinada, sem beneficiários  
dos e anuais). (01)  
para  
em  
CNPJ  
e
sem programas  
transferência  
de  
de  
análise  
painel.  
proteção  
Cob_esf  
Escol  
Cobertura  
ESF:  
Percentual da acompanhamento  
população  
residente  
coberta  
Escolaridade:  
Anos médios de capital humano  
estudo  
de A ESF é responsável e-Gestor  
Manter como  
/ percentual (0–  
pelo  
AB  
Controle-  
Institucional  
Ministério  
100)  
ou  
das  
condicionalidades de DATASUS. 1);  
por saúde vinculadas aos usar  
Nível agregado de IBGE / —  
Atlas Brasil  
da Saúde / normalizar (0–  
pode-se  
média  
Controle-  
Capital  
Humano  
PIB_perca PIB per capita Desenvolvimento  
IBGE  
log(PIB  
capita)  
per  
Controle  
Econômico  
-
pita  
em  
R$ econômico estadual  
constantes  
IDH  
Índice  
de Condição  
Atlas Brasil Normalizado  
Controle  
Agregado  
Desenvolvimen socioeconômica  
to Humano agregada  
População total Tamanho  
/ PNUD  
(01)  
Controle  
Pop_t  
e
escala IBGE  
log(população)  
Demografia  
demográfica da UF  
(robustez)  
Desemp  
(%)  
Desemprego:  
Taxa  
desocupação  
Captura  
de econômicos  
condições  
ciclos IBGE  
Controle  
Conjuntural  
e (PNAD  
do Contínua)  
Fonte: Adaptado de Charnes et al. (1978); Farrell (1957); IPEA (2019); Martins et al. (2023); Leite et  
al. (2024); Parker e Todd (2017); Suarez-Campoli et al. (2020); Rasella et al. (2018); Ministério do  
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DESIGUALDADE NO BRASIL?  
Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome MDS (2024).  
Nota: Elaborada pela autora (2025). Variável explicada (1), variáveis explicativas (4), variáveis de  
controle (5).  
A Equação (1) apresenta a forma geral do modelo:  
퐺푖푛푖ꢀ푡 = 훽1퐸푓푖푐푇푅 + 훶 퐴푛표ꢀ푡 + 훶 퐼푛푓표푟푚푎푙ꢀ푡 + 훶 퐶표푏_퐸푆퐹 +훶 퐼퐷퐻ꢀ푡 +  
1
2
3
ꢀ푡  
4
ꢀ푡  
훶 푃표푝ꢀ푡 + 훶 퐷푒푠푒푚푝ꢀ푡 + 훶 퐸푠푐표푙ꢀ푡 + 훶 푃퐼퐵푝푐ꢀ푡 + 휇ꢀ푡+ꢀ푡 (1)  
5
6
7
8
Onde:  
퐺푖푛푖ꢀ푡: índice de desigualdade de renda no estado i no período t.  
푇푅  
ꢀ푡  
퐸푓푖푐 : escore de eficiência técnica obtido via DEA (com correção  
bootstrap), associado à execução dos programas de transferência de renda.  
퐴푛표: controlar variações ao longo do tempo que não são atribuíveis aos  
estados.  
퐼푛푓표푟푚푎푙ꢀ푡: captura como a estrutura do mercado de trabalho influencia a  
desigualdade e a efetividade dos programas sociais.  
퐶표푏_퐸푆퐹 : relacionada à infraestrutura social e ao suporte institucional para  
ꢀ푡  
o cumprimento das condicionalidades.  
퐼퐷퐻ꢀ푡: indicador de desenvolvimento humano do estado i no período t,  
controlando condições socioeconômicas estruturais.  
푃표푝ꢀ푡: população total do estado, representando a escala de atendimento  
das políticas sociais.  
퐷푒푠푒푚푝ꢀ푡: taxa de desemprego estadual, que captura condições do mercado  
de trabalho e flutuações macroeconômicas.  
퐸푠푐표푙: anos médios de escolaridade, indicador agregado de capital  
humano.  
푃퐼퐵푝푐ꢀ푡: PIB per capita em valores reais, captando o nível de  
desenvolvimento econômico do estado.  
ꢀ푡: efeito fixo específico de cada estado em PBF e NBF, representando  
características não observadas e invariantes no tempo (cultura  
administrativa, capacidade institucional, estrutura produtiva, entre outras).  
ꢀ푡: termo de erro idiossincrático.  
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DESIGUALDADE NO BRASIL?  
3.4 Métodos de Estimação e Tratamento de Dados  
3.4.1 Primeiro Estágio: Análise de Fronteira (DEA)  
A eficiência técnica dos estados foi estimada por meio da Análise Envoltória  
de Dados (DEA), conforme os modelos propostos por Charnes, Cooper e Rhodes  
(1978) e Banker, Charnes e Cooper (1984), calculando-se a distância de cada  
unidade em relação à fronteira eficiente. Variáveis em que “menos é melhor”, como  
pobreza, extrema pobreza e mortalidade infantil, foram tratadas como outputs  
indesejáveis por meio da técnica de data translation, assegurando a coerência da  
orientação a outputs. Para mitigar o viés de pequena amostra característico do DEA  
não paramétrico, aplicou-se o procedimento de bootstrap (Simar; Wilson, 2007),  
gerando escores corrigidos e intervalos de confiança estatisticamente válidos para  
uso na segunda etapa.  
3.4.2 Análise Dinâmica: Índice de Produtividade de Malmquist  
A evolução temporal da produtividade dos programas foi analisada por  
meio do Índice de Malmquist, que decompõe a variação total da produtividade em  
progresso técnico (deslocamento da fronteira) e mudança de eficiência técnica  
(catch-up), permitindo distinguir inovação sistêmica de melhorias gerenciais  
relativas ao longo do tempo.  
3.4.3 Segundo Estágio: Regressão em Dados em Painel  
Os escores de eficiência obtidos no primeiro estágio foram utilizados em  
modelos de regressão para dados em painel, estimados por Pooled OLS, Efeitos  
Fixos (EF) ou Efeitos Aleatórios (EA), conforme indicado pelo teste de Hausman. O  
modelo de EF é priorizado por capturar características não observáveis e  
invariantes no tempo dos estados. Para programas de vigência curta, como o  
Auxílio Emergencial e o Auxílio Brasil, empregaram-se modelos de pooled cross  
section ou análises descritivas, de acordo com a disponibilidade mínima de dados  
para estruturação do painel.  
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DESIGUALDADE NO BRASIL?  
3.5 Limitações Metodológicas e Robustez  
A exclusão de observações com dados ausentes pode gerar viés de  
seleção, reconhecido como limitação. Há risco de endogeneidade, mitigado por  
especificações com defasagens e controles. A robustez é verificada por  
especificações alternativas, incluindo comparação entre escores CCR e BCC,  
variação do conjunto de controles e erros-padrão robustos agrupados por estado.  
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES  
4.1 Eficiência  
A eficiência técnica dos programas de transferência de renda foi estimada  
por DEA para os estados brasileiros, comparando quatro regimes: Bolsa Família  
(PBF), Auxílio Emergencial (AE), Auxílio Brasil (AB) e Novo Bolsa Família (NBF).  
Os escores (CRS, VRS e eficiência de escala) medem a capacidade de cada  
estado de converter recursos (inputs) em resultados sociais (outputs). Para o PBF,  
a análise foi restrita a 20182021 porque alguns outputs (prenatal, nut_gest,  
nut_ccas) tinham dados ausentes entre 20142017, o que inviabiliza a DEA  
(outputs não podem ter missing).  
PBF (20182021): predominou VRS = 1 na maioria dos estados, sugerindo  
boa eficiência técnica pura (gestão) no porte observado. Entretanto, muitos  
apresentaram CRS < 1, indicando ineficiência de escala (problema de  
dimensionamento do programa). Estados como Bahia, Maranhão, Ceará, Paraíba  
e Amazonas mostraram baixa eficiência de escala, enquanto Distrito Federal,  
Rondônia, Roraima e Santa Catarina atuaram como benchmarks (CRS = VRS = 1).  
O ano de 2020 concentrou os melhores resultados de CRS (maior alinhamento  
escalaresultados), com recuo parcial em 2021, compatível com a dinâmica da  
pandemia e ajustes na proteção social.  
Tabela 1 Resultados da Eficiência Técnica (CRS, VRS e Escala) do Programa  
Bolsa Família, por estado e ano (20182021).  
DMU  
Ano  
2018  
CRS  
0,85  
0,43  
0,96  
VRS  
1,00  
1,00  
1,00  
Eficiência de Escala  
Classificação  
Acre  
Alagoas  
Amapá  
0,85 Eficiente VRS  
0,43 Eficiente VRS  
0,96 Eficiente VRS  
2018  
2018  
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DESIGUALDADE NO BRASIL?  
Amazonas  
Bahia  
Ceará  
2018  
2018  
2018  
2018  
2018  
2018  
2018  
2018  
2018  
2018  
2018  
2018  
2018  
2018  
2018  
2018  
2018  
2018  
2018  
2018  
2018  
2018  
2018  
2018  
2019  
2019  
2019  
2019  
2019  
2019  
2019  
2019  
2019  
2019  
2019  
2019  
2019  
2019  
2019  
2019  
2019  
2019  
2019  
2019  
2019  
2019  
2019  
2019  
2019  
2019  
2019  
2020  
2020  
2020  
2020  
2020  
2020  
2020  
2020  
0,27  
0,18  
0,22  
1,00  
0,53  
0,48  
0,22  
0,64  
0,62  
0,35  
0,69  
0,19  
0,23  
0,21  
0,36  
0,38  
1,00  
0,56  
1,00  
1,00  
1,00  
0,47  
0,54  
0,70  
1,00  
0,48  
0,75  
0,24  
0,17  
1,00  
1,00  
0,56  
0,50  
0,21  
0,63  
0,63  
0,32  
0,67  
0,18  
0,23  
0,22  
0,40  
0,34  
0,43  
0,53  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
0,52  
0,80  
1,00  
0,67  
1,00  
0,48  
0,41  
0,45  
1,00  
0,69  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
0,27 Eficiente VRS  
0,18 Eficiente VRS  
0,22 Eficiente VRS  
1,00 Eficiente  
Distrito Federal  
Espírito Santo  
Goiás  
Maranhão  
Mato Grosso  
Mato Grosso Do Sul  
Minas Gerais  
Paraná  
0,53 Eficiente VRS  
0,48 Eficiente VRS  
0,22 Eficiente VRS  
0,64 Eficiente VRS  
0,62 Eficiente VRS  
0,35 Eficiente VRS  
0,69 Eficiente VRS  
0,19 Eficiente VRS  
0,23 Eficiente VRS  
0,21 Eficiente VRS  
0,36 Eficiente VRS  
0,38 Eficiente VRS  
1,00 Eficiente  
Paraíba  
Pará  
Pernambuco  
Piauí  
Rio De Janeiro  
Rio Grande Do Norte  
Rio Grande Do Sul  
Rondônia  
Roraima  
Santa Catarina  
Sergipe  
São Paulo  
Tocantins  
Acre  
Alagoas  
Amapá  
0,56 Eficiente VRS  
1,00 Eficiente  
1,00 Eficiente  
1,00 Eficiente  
0,47 Eficiente VRS  
0,54 Eficiente VRS  
0,70 Eficiente VRS  
1,00 Eficiente  
0,48 Eficiente VRS  
0,75 Eficiente VRS  
0,24 Eficiente VRS  
0,17 Eficiente VRS  
1,00 Eficiente  
Amazonas  
Bahia  
Ceará  
Distrito Federal  
Espírito Santo  
Goiás  
Maranhão  
Mato Grosso  
Mato Grosso Do Sul  
Minas Gerais  
Paraná  
1,00 Eficiente  
0,56 Eficiente VRS  
0,50 Eficiente VRS  
0,21 Eficiente VRS  
0,63 Eficiente VRS  
0,63 Eficiente VRS  
0,32 Eficiente VRS  
0,67 Eficiente VRS  
0,18 Eficiente VRS  
0,23 Eficiente VRS  
0,22 Eficiente VRS  
0,40 Eficiente VRS  
0,34 Eficiente VRS  
0,43 Eficiente VRS  
0,53 Eficiente VRS  
1,00 Eficiente  
Paraíba  
Pará  
Pernambuco  
Piauí  
Rio De Janeiro  
Rio Grande Do Norte  
Rio Grande Do Sul  
Rondônia  
Roraima  
Santa Catarina  
Sergipe  
São Paulo  
Tocantins  
Acre  
Alagoas  
Amapá  
1,00 Eficiente  
1,00 Eficiente  
1,00 Eficiente  
0,52 Eficiente VRS  
0,80 Eficiente VRS  
1,00 Eficiente  
0,67 Eficiente VRS  
1,00 Eficiente  
0,48 Eficiente VRS  
0,41 Eficiente VRS  
0,45 Eficiente VRS  
1,00 Eficiente  
Amazonas  
Bahia  
Ceará  
Distrito Federal  
Espírito Santo  
0,69 Eficiente VRS  
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69  
Presline Blum, Felipe Storch Damasceno  
ALÉM DA EFICIÊNCIA: POR QUE PROGRAMAS FEDERAIS DE TRANSFERÊNCIA DE RENDA NÃO REDUZEM A  
DESIGUALDADE NO BRASIL?  
Goiás  
2020  
2020  
2020  
2020  
2020  
2020  
2020  
2020  
2020  
2020  
2020  
2020  
2020  
2020  
2020  
2020  
2020  
2020  
2020  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
0,65  
0,43  
0,75  
0,79  
0,62  
0,79  
0,45  
0,45  
0,44  
0,60  
0,59  
0,61  
0,81  
1,00  
1,00  
1,00  
0,73  
0,74  
1,00  
0,83  
0,44  
1,00  
0,28  
0,20  
0,24  
1,00  
1,00  
0,63  
0,21  
0,66  
0,67  
0,36  
0,71  
0,23  
0,25  
0,24  
0,39  
0,38  
0,42  
0,57  
1,00  
1,00  
1,00  
0,59  
0,55  
0,76  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
0,65 Eficiente VRS  
0,43 Eficiente VRS  
0,75 Eficiente VRS  
0,79 Eficiente VRS  
0,62 Eficiente VRS  
0,79 Eficiente VRS  
0,45 Eficiente VRS  
0,45 Eficiente VRS  
0,44 Eficiente VRS  
0,60 Eficiente VRS  
0,59 Eficiente VRS  
0,61 Eficiente VRS  
0,81 Eficiente VRS  
1,00 Eficiente  
Maranhão  
Mato Grosso  
Mato Grosso Do Sul  
Minas Gerais  
Paraná  
Paraíba  
Pará  
Pernambuco  
Piauí  
Rio De Janeiro  
Rio Grande Do Norte  
Rio Grande Do Sul  
Rondônia  
Roraima  
Santa Catarina  
Sergipe  
São Paulo  
Tocantins  
Acre  
Alagoas  
Amapá  
1,00 Eficiente  
1,00 Eficiente  
0,73 Eficiente VRS  
0,74 Eficiente VRS  
1,00 Eficiente  
0,83 Eficiente VRS  
0,44 Eficiente VRS  
1,00 Eficiente  
0,28 Eficiente VRS  
0,20 Eficiente VRS  
0,24 Eficiente VRS  
1,00 Eficiente  
Amazonas  
Bahia  
Ceará  
Distrito Federal  
Espírito Santo  
Goiás  
Maranhão  
Mato Grosso  
Mato Grosso Do Sul  
Minas Gerais  
Paraná  
1,00 Eficiente  
0,63 Eficiente VRS  
0,21 Eficiente VRS  
0,66 Eficiente VRS  
0,67 Eficiente VRS  
0,36 Eficiente VRS  
0,71 Eficiente VRS  
0,23 Eficiente VRS  
0,25 Eficiente VRS  
0,24 Eficiente VRS  
0,39 Eficiente VRS  
0,38 Eficiente VRS  
0,42 Eficiente VRS  
0,57 Eficiente VRS  
1,00 Eficiente  
Paraíba  
Pará  
Pernambuco  
Piauí  
Rio De Janeiro  
Rio Grande Do Norte  
Rio Grande Do Sul  
Rondônia  
Roraima  
Santa Catarina  
Sergipe  
1,00 Eficiente  
1,00 Eficiente  
0,59 Eficiente VRS  
0,55 Eficiente VRS  
0,76 Eficiente VRS  
São Paulo  
Tocantins  
Fonte: elaboração própria a partir dos resultados da pesquisa (2025).  
Nota: CRS = Eficiência Técnica sob Retornos Constantes de Escala; VRS = Eficiência Técnica sob  
Retornos Variáveis de Escala; SE = Eficiência de Escala (CRS/VRS). Erros de arredondamento  
podem ocorrer. Classificação: Eficiente (CRS=1 e VRS=1), Eficiente VRS (VRS=1 e CRS<1).  
AE (2021): apenas seis estados atingiram eficiência plena (Acre, Amapá,  
Distrito Federal, Rondônia, Roraima e Santa Catarina). A maior parte ficou como  
“eficiente VRS” (boa gestão, mas escala não ótima). Estados grandes e complexos  
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70  
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DESIGUALDADE NO BRASIL?  
(Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Amazonas) registraram escores de escala  
baixos, sugerindo deseconomias de escala em operações massivas e rápidas.  
Tabela 2 Resultados da Eficiência Técnica (CRS, VRS e Escala) do Programa  
Auxílio Emergencial por estado 2021.  
DMU  
Acre  
Alagoas  
Amapá  
Amazonas  
Bahia  
Ceará  
Distrito Federal  
Espírito Santo  
Goiás  
Maranhão  
Mato Grosso  
Mato Grosso Do Sul  
Minas Gerais  
Paraná  
Paraíba  
Pará  
Pernambuco  
Piauí  
Rio De Janeiro  
Rio Grande Do Norte  
Rio Grande Do Sul  
Rondônia  
Roraima  
Santa Catarina  
Sergipe  
São Paulo  
Tocantins  
Ano  
CRS  
1,00  
0,59  
1,00  
0,34  
0,23  
0,30  
1,00  
0,60  
0,51  
0,29  
0,66  
0,67  
0,40  
0,24  
0,49  
0,70  
0,28  
0,54  
0,36  
0,52  
0,61  
1,00  
1,00  
1,00  
0,57  
0,68  
0,86  
VRS  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
SE  
Classificação  
Eficiente  
Eficiente VRS  
Eficiente  
Eficiente VRS  
Eficiente VRS  
Eficiente VRS  
Eficiente  
Eficiente VRS  
Eficiente VRS  
Eficiente VRS  
Eficiente VRS  
Eficiente VRS  
Eficiente VRS  
Eficiente VRS  
Eficiente VRS  
Eficiente VRS  
Eficiente VRS  
Eficiente VRS  
Eficiente VRS  
Eficiente VRS  
Eficiente VRS  
Eficiente  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
1,00  
0,59  
1,00  
0,34  
0,23  
0,30  
1,00  
0,60  
0,51  
0,29  
0,66  
0,67  
0,40  
0,24  
0,49  
0,70  
0,28  
0,54  
0,36  
0,52  
0,61  
1,00  
1,00  
1,00  
0,57  
0,68  
0,86  
Eficiente  
Eficiente  
Eficiente VRS  
Eficiente VRS  
Eficiente VRS  
Fonte: elaboração própria a partir dos resultados da pesquisa (2025).  
Nota: CRS = Eficiência Técnica sob Retornos Constantes de Escala; VRS = Eficiência Técnica sob  
Retornos Variáveis de Escala; SE = Eficiência de Escala (CRS/VRS). Classificação: Eficiente  
(CRS=1 e VRS=1); Eficiente VRS (VRS=1 e CRS<1).  
AB (2022): houve melhora geral, com muitos estados em CRS = VRS = 1,  
indicando maior adequação entre recursos, cobertura e resultados. Persistiram  
como apenas eficientes VRS: Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Minas Gerais,  
Pará, Paraíba, Pernambuco e Rio de Janeiro, sinalizando que ainda havia gargalos  
de escala apesar de gestão ajustada.  
Tabela 3 Resultados da Eficiência Técnica (CRS, VRS e Escala) do Programa  
Auxílio Brasil, por estado 2022.  
DMU  
Acre  
Alagoas  
Amapá  
Amazonas  
Ano  
CRS  
VRS  
SCALE  
Classificação  
Eficiente  
Eficiente  
Eficiente  
Eficiente VRS  
2022  
2022  
2022  
2022  
1
1
1
0
1
1
1
1
1
1
1
0
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 5, n. 2, p. 54-  
87, jul./dez., 2025.  
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Presline Blum, Felipe Storch Damasceno  
ALÉM DA EFICIÊNCIA: POR QUE PROGRAMAS FEDERAIS DE TRANSFERÊNCIA DE RENDA NÃO REDUZEM A  
DESIGUALDADE NO BRASIL?  
Bahia  
Ceará  
Distrito Federal  
Espírito Santo  
Goiás  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
0
0
1
1
1
0
1
1
0
0
0
1
0
1
0
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
0
0
1
1
1
0
1
1
0
0
0
1
0
1
0
1
1
1
1
1
1
1
1
Eficiente VRS  
Eficiente VRS  
Eficiente  
Eficiente  
Eficiente  
Eficiente VRS  
Eficiente  
Eficiente  
Eficiente VRS  
Eficiente VRS  
Eficiente VRS  
Eficiente  
Eficiente VRS  
Eficiente  
Eficiente VRS  
Eficiente  
Eficiente  
Eficiente  
Eficiente  
Eficiente  
Eficiente  
Eficiente  
Eficiente  
Maranhão  
Mato Grosso  
Mato Grosso Do Sul  
Minas Gerais  
Pará  
Paraíba  
Paraná  
Pernambuco  
Piauí  
Rio De Janeiro  
Rio Grande Do Norte  
Rio Grande Do Sul  
Rondônia  
Roraima  
Santa Catarina  
São Paulo  
Sergipe  
Tocantins  
Fonte: elaboração própria a partir dos resultados da pesquisa (2025).  
Nota: CRS = Eficiência Técnica sob Retornos Constantes de Escala; VRS = Eficiência Técnica sob  
Retornos Variáveis de Escala; SE = Eficiência de Escala (CRS/VRS). Classificação: Eficiente  
(CRS=1 e VRS=1); Eficiente VRS (VRS=1 e CRS<1).  
NBF (20232024): formou-se um núcleo estável de eficiência plena (Acre,  
Amapá, Distrito Federal, Rondônia, Roraima e Santa Catarina) como benchmarks.  
Observou-se  
melhora  
discreta  
de  
escala  
em  
parte  
do  
Centro-  
Oeste/Sudeste/Nordeste entre 2023 e 2024, mas Norte e Nordeste seguiram  
concentrando menores eficiências de escala. No geral, manteve-se o padrão  
“eficiente VRS”: a principal limitação não é a gestão, e sim ajustar a escala do  
programa às realidades territoriais e demográficas.  
Tabela 4 Resultados da Eficiência Técnica (CRS, VRS e Escala) do Novo  
Programa Bolsa, por estado 2023 e 2024.  
DMU  
Ano  
2023  
CRS  
1,00  
VRS  
1,00  
SE  
Classificação  
1,00 Eficiente  
Acre  
Alagoas  
Amapá  
Amazonas  
Bahia  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
0,54  
1,00  
0,31  
0,24  
0,29  
1,00  
0,58  
0,49  
0,27  
0,65  
0,67  
0,41  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
0,54 Eficiente VRS  
1,00 Eficiente  
0,31 Eficiente VRS  
0,24 Eficiente VRS  
0,29 Eficiente VRS  
1,00 Eficiente  
0,58 Eficiente VRS  
0,49 Eficiente VRS  
0,27 Eficiente VRS  
0,65 Eficiente VRS  
0,67 Eficiente VRS  
0,41 Eficiente VRS  
Ceará  
Distrito Federal  
Espírito Santo  
Goiás  
Maranhão  
Mato Grosso  
Mato Grosso Do Sul  
Minas Gerais  
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87, jul./dez., 2025.  
72  
Presline Blum, Felipe Storch Damasceno  
ALÉM DA EFICIÊNCIA: POR QUE PROGRAMAS FEDERAIS DE TRANSFERÊNCIA DE RENDA NÃO REDUZEM A  
DESIGUALDADE NO BRASIL?  
Pará  
Paraíba  
Paraná  
Pernambuco  
Piauí  
Rio De Janeiro  
Rio Grande Do Norte  
Rio Grande Do Sul  
Rondônia  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
0,23  
0,46  
0,70  
0,28  
0,47  
0,36  
0,52  
0,63  
1,00  
1,00  
1,00  
0,56  
0,64  
0,90  
1,00  
0,56  
1,00  
0,30  
0,24  
0,30  
1,00  
0,58  
0,50  
0,29  
0,66  
0,73  
0,42  
0,24  
0,46  
0,68  
0,29  
0,50  
0,39  
0,52  
0,55  
1,00  
1,00  
1,00  
0,58  
0,64  
0,87  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
0,23 Eficiente VRS  
0,46 Eficiente VRS  
0,70 Eficiente VRS  
0,28 Eficiente VRS  
0,47 Eficiente VRS  
0,36 Eficiente VRS  
0,52 Eficiente VRS  
0,63 Eficiente VRS  
1,00 Eficiente  
Roraima  
1,00 Eficiente  
1,00 Eficiente  
Santa Catarina  
São Paulo  
Sergipe  
Tocantins  
Acre  
Alagoas  
Amapá  
Amazonas  
Bahia  
Ceará  
Distrito Federal  
Espírito Santo  
Goiás  
Maranhão  
Mato Grosso  
Mato Grosso Do Sul  
Minas Gerais  
Pará  
0,56 Eficiente VRS  
0,64 Eficiente VRS  
0,90 Eficiente VRS  
1,00 Eficiente  
0,56 Eficiente VRS  
1,00 Eficiente  
0,30 Eficiente VRS  
0,24 Eficiente VRS  
0,30 Eficiente VRS  
1,00 Eficiente  
0,58 Eficiente VRS  
0,50 Eficiente VRS  
0,29 Eficiente VRS  
0,66 Eficiente VRS  
0,73 Eficiente VRS  
0,42 Eficiente VRS  
0,24 Eficiente VRS  
0,46 Eficiente VRS  
0,68 Eficiente VRS  
0,29 Eficiente VRS  
0,50 Eficiente VRS  
0,39 Eficiente VRS  
0,52 Eficiente VRS  
0,55 Eficiente VRS  
1,00 Eficiente  
Paraíba  
Paraná  
Pernambuco  
Piauí  
Rio De Janeiro  
Rio Grande Do Norte  
Rio Grande Do Sul  
Rondônia  
Roraima  
1,00 Eficiente  
1,00 Eficiente  
0,58 Eficiente VRS  
0,64 Eficiente VRS  
0,87 Eficiente VRS  
Santa Catarina  
São Paulo  
Sergipe  
Tocantins  
Fonte: elaboração própria a partir dos resultados da pesquisa (2025).  
Nota: CRS = Eficiência Técnica sob Retornos Constantes de Escala; VRS = Eficiência Técnica sob  
Retornos Variáveis de Escala; SE = Eficiência de Escala (CRS/VRS). Classificação: Eficiente  
(CRS=1 e VRS=1); Eficiente VRS (VRS=1 e CRS<1).  
4.2 Bootstrap  
Limitação do DEA tradicional por ser determinístico e sensível a ruído e ao  
tamanho da amostra, o DEA tende a superestimar a eficiência, colocando várias  
unidades “na fronteira” de forma artificial.  
Por que usar bootstrap, o procedimento reamostra os dados e recalcula os  
escores repetidas vezes, gerando uma fronteira corrigida e escores  
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 5, n. 2, p. 54-  
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Presline Blum, Felipe Storch Damasceno  
ALÉM DA EFICIÊNCIA: POR QUE PROGRAMAS FEDERAIS DE TRANSFERÊNCIA DE RENDA NÃO REDUZEM A  
DESIGUALDADE NO BRASIL?  
estatisticamente mais consistentes, reduzindo distorções por heterogeneidade  
regional e choques institucionais. Interpretação dos escores corrigidos, o indicador  
eff_bcc_bc (corrigido) fornece uma medida mais realista da eficiência técnica dos  
estados e permite comparar diferenças reais de desempenho.  
Principais achados por programa/ano:  
PBF (20182021): o DEA não corrigido tende a indicar eficiência plena,  
mas o bootstrap revela variações; as diferenças ficam mais evidentes  
especialmente em 2021, com quedas relevantes em alguns estados (maior  
instabilidade operacional).  
Tabela 5 Eficiência Técnica (DEA-BCC) com Correção Bootstrap do Programa  
Bolsa Família por estado 2018-2021.  
DMU  
Acre  
Acre  
Acre  
Ano  
eff_bcc  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
eff_bcc_bc  
1,00  
1,00  
0,99  
0,99  
1,00  
1,00  
0,99  
0,99  
0,98  
0,99  
0,99  
0,79  
0,98  
1,00  
0,99  
0,94  
1,00  
1,00  
1,00  
0,99  
1,00  
1,00  
1,00  
0,99  
1,00  
1,00  
0,97  
0,98  
1,00  
1,00  
0,99  
0,99  
1,00  
1,00  
0,98  
0,98  
2018  
2019  
2020  
2021  
2018  
2019  
2020  
2021  
2018  
2019  
2020  
2021  
2018  
2019  
2020  
2021  
2018  
2019  
2020  
2021  
2018  
2019  
2020  
2021  
2018  
2019  
2020  
2021  
2018  
2019  
2020  
2021  
2018  
2019  
2020  
2021  
Acre  
Alagoas  
Alagoas  
Alagoas  
Alagoas  
Amapá  
Amapá  
Amapá  
Amapá  
Amazonas  
Amazonas  
Amazonas  
Amazonas  
Bahia  
Bahia  
Bahia  
Bahia  
Ceará  
Ceará  
Ceará  
Ceará  
Distrito Federal  
Distrito Federal  
Distrito Federal  
Distrito Federal  
Espírito Santo  
Espírito Santo  
Espírito Santo  
Espírito Santo  
Goiás  
Goiás  
Goiás  
Goiás  
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 5, n. 2, p. 54-  
87, jul./dez., 2025.  
74  
Presline Blum, Felipe Storch Damasceno  
ALÉM DA EFICIÊNCIA: POR QUE PROGRAMAS FEDERAIS DE TRANSFERÊNCIA DE RENDA NÃO REDUZEM A  
DESIGUALDADE NO BRASIL?  
Maranhão  
Maranhão  
Maranhão  
Maranhão  
2018  
2019  
2020  
2021  
2018  
2019  
2020  
2021  
2018  
2019  
2020  
2021  
2018  
2019  
2020  
2021  
2018  
2019  
2020  
2021  
2018  
2019  
2020  
2021  
2018  
2019  
2020  
2021  
2018  
2019  
2020  
2021  
2018  
2019  
2020  
2021  
2018  
2019  
2020  
2021  
2018  
2019  
2020  
2021  
2018  
2019  
2020  
2021  
2018  
2019  
2020  
2021  
2018  
2019  
2020  
2021  
2018  
2019  
2020  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
0,99  
1,00  
0,98  
0,97  
0,97  
1,00  
1,00  
0,96  
0,97  
1,00  
1,00  
0,99  
0,99  
1,00  
1,00  
0,99  
0,98  
1,00  
1,00  
0,99  
0,99  
1,00  
1,00  
0,99  
0,99  
1,00  
1,00  
1,00  
0,99  
1,00  
1,00  
0,99  
0,97  
1,00  
1,00  
0,99  
0,99  
1,00  
1,00  
0,99  
0,97  
1,00  
1,00  
0,98  
0,99  
1,00  
1,00  
0,97  
0,98  
0,99  
0,99  
0,99  
0,81  
1,00  
1,00  
0,97  
Mato Grosso  
Mato Grosso  
Mato Grosso  
Mato Grosso  
Mato Grosso do Sul  
Mato Grosso do Sul  
Mato Grosso do Sul  
Mato Grosso do Sul  
Minas Gerais  
Minas Gerais  
Minas Gerais  
Minas Gerais  
Paraná  
Paraná  
Paraná  
Paraná  
Paraíba  
Paraíba  
Paraíba  
Paraíba  
Pará  
Pará  
Pará  
Pará  
Pernambuco  
Pernambuco  
Pernambuco  
Pernambuco  
Piauí  
Piauí  
Piauí  
Piauí  
Rio De Janeiro  
Rio De Janeiro  
Rio De Janeiro  
Rio De Janeiro  
Rio Grande do Norte  
Rio Grande do Norte  
Rio Grande do Norte  
Rio Grande do Norte  
Rio Grande do Sul  
Rio Grande do Sul  
Rio Grande do Sul  
Rio Grande do Sul  
Rondônia  
Rondônia  
Rondônia  
Rondônia  
Roraima  
Roraima  
Roraima  
Roraima  
Santa Catarina  
Santa Catarina  
Santa Catarina  
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 5, n. 2, p. 54-  
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Presline Blum, Felipe Storch Damasceno  
ALÉM DA EFICIÊNCIA: POR QUE PROGRAMAS FEDERAIS DE TRANSFERÊNCIA DE RENDA NÃO REDUZEM A  
DESIGUALDADE NO BRASIL?  
Santa Catarina  
Sergipe  
Sergipe  
Sergipe  
Sergipe  
São Paulo  
São Paulo  
São Paulo  
São Paulo  
Tocantins  
Tocantins  
Tocantins  
Tocantins  
2021  
2018  
2019  
2020  
2021  
2018  
2019  
2020  
2021  
2018  
2019  
2020  
2021  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
0,98  
1,00  
1,00  
0,99  
0,96  
1,00  
1,00  
0,99  
0,99  
1,00  
1,00  
0,98  
0,96  
Fonte: elaboração própria a partir dos resultados da pesquisa (2025).  
Nota: eff_bcc é o escore de eficiência técnica calculado pelo modelo DEA-BCC, enquanto  
eff_bcc_bc é esse mesmo escore após a correção de viés via bootstrap, resultando em uma medida  
estatisticamente mais robusta da eficiência  
AE (2021): após correção, há heterogeneidade: alguns estados  
permanecem na fronteira (ex.: Acre, DF, Maranhão, Pará, Roraima, SC, SP),  
enquanto outros ficam abaixo (ex.: Pernambuco, Goiás, RN, Ceará), sugerindo  
diferenças de capacidade de execução.  
Tabela 6 Eficiência Técnica (DEA-BCC) com Correção Bootstrap do Programa  
Auxílio Emergencial por estado 2021.  
DMU  
ano  
eff_bcc  
eff_bcc_bc  
Acre  
Alagoas  
Amapá  
Amazonas  
Bahia  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
2021  
1,00  
0,97  
1,00  
0,83  
0,83  
0,74  
1,00  
0,77  
0,72  
1,00  
0,95  
0,95  
0,85  
1,00  
0,79  
0,87  
0,68  
0,87  
0,75  
0,72  
0,94  
0,74  
1,00  
1,00  
1,00  
0,97  
0,98  
0,83  
0,83  
0,74  
1,00  
0,77  
0,72  
1,00  
0,95  
0,95  
0,85  
1,00  
0,79  
0,87  
0,68  
0,87  
0,75  
0,72  
0,94  
0,74  
1,00  
1,00  
Ceará  
Distrito Federal  
Espírito Santo  
Goiás  
Maranhão  
Mato Grosso  
Mato Grosso do Sul  
Minas Gerais  
Pará  
Paraíba  
Paraná  
Pernambuco  
Piauí  
Rio De Janeiro  
Rio Grande do Norte  
Rio Grande do Sul  
Rondônia  
Roraima  
Santa Catarina  
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ALÉM DA EFICIÊNCIA: POR QUE PROGRAMAS FEDERAIS DE TRANSFERÊNCIA DE RENDA NÃO REDUZEM A  
DESIGUALDADE NO BRASIL?  
São Paulo  
Sergipe  
Tocantins  
2021  
2021  
2021  
1,00  
0,80  
0,89  
1,00  
0,80  
0,89  
Fonte: elaboração própria a partir dos resultados da pesquisa (2025).  
Nota: eff_bcc é o escore de eficiência técnica calculado pelo modelo DEA-BCC, enquanto  
eff_bcc_bc é esse mesmo escore após a correção de viés via bootstrap, resultando em uma medida  
estatisticamente mais robusta da eficiência.  
AB (2022): ocorre forte discrepância entre DEA tradicional (muitos escores  
baixos) e bootstrap (escores próximos da fronteira), indicando que parte da  
“ineficiência” estimada era viés/ruído.  
Tabela 7 Eficiência Técnica (DEA-BCC) com Correção Bootstrap do Programa  
Auxílio Brasil por estado 2022.  
DMU  
Acre  
Alagoas  
Amapá  
Amazonas  
Bahia  
Ceará  
Distrito Federal  
Espírito Santo  
Goiás  
Maranhão  
Mato Grosso  
Mato Grosso do Sul  
Minas Gerais  
Pará  
Paraíba  
Paraná  
Pernambuco  
Piauí  
Rio De Janeiro  
Rio Grande do Norte  
Rio Grande do Sul  
Rondônia  
Roraima  
Santa Catarina  
São Paulo  
Sergipe  
Ano  
eff_bcc_bc  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,01  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
1,00  
eff_bcc  
1,00  
0,59  
1,00  
0,34  
0,23  
0,30  
1,00  
0,60  
0,51  
0,29  
0,66  
0,67  
0,40  
0,24  
0,49  
0,70  
0,28  
0,54  
0,36  
0,52  
0,61  
1,00  
1,00  
1,00  
0,57  
0,68  
0,86  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
2022  
Tocantins  
Fonte: elaboração própria a partir dos resultados da pesquisa (2025).  
Nota: eff_bcc é o escore de eficiência técnica calculado pelo modelo DEA-BCC, enquanto  
eff_bcc_bc é esse mesmo escore após a correção de viés via bootstrap, resultando em uma medida  
estatisticamente mais robusta da eficiência  
NBF (20232024): alta consistência entre DEA e bootstrap; as diferenças  
parecem refletir desigualdades estruturais persistentes, com menores níveis  
concentrados no Norte/Nordeste, e um núcleo de estados mantendo alta  
performance (ex.: Acre, DF, Amapá, Rondônia, Roraima, SC).  
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DESIGUALDADE NO BRASIL?  
Tabela 8 Eficiência Técnica (DEA-BCC) com Correção Bootstrap do Programa  
Novo Bolsa Família por estado 2023-2024.  
DMU  
Acre  
Alagoas  
Amapá  
Amazonas  
Bahia  
Ceará  
Distrito Federal  
Espírito Santo  
Goiás  
Maranhão  
Mato Grosso  
Mato Grosso do Sul  
Minas Gerais  
Pará  
Paraíba  
Paraná  
Pernambuco  
Piauí  
Rio De Janeiro  
Rio Grande do Norte  
Rio Grande do Sul  
Rondônia  
Roraima  
Santa Catarina  
São Paulo  
Sergipe  
Tocantins  
Acre  
Alagoas  
Amapá  
Amazonas  
Bahia  
Ano  
eff_bcc  
1,00  
0,54  
1,00  
0,31  
0,24  
0,29  
1,00  
0,58  
0,49  
0,27  
0,65  
0,67  
0,41  
0,23  
0,46  
0,70  
0,28  
0,47  
0,36  
0,52  
0,63  
1,00  
1,00  
1,00  
0,56  
0,64  
0,90  
1,00  
0,56  
1,00  
0,30  
0,24  
0,30  
1,00  
0,58  
0,50  
0,29  
0,66  
0,73  
0,42  
0,24  
0,46  
0,68  
0,29  
0,50  
0,39  
0,52  
0,55  
1,00  
1,00  
1,00  
0,58  
0,64  
0,87  
eff_bcc_bc  
1,00  
0,54  
1,00  
0,31  
0,24  
0,29  
1,00  
0,58  
0,49  
0,27  
0,65  
0,67  
0,41  
0,23  
0,46  
0,70  
0,28  
0,47  
0,36  
0,52  
0,63  
1,00  
1,00  
1,00  
0,56  
0,64  
0,90  
1,00  
0,56  
1,00  
0,30  
0,24  
0,30  
1,00  
0,58  
0,50  
0,29  
0,66  
0,73  
0,42  
0,24  
0,46  
0,68  
0,29  
0,50  
0,39  
0,52  
0,55  
1,00  
1,00  
1,00  
0,58  
0,64  
0,87  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2023  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
2024  
Ceará  
Distrito Federal  
Espírito Santo  
Goiás  
Maranhão  
Mato Grosso  
Mato Grosso do Sul  
Minas Gerais  
Pará  
Paraíba  
Paraná  
Pernambuco  
Piauí  
Rio De Janeiro  
Rio Grande do Norte  
Rio Grande do Sul  
Rondônia  
Roraima  
Santa Catarina  
São Paulo  
Sergipe  
Tocantins  
Fonte: elaboração própria a partir dos resultados da pesquisa (2025).  
Nota: eff_bcc é o escore de eficiência técnica calculado pelo modelo DEA-BCC, enquanto  
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ALÉM DA EFICIÊNCIA: POR QUE PROGRAMAS FEDERAIS DE TRANSFERÊNCIA DE RENDA NÃO REDUZEM A  
DESIGUALDADE NO BRASIL?  
eff_bcc_bc é esse mesmo escore após a correção de viés via bootstrap, resultando em uma medida  
estatisticamente mais robusta da eficiência  
O bootstrap evita superestimações e confirmar robustez dos resultados,  
oferecendo uma leitura mais confiável da eficiência técnica dos estados na  
execução dos programas.  
4.3 Malmquist  
O Índice de Malmquist mede a evolução da produtividade (TFPCH) e  
decompõe em mudança tecnológica (TECH) e mudança de eficiência (TECCH).  
PBF (20182021): cenário de estabilidade relativa, com alguns estados  
apresentando ganhos de produtividade (TFPCH>1) destaque para Roraima,  
Espírito Santo, Acre, Distrito Federal e Paraná e outros com perdas moderadas  
(TFPCH<0,90) destaque para Sergipe, Mato Grosso e Alagoas.  
Tabela 9 Índice de Malmquist do PBF por estado e período (20182019, 2019–  
2020, 20202021).  
Estado  
Período  
20182019  
20192020  
20202021  
20182019  
20192020  
20202021  
20182019  
20192020  
20202021  
20182019  
20192020  
20202021  
20182019  
20192020  
20202021  
20182019  
20192020  
20202021  
20182019  
20192020  
20202021  
20182019  
20192020  
20202021  
20182019  
20192020  
20202021  
20182019  
20192020  
20202021  
TFPCH  
1,11  
1,01  
0,94  
0,78  
0,95  
0,98  
0,89  
0,97  
0,96  
0,83  
0,92  
0,95  
0,84  
0,96  
1,04  
0,81  
0,96  
1,00  
1,08  
1,01  
0,96  
1,07  
1,03  
1,02  
0,97  
0,97  
0,98  
0,83  
0,93  
1,03  
TECH  
1,14  
1,09  
1,06  
0,88  
1,03  
1,00  
0,94  
1,03  
1,04  
0,88  
0,99  
1,11  
0,89  
1,08  
1,03  
0,89  
1,11  
1,03  
1,13  
1,10  
1,00  
1,13  
1,10  
1,06  
1,08  
0,98  
0,99  
0,90  
1,07  
1,06  
TECCH  
0,97  
0,93  
0,89  
0,89  
0,92  
0,99  
0,94  
0,94  
0,93  
0,94  
0,92  
0,86  
0,94  
0,89  
1,01  
0,91  
0,87  
0,97  
0,96  
0,92  
0,96  
0,95  
0,93  
0,96  
0,91  
0,99  
0,99  
0,93  
0,87  
0,97  
Acre  
Acre  
Acre  
Alagoas  
Alagoas  
Alagoas  
Amapá  
Amapá  
Amapá  
Amazonas  
Amazonas  
Amazonas  
Bahia  
Bahia  
Bahia  
Ceará  
Ceará  
Ceará  
Distrito Federal  
Distrito Federal  
Distrito Federal  
Espírito Santo  
Espírito Santo  
Espírito Santo  
Goiás  
Goiás  
Goiás  
Maranhão  
Maranhão  
Maranhão  
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 5, n. 2, p. 54-  
87, jul./dez., 2025.  
79  
Presline Blum, Felipe Storch Damasceno  
ALÉM DA EFICIÊNCIA: POR QUE PROGRAMAS FEDERAIS DE TRANSFERÊNCIA DE RENDA NÃO REDUZEM A  
DESIGUALDADE NO BRASIL?  
Mato Grosso  
Mato Grosso  
Mato Grosso  
Mato Grosso do Sul  
Mato Grosso do Sul  
Mato Grosso do Sul  
Minas Gerais  
Minas Gerais  
Minas Gerais  
Paraná  
Paraná  
Paraná  
Paraíba  
Paraíba  
Paraíba  
Pará  
Pará  
Pará  
Pernambuco  
Pernambuco  
Pernambuco  
Piauí  
Piauí  
Piauí  
Rio de Janeiro  
Rio de Janeiro  
Rio de Janeiro  
Rio Grande do Norte  
Rio Grande do Norte  
Rio Grande do Norte  
Rio Grande do Sul  
Rio Grande do Sul  
Rio Grande do Sul  
Rondônia  
20182019  
20192020  
20202021  
20182019  
20192020  
20202021  
20182019  
20192020  
20202021  
20182019  
20192020  
20202021  
20182019  
20192020  
20202021  
20182019  
20192020  
20202021  
20182019  
20192020  
20202021  
20182019  
20192020  
20202021  
20182019  
20192020  
20202021  
20182019  
20192020  
20202021  
20182019  
20192020  
20202021  
20182019  
20192020  
20202021  
20182019  
20192020  
20202021  
20182019  
20192020  
20202021  
20182019  
20192020  
20202021  
20182019  
20192020  
20202021  
20182019  
20192020  
20202021  
0,80  
0,90  
0,90  
0,95  
0,98  
1,00  
0,92  
1,01  
0,98  
1,01  
1,00  
1,00  
0,84  
0,95  
1,05  
0,85  
0,94  
0,94  
0,84  
0,93  
0,94  
0,96  
1,00  
1,01  
0,92  
1,00  
0,99  
0,91  
1,02  
1,01  
0,86  
0,94  
0,94  
0,82  
0,95  
0,92  
1,13  
1,09  
1,16  
0,87  
0,95  
0,96  
0,73  
0,92  
0,85  
0,90  
0,98  
0,96  
0,87  
0,94  
0,98  
0,87  
1,04  
1,12  
1,01  
1,05  
1,01  
0,95  
1,07  
0,98  
1,05  
0,97  
0,97  
0,90  
1,09  
1,01  
0,91  
1,03  
1,03  
0,91  
1,03  
1,02  
1,05  
1,02  
1,01  
0,93  
0,99  
0,95  
0,98  
1,10  
1,00  
0,99  
1,06  
1,09  
0,89  
1,05  
0,98  
1,13  
1,14  
1,13  
0,95  
1,00  
1,00  
0,83  
0,98  
0,88  
0,95  
1,03  
1,01  
0,90  
1,01  
0,97  
0,92  
0,87  
0,80  
0,94  
0,93  
1,00  
0,97  
0,95  
1,01  
0,97  
1,04  
1,02  
0,93  
0,88  
1,03  
0,93  
0,91  
0,92  
0,93  
0,91  
0,91  
0,91  
0,98  
1,00  
0,99  
1,01  
1,04  
0,93  
0,93  
1,02  
0,86  
0,89  
0,86  
0,93  
0,90  
0,94  
1,00  
0,96  
1,03  
0,91  
0,95  
0,96  
0,88  
0,93  
0,97  
0,94  
0,94  
0,95  
0,97  
0,93  
1,01  
Rondônia  
Rondônia  
Roraima  
Roraima  
Roraima  
Santa Catarina  
Santa Catarina  
Santa Catarina  
Sergipe  
Sergipe  
Sergipe  
São Paulo  
São Paulo  
São Paulo  
Tocantins  
Tocantins  
Tocantins  
Fonte: elaboração própria a partir dos resultados da pesquisa (2025).  
Nota: TFPCH = Mudança da Produtividade Total dos Fatores; TECH = Mudança no Progresso  
Técnico; TECCH = Mudança na Eficiência Técnica Pura. Valores maiores que 1 indicam ganho de  
produtividade, enquanto valores menores que 1 apontam perda de produtividade entre os períodos  
analisados.  
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DESIGUALDADE NO BRASIL?  
NBF (20232024): houve queda generalizada da produtividade em todos  
os estados (TFPCH ~ 0,30), indicando retração no curto prazo, possivelmente  
ligada à transição institucional, redesenho do programa e ajustes operacionais.  
Tabela 10 Índice de Malmquist do NBF por estado (20232024).  
Estado  
TFPCH  
0,29  
0,29  
0,37  
0,31  
0,33  
0,34  
0,30  
0,37  
0,31  
0,31  
0,33  
0,32  
0,32  
0,32  
0,31  
0,30  
0,35  
0,31  
0,32  
0,31  
0,31  
0,29  
0,32  
0,31  
0,29  
0,32  
0,31  
TECH  
0,96  
0,96  
1,01  
0,92  
1,01  
1,02  
0,76  
1,01  
0,97  
0,99  
0,80  
0,99  
0,96  
0,97  
0,96  
0,96  
1,07  
0,98  
0,89  
0,97  
0,95  
0,98  
0,69  
0,95  
0,84  
0,97  
0,91  
TECCH  
0,30  
0,31  
0,36  
0,33  
0,33  
0,33  
0,40  
0,36  
0,32  
0,31  
0,42  
0,32  
0,33  
0,33  
0,32  
0,31  
0,33  
0,32  
0,36  
0,32  
0,32  
0,30  
0,46  
0,33  
0,35  
0,33  
0,34  
Acre  
Alagoas  
Amapá  
Amazonas  
Bahia  
Ceará  
Distrito Federal  
Espírito Santo  
Goiás  
Maranhão  
Mato Grosso  
Mato Grosso do Sul  
Minas Gerais  
Paraná  
Paraíba  
Pará  
Pernambuco  
Piauí  
Rio de Janeiro  
Rio Grande do Norte  
Rio Grande do Sul  
Rondônia  
Roraima  
Santa Catarina  
Sergipe  
São Paulo  
Tocantins  
Fonte: elaboração própria a partir dos resultados da pesquisa (2025).  
Nota: TFPCH = Mudança da Produtividade Total dos Fatores; TECH = Mudança no Progresso  
Técnico; TECCH = Mudança na Eficiência Técnica Pura. Valores maiores que 1 indicam ganho de  
produtividade, enquanto valores menores que 1 apontam perda de produtividade entre os períodos  
analisados.  
Comparação PBF × NBF: a produtividade caiu em todos os estados  
(ΔTFPCH negativo), com perdas mais intensas justamente onde o PBF era mais  
produtivo (ex.: Roraima, Acre e DF).  
Tabela 11 – Comparação TFPCH médio PBF × NBF e ΔTFPCH (NBF − PBF) por  
estado.  
Estado  
TFPCH PBF  
1,02  
TFPCH NBF  
0,29  
Δ TFPCH (NBF − PBF)  
Acre  
-0,74  
-0,61  
-0,63  
-0,62  
-0,59  
-0,71  
Alagoas  
Amazonas  
Bahia  
0,90  
0,93  
0,95  
0,92  
0,29  
0,31  
0,33  
0,34  
Ceará  
Distrito Federal  
1,02  
0,30  
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DESIGUALDADE NO BRASIL?  
Espírito Santo  
Goiás  
Maranhão  
Mato Grosso  
Mato Grosso do Sul  
Minas Gerais  
Pará  
Paraíba  
Paraíba  
Paraná  
Pernambuco  
Piauí  
1,04  
0,97  
0,93  
0,87  
0,98  
0,97  
0,91  
0,95  
0,95  
1,00  
0,90  
0,99  
0,97  
0,98  
0,92  
0,90  
1,12  
0,93  
0,95  
0,83  
0,93  
0,37  
0,31  
0,31  
0,33  
0,32  
0,32  
0,30  
0,31  
0,31  
0,32  
0,35  
0,31  
0,32  
0,31  
0,31  
0,29  
0,32  
0,31  
0,32  
0,29  
0,31  
-0,67  
-0,66  
-0,62  
-0,53  
-0,66  
-0,66  
-0,61  
-0,64  
-0,64  
-0,68  
-0,55  
-0,68  
-0,65  
-0,67  
-0,61  
-0,61  
-0,81  
-0,62  
-0,63  
-0,54  
-0,62  
Rio de Janeiro  
Rio Grande do Norte  
Rio Grande do Sul  
Rondônia  
Roraima  
Santa Catarina  
São Paulo  
Sergipe  
Tocantins  
Fonte: elaboração própria a partir dos resultados da pesquisa (2025).  
Nota: TFPCH = Mudança da Produtividade Total dos Fatores; TECH = Mudança no Progresso  
Técnico; TECCH = Mudança na Eficiência Técnica Pura. Valores maiores que 1 indicam ganho de  
produtividade, enquanto valores menores que 1 apontam perda de produtividade entre os períodos  
analisados.  
4.3 Regressão  
Após estimar a eficiência técnica dos estados via DEA com correção  
bootstrap, foi testada a relação entre eficiência e desigualdade (Índice de Gini),  
usando Pooled OLS, Efeitos Fixos e Efeitos Aleatórios (modelo escolhido pelo teste  
de Hausman) para cada regime (PBF, AE, AB e NBF).  
Bolsa Família (PBF): a eficiência teve associação positiva e significativa  
com o Gini (coef. 0,015 no OLS e 0,011 no aleatório), levando à rejeição da H1.  
Interpretação: estados “mais eficientes” tendem a ser estados com desigualdade  
estrutural maior; a eficiência reflete mais capacidade institucional/administrativa do  
que efeito redistributivo direto.  
Controles no PBF: Desemprego foi o fator mais pró-desigualdade (positivo  
e significativo); Escolaridade média e cobertura da ESF foram negativas e  
significativas (reduzem o Gini); IDH, PIB per capita e população não foram  
significativos.  
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DESIGUALDADE NO BRASIL?  
Tabela 12 Resultados da estimação (Programa Bolsa Família).  
(1)  
(2)a  
Efeitos Aleatórios  
0.011**  
Pooled OLS  
eficiencia  
idh  
0.015**  
(0.007)  
(0.005)  
0.157  
-0.169  
(0.151)  
(0.1343)  
pop_t  
-0.000  
0.000  
(0.000)  
(0.000)  
desemp  
pib_percapita  
escol  
0.007***  
(0.001)  
0.000  
(0.001)  
0.000  
(0.000)  
0.000  
(0.000)  
-0.015**  
(0.006)  
-0.024***  
(0.008)  
infor  
0.000  
0.000  
(0.000)  
(0.000)  
cob_esf  
-0.001***  
(0.000)  
-0.0009***  
(0.000)  
Constant  
0.501***  
(0.102)  
108  
0.8814***  
(0.0999)  
108  
Observations  
Fonte: elaboração própria a partir dos resultados da pesquisa (2025).  
Nota: Standard errors in parentheses. a Resultado do Teste de Hausman: p = 0.0002. * p < 0.10, **  
p < 0.05, *** p < 0.01  
Auxílio Emergencial (AE): eficiência não foi significativa para explicar o Gini  
(programa centralizado e de rápida execução). Desemprego segue como principal  
determinante do aumento da desigualdade.  
Auxílio Brasil (AB): eficiência não significativa. O IDH apareceu negativo e  
significativo (estados mais desenvolvidos tendem a menor desigualdade).  
Desemprego permaneceu positivo e significativo.  
Tabela 13 Resultados da estimação (Auxílio Emergencial e Auxílio Brasil).  
AE  
Pooled OLS  
0.023  
AB  
Pooled OLS  
0.007  
eficiencia  
idh  
(0.019)  
(0.014)  
0.177  
(0.374)  
-0.622**  
(0.286)  
pop_t  
-0.000  
0.000  
(0.000)  
(0.000)  
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DESIGUALDADE NO BRASIL?  
desemp  
0.009***  
(0.002)  
0.005***  
(0.002)  
pib_percapita  
escol  
0.000  
(0.000)  
0.000*  
(0.000)  
-0.002  
(0.014)  
Constant  
0.285  
(0.248)  
27  
0.886***  
(0.209)  
27  
Observations  
Fonte: elaboração própria a partir dos resultados da pesquisa (2025).  
Nota: Standard errors in parentheses. * p < 0.10, ** p < 0.05, *** p < 0.01  
Novo Bolsa Família (NBF): eficiência não significativa para o Gini.  
Mudanças a partir de 2023 (condicionalidades, desenho de benefícios e maior  
homogeneidade de cobertura) reduziram a variação operacional entre estados,  
enfraquecendo o efeito estatístico da eficiência. Desemprego continua positivo e  
robusto, sustentando a hipótese 2 (mais desemprego → mais desigualdade).  
Tabela 14 Resultados da estimação (Programa Novo Bolsa Família).  
(1)  
Pooled OLS  
0.000  
(2)a  
Efeitos Aleatórios  
0.00031  
eficiencia  
idh  
(0.010)  
(0.0137)  
-0.131  
(0.245)  
-0.1145  
(0.305)  
pop_t  
-0.000  
-0.000  
(0.000)  
(0.000)  
desemp  
0.006***  
(0.002)  
0.0062***  
0.002  
pib_percapita  
Constant  
0.000  
(0.000)  
0.527***  
(0.178)  
54  
0.000  
(0.000)  
0.513*  
(0.219)  
54  
Observations  
Fonte: elaboração própria a partir dos resultados da pesquisa (2025).  
Nota: Standard errors in parentheses. * p < 0.10, ** p < 0.05, *** p < 0.01  
Aeficiência operacional do programa não implica redução de desigualdade;  
o que pesa de forma consistente é o mercado de trabalho (desemprego) e, no caso  
do PBF, também capital humano (escolaridade) e coordenação em serviços básicos  
(ESF).  
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DESIGUALDADE NO BRASIL?  
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS  
Esse estudo analisou a eficiência técnica dos programas federais de  
transferência de renda no Brasil Bolsa Família (PBF), Auxílio Emergencial (AE),  
Auxílio Brasil (AB) e Novo Bolsa Família (NBF) no período de 2014 a 2024, bem  
como sua relação com a desigualdade de renda e indicadores de bem-estar social  
nos estados brasileiros. Utilizando a Análise Envoltória de Dados (DEA) e modelos  
econométricos em painel, o estudo investigou em que medida os estados  
transformam recursos e condicionalidades em resultados sociais, em um contexto  
federativo marcado por forte heterogeneidade institucional e socioeconômica.  
Esta pesquisa respondeu à pergunta central: em que medida a eficiência  
técnica dos programas federais de transferência de renda associa-se à redução da  
desigualdade de renda nos estados brasileiros entre 2014 e 2024? Os resultados  
obtidos através de Análise Envoltória de Dados (DEA) e modelos econométricos  
em painel revelam achados que desafiam premissas convencionais sobre essa  
relação.  
A maioria dos estados apresenta eficiência técnica plena sob retornos  
variáveis de escala (VRS = 1), mas sofre perdas relevantes sob retornos constantes  
de escala (CRS < 1). Este achado evidencia que as principais ineficiências  
decorrem da inadequação da escala operacional, não de falhas gerenciais. Mais  
importante, a pesquisa demonstrou que a eficiência técnica não se associa à  
redução da desigualdade, rejeitando a Hipótese H1. No caso do Bolsa Família,  
observou-se relação positiva entre eficiência e Índice de Gini, revelando os limites  
redistributivos de políticas focalizadas quando analisadas em termos agregados.  
A Hipótese H2 foi confirmada com robustez: o desemprego é o principal  
determinante estrutural da desigualdade, superando o efeito da eficiência técnica  
dos programas. A Hipótese H3 encontrou suporte parcial, com capital humano,  
informalidade e cobertura de serviços públicos também influenciando a  
desigualdade. Estes achados reposicionam o debate sobre políticas sociais,  
indicando que reduções duradouras da desigualdade requerem endereçar  
determinantes macroeconômicos e estruturais, não apenas melhorar eficiência  
técnica.  
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DESIGUALDADE NO BRASIL?  
A análise temporal revelou que o Auxílio Emergencial apresentou elevada  
eficiência técnica, mas efeitos distributivos conjunturais. O Auxílio Brasil evidenciou  
fragilidades institucionais, enquanto o Novo Bolsa Família sinalizou recomposição  
de desenho, embora persista assimetria regional em termos de eficiência de escala.  
Em síntese, a eficiência técnica é condição necessária, mas insuficiente,  
para reduzir desigualdade. Reduções duradouras requerem: (i) ajuste da escala  
operacional dos programas às realidades territoriais; (ii) fortalecimento de  
capacidades estatais em focalização e monitoramento; e (iii) articulação com  
políticas estruturais de emprego, educação e saúde. Estes achados oferecem  
subsídios baseados em evidências para o aprimoramento da governança e  
dimensionamento das políticas de proteção social no Brasil, destacando que o  
problema da desigualdade é fundamentalmente estrutural, não meramente  
gerencial.  
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