O SOCIALISMO PARTICIPATIVO DE PIKETTY COMO O REMÉDIO PARA A DOENÇA DIAGNOSTICADA POR ROUSSEAU

Autores

Palavras-chave:

Amor-Próprio. Desigualdades Morais e Políticas. Desigualdades Sociais. Ideologia. Socialismo Participativo.

Resumo

Rousseau afirmou, no Segundo Discurso, que as desigualdades naturais não implicam em desigualdades políticas e morais. Afirmou também que as desigualdades sociais (morais e políticas) necessitariam do consentimento humano para serem mantidas. No entanto, ao se ler os Discursos de Rousseau (em especial o Segundo) em consonância com o Contrato Social, pode-se pensar em uma organização social pela qual as desigualdades morais e políticas não são vistas como prejudiciais aos cidadãos e cidadãs da Sociedade Civil. Neste trabalho compra-se a leitura de continuidade entre as obras de Rousseau e, a partir dela, defende-se que o Socialismo Participativo elaborado pelo economista francês Thomas Piketty em Capital et Idéologie pode ser a organização social cuja desigualdades sociais não serão prejudiciais as pessoas, pois elas não minarão o status moral de igualdade entre os cidadãos e cidadãs de uma sociedade. O Socialismo Participativo, por consistir em um arranjo social que tem por objetivo dispersar constantemente a concentração de propriedade – por meio de um sistema de propriedade equilibrado entre propriedades públicas, sociais e temporárias, com um sistema público de heranças e uma constante reforma agrária possibilitada pelo imposto progressivo anual sobre a propriedade –, não permite a existência de desigualdades moralmente arbitrárias entre as pessoas. Desse modo, acredita-se que o regime econômico proposto por Piketty pode ser visto como o remédio necessário para as desigualdades políticas e morais diagnosticadas por Rousseau.

Biografia do Autor

Julio Tomé, Universidade Federal de Santa Catarina

Doutorando em Filosofia no Programa de pós-graduação em Filosofia da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGFIl/UFSC).

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Publicado

25-01-2022

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Artigos