Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 4, n. 2, p. 25-50,
jul./dez., 2024.
A CONTABILIDADE RURAL APLICADA COMO FERRAMENTA GERENCIAL
EM UMA GRANJA NO MUNICÍPIO DE PALMEIRA – PR
1
THE APPLICATION OF RURAL ACCOUNTING AS A MANAGEMENT TOOL IN
A FARM IN PALMEIRA – PR
GILMAR BATISTA MAZUREK
Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG)
E-mail: mazurek@uepg.br
AMANDA MILENE POPOVICZ
Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG)
E-mail: popoviczamandamilede@gmail.com
KAOANE BARCZ COSTA
Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG)
E-mail: kaoanebarscz@gmail.com
RESUMO
A pesquisa explora a importância da contabilidade rural no Brasil, um gigante na produção e
exportação de carne de frango. Apesar do protagonismo do agronegócio, o setor rural enfrenta
desafios na geração de informações contábeis precisas sobre custos e rentabilidade. Essa lacuna,
que muitas vezes leva a decisões baseadas unicamente na experiência, limita a gestão eficaz e o
planejamento. Diante disso, o problema central da pesquisa reside na dificuldade de obter dados
contábeis exatos no ambiente rural. O objetivo geral foi analisar os desafios contábeis em uma
granja específica no município de Palmeira, PR. A metodologia empregou uma abordagem
qualitativa e descritiva, por meio de um estudo de caso. A coleta de dados foi realizada pela
triangulação metodológica, combinando levantamento com o zootecnista, observação direta e
análise documental dos registros financeiros da propriedade. O referencial teórico abordou a
empresa rural, as particularidades da contabilidade rural (incluindo o CPC 29 e a mensuração de
ativos biológicos), a relevância da contabilidade de custos para planejamento e controle
explorando métodos como custeio por absorção (ou RKW), ABC e custeio variável – e a função da
contabilidade gerencial na tomada de decisões. Também detalhou os custos específicos da
avicultura e revisou estudos anteriores que reforçam a essencialidade da contabilidade gerencial no
agronegócio. Os resultados revelaram que a granja estudada, com capacidade para 40 mil frangos,
carecia de um controle de custos efetivo e relatórios de lucro. A análise de cinco lotes de frangos
apontou prejuízos consistentes, evidenciando que a falta de gestão dos custos operacionais,
incluindo depreciação do imobilizado, energia e mão de obra, comprometia o desempenho
financeiro. Em conclusão, a contabilidade rural é uma ferramenta indispensável para a gestão e
tomada de decisão no campo. A ausência de informações contábeis precisas, baseada em
experiências, pode resultar em perdas financeiras e limitar a capacidade de planejamento. É crucial
que produtores, mesmo em sistemas de integração, implementem controles de custos
individualizados e relatórios gerenciais para assegurar uma gestão eficaz e decisões bem
fundamentadas.
1
DOI: https://doi.org/10.5935/2763-9673.20240008
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 4, n. 2, p. 25-50,
jul./dez., 2024.
Palavras-chave: Contabilidade Rural; Gestão de Custos; Avicultura; Tomada de Decisão; Granja
Integrada.
ABSTRACT
The research explores the importance of rural accounting in Brazil, a giant in chicken meat production
and export. Despite the agribusiness’ prominence, the rural sector faces challenges in generating
precise accounting information about costs and profitability. This gap, which often leads to decisions
based solely on experience, limits effective management and planning. Given this, the central
research problem lies in the difficulty of obtaining exact accounting data in rural environments. The
general objective was to analyze the accounting challenges faced by a specific farm in the
municipality of Palmeira, PR. The methodology employed a qualitative and descriptive approach
through a case study. Data collection was conducted by methodological triangulation, combining
surveys with the responsible farm zootechnician, direct observation of accounting practices, and
documentary analysis of the property's financial records. The theoretical framework addressed the
rural enterprise, the specificities of rural accounting (including CPC 29 and biological asset
measurement), the relevance of cost accounting for planning and control—exploring methods such
as absorption costing (or RKW), ABC, and variable costing—and the function of managerial
accounting in decision-making. It also detailed the specific costs in aviculture and reviewed previous
studies reinforcing the essentiality of managerial accounting in agribusiness. The results revealed
that the studied farm, with a capacity for 40,000 chickens, lacked effective cost control and profit
reports. The analysis of five chicken batches showed consistent losses, indicating that the lack of
management of operational costs, including depreciation of fixed assets, electricity, and labor,
compromised financial performance. In conclusion, rural accounting is an indispensable tool for
management and decision-making in the field. The absence of precise accounting information, based
on experience, can result in financial losses and significantly limit planning capacity and effective
management. It is crucial for producers, even within integrated systems, to implement individualized
cost controls and management reports to ensure effective management and well-founded decisions
for the long-term viability of the business.
Keywords: Rural Accounting; Cost Management; Aviculture; Decision-Making; Integrated Farm.
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Gilmar Batista Mazurek, Amanda Milene Popovicz e Kaoane Barcz Costa
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1. INTRODUÇÃO
Produzir alimentos é um talento natural do Brasil, conforme descreve a
Associação Brasileira de Protna animal (ABPA, Relatório Anual 2024), em 2023
a produção de carne de frango cresceu mais de 1.087% e as exportações
cresceram mais de 30 vezes passando de 169 mil toneladas em 1980 para 5,139
milhões de toneladas em 2023, o país é o maior produtor mundial de carne de
frango e o líder mundial das exportações, com o Paraná se destacando como o
maior exportador nacional, isto se a vasta oferta de recursos naturais e insumos,
além de um status sanitário diferenciado somados a fortes investimentos. No
âmbito social, a cadeia produtiva exerce papel fundamental no desenvolvimento de
pequenos e médios municípios do Brasil, sendo aproximadamente 4 milhões de
empregos diretos e indiretos gerados em toda cadeia produtiva, mais de 500 mil
empregos nos frigoríficos e no campo mais de 50 mil famílias de produtores
integrados e independentes (ABPA, 2024).
Ainda segundo o ABPA (2024), a qualidade dos produtos e assegurada pelo
Serviço de Inspeção Federal (S.I.F.), vinculado ao Departamento de Inspeção de
Produtos de Origem Animal (DIPOA) do Ministério da Agricultura e Pecuária
(MAPA), é responsável pelos produtos de origem animal destinados ao mercado
interno e externo.
Neste cenário de grande relevância econômica e social, a contabilidade
surge como uma ferramenta gerencial essencial, capaz de fornecer informações
para planejamento, controle e tomada de decisão, transformando propriedades
rurais em empresas mais aptas a competir, conforme Crepaldi (2019). Entretanto,
a realidade do meio rural dificulta em muitas das vezes a geração de informações
precisas, que reflitam custos, despesas, investimentos e rentabilidade da atividade,
esta última merecedora de grande atenção, pois define decisões de investimentos
e gestão. No meio rural poucas decisões são tomadas fundamentadas por análises
de custos e lucratividade, mais sim pela experiência adquirida pelos proprietários
rurais, sendo uma lacuna importante que impede uma gestão financeira eficaz e
limita a capacidade de planejamento.
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Nesse contexto a pesquisa teve como objetivo geral analisar os desafios
contábeis enfrentados por uma granja específica, localizada no município de
Palmeira, estado do Paraná. A Granja com 2.100 m², fica em uma propriedade de
7 alqueires, atuando como integrada, fornecedora de uma grande empresa do ramo
alimentício. O proprietário rural não possui contabilidade própria ou terceirizada, e
não sentia a necessidade destas informações, que em parte eram trazidas pela
empresa integradora, mostrando desinteresse nas informações.
Para atingir o objetivo proposto, este estudo será dividido em quatro partes
principais. Primeiramente, a Fundamentação Teórica abordará os conceitos
essenciais da contabilidade rural e sua importância como ferramenta gerencial. Em
seguida, a seção de Metodologia detalhará os procedimentos de pesquisa,
incluindo a coleta e análise de dados. O Desenvolvimento apresentará os
resultados da análise dos desafios contábeis da granja em estudo. Por fim, as
Conclusões sintetizarão os achados, propondo recomendações para aprimorar a
gestão contábil no meio rural, reforçando a ideia de que a contabilidade, em sua
essência, é gerencial e indispensável para as necessidades de gestão, controle e
tomada de decisão, como destaca Iudícibus (2020).
2. REFERENCIAL TEÓRICO
2.1. Empresa Rural: Conceitos
Para Horngren (2021), a empresa rural se distingue por operar em um
ambiente que une recursos naturais e humanos, aplicando técnicas e
conhecimentos especializados para maximizar a produção e a eficiência
econômica. Enfatiza que, além de explorar recursos naturais como terra e água,
essas empresas precisam se adaptar constantemente às mudanças econômicas e
tecnológicas para manter sua competitividade e sustentabilidade.
Horngren (2021) sublinha a importância das empresas rurais no
desenvolvimento regional, destacando a necessidade de adotar práticas de manejo
sustentável e inovação tecnológica. Essa abordagem é fundamental para garantir
tanto a viabilidade econômica quanto a sustentabilidade ambiental das atividades
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rurais, atendendo às demandas das comunidades locais e dos mercados
consumidores.
Para Marion (2020), são consideradas empresas rurais aquelas que
exploram a capacidade produtiva do solo, por meio do cultivo da terra, criação de
animais e transformação de determinados produtos agrícolas, além disso, as
empresas rurais podem ser divididas em três grupos distintos, as de produção
agrícola, atividade zootécnica e atividade agroindustrial.
Para Crepaldi (2019) qualquer tipo de empresa rural é composto por um
conjunto de recursos denominados fatores de produção, sendo eles: a terra, o
capital e o trabalho.
Empresa Rural é o empreendimento de pessoa física ou jurídica, blica
ou privada, que explore econômica e racionalmente imóvel rural, dentro
de condição de rendimento econômico da região em que se situe e que
explore área mínima agricultável do imóvel segundo padrões fixados,
pública e previamente, pelo Poder Executivo. Para esse fim, equiparam-
se às áreas cultivadas as pastagens, as matas naturais e artificiais e as
áreas ocupadas com benfeitorias (Crepaldi, 2019, p.6).
A Instrução Normativa RFB 1700, de 14 de março de 2017, em seu art.
217 define as atividades consideradas rurais, como sendo:
I - agricultura; II - pecuária; III - extração e exploração vegetal e animal; IV
- exploração de atividades zootécnicas, tais como apicultura, avicultura,
cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas
animais; V - cultivo de florestas que se destinem ao corte para
comercialização, consumo ou industrialização; VI - venda de rebanho de
renda, reprodutores ou matrizes; VII - transformação de produtos
decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e
as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou
criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas
atividades rurais, utilizando exclusivamente matéria-prima produzida na
área rural explorada (BRASIL, 2017, Art. 249).
No atual Código Civil Brasileiro (Brasil, 2002) em seu art.966, o empresário
é definido como aquele que “exerce profissionalmente atividade econômica
organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviço”, a Lei ainda
trata, no artigo 967, que “É obrigatória a inscrição do empresário no Registro
Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua
atividade.”, sendo assim, o produtor rural passa a ser considerado empresário se
inscrito em Junta Comercial, caso contrário será um produtor rural autônomo.
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As empresas rurais são fundamentais para a economia, pois combinam
recursos naturais e trabalho humano para produzir alimentos e outros produtos.
Segundo Horngreen (2021), elas precisam usar técnicas especiais e se adaptar às
mudanças para se manterem competitivas e sustentáveis, contribuindo assim para
o desenvolvimento das regiões onde estão localizadas. Marion (2020) divide essas
empresas em três grupos principais: aquelas que cultivam a terra, que criam
animais e as que trabalham com a transformação de produtos agrícolas. Crepaldi
(2019) ressalta que, para funcionar bem, uma empresa rural depende de fatores
como terra, dinheiro e mão de obra.
A empresa rural atuando na intersecção entre recursos naturais e humanos,
emprega técnicas para otimizar a produção e a eficiência econômica, exigindo
constante adaptação a mudanças para manter sua competitividade e
sustentabilidade, conforme Horngren (2021). Marion (2020) classifica essas
empresas em produção agrícola, atividade zootécnica e agroindustrial, enquanto
Crepaldi (2019) destaca a terra, o capital e o trabalho como fatores de produção
essenciais. O Código Civil Brasileiro (Brasil, 2002) conceitua o empresário como
aquele que exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a
produção ou circulação de bens ou serviços, e o produtor rural é considerado
empresário se estiver inscrito na Junta Comercial.
A Instrução Normativa RFB 1700 (Brasil, 2017) detalha as atividades
rurais, englobando desde a agricultura e pecuária até a transformação de produtos
in natura. Dessa forma, as fontes convergem ao definir a empresa rural como um
empreendimento que explora racionalmente o imóvel rural, combinando recursos e
adaptando-se às dinâmicas do mercado e às demandas de sustentabilidade, dessa
forma, as empresas rurais têm um papel crucial na sociedade, e uma boa gestão é
essencial para que consigam se adaptar e prosperar em um mundo em constante
mudança.
2.2 Aspectos da Contabilidade Rural
A contabilidade atua sobre diversos tipos de negócio, buscando atender as
demandas por informações de seus usuários na medida das especificidades de
cada atividade, tendo especificidades em cada um dos negócios criando ramos que
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se aprofundam no estudo de atividades específicas, como é o caso da atividade
rural, que tem na contabilidade rural a forma de atendimento destas necessidades
adequando-se a estas, assim.
Um conceito específico a ser explorado analisado é ano agrícola versus
exercício social, de acordo com Marion (2020) a receita concentra-se durante ou
imediatamente após a colheita, a produção agrícola é de caráter sazonal e ocorre
em alguns dias determinados do ano, ao término da colheita e geralmente da
comercialização da colheita, se o encerramento do ano agrícola, na atividade
pecuária o ideal é realizar o encerramento logo após o nascimento dos bezerros ou
o desmame.
Warren et al. (2018) enfatiza a importância da distinção entre ano agrícola e
exercício social. Segundo ele, o ano agrícola é fundamental para a contabilidade
rural, pois reflete a periodicidade específica das atividades produtivas, como o ciclo
de cultivo e colheita, ressaltando que para uma contabilidade eficaz, é crucial que
os profissionais da área compreendam essa sazonalidade e ajustem as práticas
contábeis de acordo com o calendário agrícola, permitindo um melhor
acompanhamento dos resultados financeiros e operacionais, além de garantir que
as receitas e despesas sejam adequadamente reconhecidas e alocadas no período
correto.
Evidentemente, a apuração de resultado quando realizada logo após a
colheita e a comercialização contribui de forma mais adequada na
avaliação do desempenho da safra agrícola; não por que esperar
meses para se conhecer o resultado que é tão importante para a tomada
de decisões, sobretudo a respeito do que fazer no novo ano agrícola
(Marion, 2020, p.4).
A normativa contábil que trata da contabilidade financeira para a atividade
agrícola é o CPC 29 (CPC, 2009), emitido pelo Comitê de Pronunciamentos
Contábeis, o qual objetiva estabelecer o tratamento contábil e as respectivas
divulgações, relacionados aos ativos biológicos e aos produtos agrícolas, ou seja,
deve ser aplicado para a produção agrícola, assim considerada aquela obtida no
momento e no ponto de colheita dos produtos advindos dos ativos biológicos da
entidade. Dentre as principais definições trazidas pela normativa destacamos:
Atividade agrícola: é o gerenciamento da transformação biológica e da
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colheita de ativos biológicos para venda ou para conversão em produtos
agrícolas ou em ativos biológicos adicionais, pela entidade. Produção
agrícola: é o produto colhido de ativo biológico da entidade. Ativo
Biológico: é um animal e/ou uma planta, vivos. Transformação biológica:
compreende o processo de crescimento, degeneração, produção e
procriação que causam mudanças qualitativa e quantitativa no ativo
biológico. Despesa de venda: são despesas incrementais diretamente
atribuíveis à venda de ativo, exceto despesas financeiras e tributos sobre
o lucro. Grupo de ativos biológicos: é um conjunto de animais ou plantas
vivos semelhantes. Colheita: é a extração do produto de ativo biológico ou
a cessação da vida desse ativo biológico (CPC 29, 2009, p. 3-4).
O Pronunciamento 29, traz em seus termos a possibilidade de modificação
da forma de reconhecimento dos resultados das empresas rurais, considerando a
existência de mercados ativos, com preços disponíveis, e valorização certa dos
produtos agrícolas colhidos, passa a adotar como valor de mensuração para estes
produtos o valor justo (fair value), utilizando valores de mercado como base de
avaliação dos estoques de produtos colhidos e outros ativos biológicos, destas
forma antecipando o reconhecimento dos resultados para o momento da colheita,
e não para o ponto da venda (CPC, 2009).
O CPC 29, emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis, estabelece
diretrizes para o tratamento contábil de ativos biológicos e produtos agrícolas. Esse
pronunciamento é aplicável à produção agrícola e cobre todo o processo, desde a
colheita até a comercialização dos produtos obtidos a partir dos ativos biológicos
da entidade. Segundo o CPC 29, atividade agrícola refere-se à gestão do
crescimento e da colheita de ativos biológicos, com o objetivo de vendê-los ou
convertê-los em produtos agrícolas ou novos ativos biológicos. A produção agrícola
é definida como o produto colhido desses ativos biológicos. Ativos biológicos são
identificados como plantas e animais vivos, enquanto a transformação biológica é
o processo que inclui o crescimento e a degeneração desses ativos ao longo do
tempo (CPC, 2009).
A contabilidade rural se distingue de outras áreas contábeis por suas
especificidades inerentes à atividade agrícola, que incluem ciclos produtivos
sazonais e a necessidade de um reconhecimento de resultados que se alinha mais
à realidade do campo. Uma das principais diferenças reside na distinção entre ano
agrícola e exercício social, sendo o primeiro crucial para refletir a periodicidade real
das operações, como o ciclo de plantio e colheita. Essa particularidade permite uma
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apuração de resultados mais imediata e relevante para a tomada de decisões, ao
invés de esperar pelo encerramento do exercício social convencional.
Além disso, a contabilidade rural é regida por normativas específicas como
o CPC 29, que estabelece diretrizes para o tratamento conbil de ativos biológicos
e produtos agrícolas. Essa norma permite a mensuração dos produtos colhidos e
de outros ativos biológicos pelo valor justo, antecipando o reconhecimento dos
resultados para o momento da colheita, e não apenas da venda, o que proporciona
uma visão mais precisa do desempenho da safra.
2.3. Contabilidades de Custos
O CPC 29 trouxe novidades para o ramo agrícola retirando um pouco a
proeminência da contabilidade de custos, mas esta continua com sua relevância no
fornecimento de informações relevantes para os usuários, Martins (2018),
apresenta três destas funções relevantes, sendo elas o auxílio ao planejamento, ao
controle e à ajuda na tomada de decisões.
Se faz importante que as decisões sejam tomadas de forma estratégica, o
que torna o planejamento parte indispensável da gestão. Em resumo, o
planejamento é a abordagem sistemática da tomada de decisões estratégicas pela
empresa” (Santos; Marion; Segatti, 2012, p. 5), ou seja, o planejamento auxilia a
enxergar o futuro do negócio, decisões não são tomadas sem embasamento,
previsões e planos detalhados sobre a empresa e o mercado.
O custeio pode trazer informações como: quais são as atividades de menor
custo, e de maior custo, permitindo a correta valorização dos investimentos em
estoques auxiliando no processo de planejamento. A contabilidade de custos
apresenta diversas técnicas para mensuração e valoração dos estoques, a de
maior utilização e aceita pela legislação fiscal brasileira é o custeio por absorção.
Segundo Crepaldi (2019, p. 260) o “[...] custeio por absorção ou custeio pleno
consiste na apropriação de todos os custos (sejam eles fixos ou variáveis) à
produção agropecuária do período”. Crepaldi (2019), mostra os passos para
realização do custeio por absorção, dentre eles vale destacar a separação dos
custos de produto dos custos de período, e a atribuição dos custos diretos aos
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produtos específicos, enquanto os custos indiretos são atribuídos a centros de
custos, para ai serem incorporados aos produtos. Conforme Santos et al. (2012) o
Custeio por Absorção tem a finalidade de mensurar monetariamente os estoques
de produtos acabados ou em processo, podendo ao fim de um exercício ou
intervalo de tempo apurar o resultado contábil da empresa.
Outra forma de custeio é o chamado ABC (Activity Based Cost), Ribeiro
(2017) define-o como um sistema de custeio que se caracteriza pela atribuição dos
custos indiretos aos produtos através de atividades. Padoveze (2014) ressalta que
o método ABC não afeta a apuração dos custos variáveis e diretos de cada produto,
sendo esta etapa do custeamento a mesma do custeio por absorção, porém difere-
se em outros aspectos, como o de que ele passa a incluir alguns gastos
administrativos e comerciais e procura identificar os elementos causadores dos
gastos de cada atividade, para posteriormente alocá-los aos produtos, tendo um
poder de informação maior, e recomendado para atividades que tenham
concentração de custos indiretos.
O Custeio Pleno ou como também é chamado, RKW (Reichskuratorium für
Wirtschaftlichkeit) é um sistema alemão de custeamento, Crepaldi e Crepaldi (2023)
afirmam que esta sistemática de custeio é a junção de todos os tipos de custos,
ainda complementa que para melhor compreensão deste sistema é necessário
conhecer o sistema de direcionadores de custo ABC, o qual consiste na
apropriação de todas as despesas da empresa a todos os produtos.
Com esse rateio, chega-se ao valor de “produzir e vender” (incluindo
administrar e financiar), que, fossem os rateios perfeitos, nos daria o gasto
completo de todo o processo empresarial de obtenção de receita. Bastaria
adicionar o lucro desejado (ou fixado governamentalmente, como na
época em que essa metodologia nasceu na Alemanha) para obter o preço
de venda final (Crepaldi; Crepaldi, 2023, p. 247).
Como ferramenta de decisão a contabilidade de custos oferece o Custeio
Variável, conhecido também como Custeio Direto, é um tipo de custeamento que
considera como custo de produção de um período apenas os custos variáveis
incorridos, desprezando os custos fixos, os quais são tratados como despesas do
período (Crepaldi; Crepaldi, 2017). No custeio variável, somente os custos que
variam diretamente com a produção, e consequentemente os produtos, são
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atribuídos a estes, os demais custos são alocados para os períodos contábeis, essa
sistemática de custeio tem uma boa aderência nas decisões de curto prazo, e para
otimizar a produtividade de equipamentos e atividades, sendo largamente
empregada gerencialmente.
Muito embora o CPC 29 tenha retirado uma parte da proeminência da
contabilidade de custos na atividade rural, sua relevância persiste no fornecimento
de informações para planejamento, controle e decisões estratégicas, municiando o
planejamento com informações sobre os valores investidos na atividade através do
custeio por absorção, favorecendo as tomadas de decisão de maximização de
ativos com o custeio direito, melhorando a possibilidade de conhecer o real custo
despendido pelos produtos através das técnicas do custeio ABC, e observando a
magnitude de todos os gastos envolvidos em produzir, administrar, vender através
da sistemática do RKW, que é uma ferramenta de custeamento pleno dos produtos,
assim estas ficam à disposição da contabilidade rural para municiar os produtores
com dados úteis para suas tomadas de decisão.
2.4 Contabilidade Gerencial e Tomada de Decisões
A contabilidade gerencial busca fornecer através de relatórios, informações
acerca da variação do patrimônio. De acordo com Institute of Management
Accountants (IMA – Instituto dos Contadores Gerenciais), pode-se afirmar que:
A contabilidade gerencial é o processo de identificação, mensuração,
acumulação, análise, preparação, interpretação e comunicação das
informações financeiras usadas pela administração para planejar, avaliar
e controlar uma organização e assegurar o uso adequado e a
responsabilização por seus recursos (Marion, 2017, p. 3).
Conforme Marion (2017) para a maioria das empresas, atingir o Lucro é de
suma importância, no meio rural não seria diferente, a obtenção de lucro é essencial
para sustentação do negócio, desta forma os relatórios gerados através de
embasamento na contabilidade gerencial, podem agregar com informações que
levem a construção de um negócio que agrada tanto aos administradores quanto
aos clientes, o primeiro visando menores custos de produção e melhor qualidade
possível em seus produtos e o segundo menores preços e de mesma forma a
qualidade.
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Para Iudícibus (2006), a Contabilidade tradicional, que servia para tomada
de decisão dos donos e proprietários dos negócios, com o passar do tempo foi
ampliando seu universo de interessados e usuários, tornou-se mais complexa e por
muitas vezes não prestou seu verdadeiro valor a quem realmente interessa.
Iudícibus (2006) completa que diante dessa “externalização”, a Contabilidade foi
compelida a padronizar suas informações, dando origem aos princípios de
Contabilidade, e a seguir às regras dos órgãos reguladores.
Marion (2017) ressalta que a Contabilidade gerencial se diferencia da
contabilidade financeira, uma vez que as informações trazidas nos relatórios têm o
enfoque no usuário interno da entidade, ou seja para todas as pessoas que
trabalham na organização, proprietários, acionistas, altos executivos, gerentes e
administradores, que atuam no controle interno da organização, na tomada de
decisões ou no cumprimento de suas metas, mas diferente da contabilidade
financeira que é obrigatória e regida por normas oficiais, sendo seu objetivo o de
fornecer informações acerca do patrimônio e de suas variações, a contabilidade
gerencial utiliza além destas informações outras de controles internos para auxiliar
na tomada de decisões dos seus usuários.
No que se refere à tomada de decisões, Garrison et al. (2012) falam que
talvez a capacidade mais básica gerencial seja a de tomar boas decisões baseadas
em dados e que de modo geral muitas decisões giram em torno de três questões:
o que devemos fazer, a quem devemos atender e como devemos proceder.
No debate entre autores, enquanto Iudícibus (2006) aponta a complexidade
e a padronização da contabilidade tradicional como um entrave à sua utilidade para
a gestão interna, Marion (2017) ressalta a contabilidade gerencial como uma
ferramenta essencial, focada em atender às necessidades dos usuários internos da
organização, fornecendo informações que vão além dos dados patrimoniais e
auxiliam na identificação, mensuração, análise e comunicação de dados financeiros
para planejamento, avaliação e controle. Essa abordagem se mostra crucial para a
contabilidade rural, servindo de ponte para discussões mais específicas sobre
como os custos na avicultura, impactam a lucratividade e a tomada de decisões
estratégicas de "o que fazer, a quem atender e como proceder", conforme Garrison
et al. (2012).
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2.5 Custos na Avicultura
A avicultura, especialmente a de frangos de corte, praticada pelos
integrados, tem como finalidade o recebimento de pintinhos de 5 dias e entrega dos
mesmos após 35 a 45 dias dependendo do mercado que a integradora visa atender,
sendo fornecidos os insumos e medicamentos pelo integrador e os demais custos
sendo de responsabilidade da integrada, a busca por qualidade e melhoria nos
processos faz com que se tenha a necessidade de geração de informações sobre
os custos da atividade, nesse sentido Crepaldi diz que “determinar os custos de
produção mostram informações importantes para que os avicultores possam
efetuar uma análise consistente dos resultados da sua atividade” (Crepaldi, 2019,
p. 325).
Desta forma, Crepaldi (2019) apresenta a contabilidade de custos
diretamente aplicada na atividade avícola, onde basicamente seguem-se os
princípios conhecidos sobre a contabilidade de custos, porém levando-se em
consideração aspectos como a necessidade de o pequeno avicultor unir-se a
integrações, fazendo parte de um sistema de comercialização que garante a
absorção do produto, o que blinda o produtor da competitividade acirrada do
mercado e os custos exclusivos desta atividade.
Como custos da atividade, Crepaldi (2019) apresenta Insumos, ração,
medicamentos utilizados, conservação e manutenção do galinheiro, instalações,
mão de obra, além de outros gastos como energia elétrica, água, combustível e
impostos. Além destes custos da atividade, consideram-se também características
do lote de pintos, como o número adquirido no lote, taxa de mortalidade, peso médio
por pintinho e preço de venda por quantidade. Através dos controles dos
indicadores de qualidade e dos custos da atividade é realizada a apuração do custo
do quilo do frango vivo a cada período sob análise.
A tomada de decisão bem fundamentada traz mais segurança e certeza
para o avicultor. Sabe-se que não existe um custo de produção que
represente a realidade de todos os avicultores. Cada propriedade, cada
aviário, possui um custo de produção diferenciado. Também cada
avicultor deve efetuar o acompanhamento do seu custo de produção
individualmente (Crepaldi, 2019, p. 325).
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Conforme Crepaldi (2019), a contabilidade de custos na avicultura,
especialmente em granjas sob contratos de integração, é vital para que o avicultor,
mesmo com a garantia de absorção do produto pela integradora, possa analisar os
resultados e tomar decisões assertivas. A apuração do custo do quilo do frango
vivo, que engloba insumos, ração, medicamentos, manutenção, mão de obra,
energia e outros gastos, além de características do lote como taxa de mortalidade
e peso, é fundamental. Isso se porque cada propriedade e aviário possui um
custo de produção distinto, reforçando a necessidade de um controle de custos
individualizado para uma tomada de decisão bem fundamentada e segura.
2.6. Estudos Anteriores
Silva e Brito (2024) em seu artigo abordaram a essencialidade da
contabilidade gerencial na otimização da produção e no aumento da rentabilidade
das propriedades pecuárias no Brasil, para isso foi realizada a análise de dados
financeiros de uma empresa real chamada Agrogado Ltda., o estudo reforça que a
contabilidade gerencial é um componente indispensável para o crescimento e a
competitividade das propriedades pecuárias brasileiras. Os resultados obtidos
evidenciaram a eficácia da contabilidade gerencial na análise de custos e a
precificação, como também promovem uma gestão de recursos mais eficiente.
Concluiu-se que as práticas contábeis robustas podem levar a uma maior
rentabilidade do ativo e do patrimônio líquido.
Dagostin, Robetti e Pereira (2021) tiveram como objetivo identificar a
percepção de um produtor rural que exerce atividade avícola sobre a utilização da
contabilidade rural na atividade, o estudo concluiu que a atividade avícola é
atualmente uma fonte de renda viável, uma vez que requer pouco esforço físico,
trouxe como conclusão também que o produtor rural considera a contabilidade
como uma atividade complexa e que o pagamento de honorários contábeis
acarretaria em um aumento de custo da atividade, apesar de reconhecer a
importância da contabilidade rural ao evidenciar a viabilidade do negócio e seus
resultados financeiros.
O artigo de Kruger, Mendes e Camargo (2015) com objetivo de evidenciar
a mensuração contábil da atividade leiteira comparando os critérios de avaliação
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pelo custo histórico e valor justo, seus resultados evidenciaram a importância da
utilização da contabilidade no processo de análise dos custos das atividades
desenvolvidas no meio rural, bem como do Pronunciamento Contábil CPC 29 como
critério de avaliação e mensuração dos ativos biológicos, visando evidenciar
adequadamente o patrimônio das entidades rurais.
A pesquisa de Dagostin et al. (2018) teve como objetivo realizar o
diagnóstico do resultado contábil da atividade avícola em uma propriedade rural da
região Sudoeste do Paraná, para isso foi realizado um estudo de caso e através de
visitas agendadas na propriedade estudada e de entrevista não estruturada com o
avicultor, chegou-se à apuração dos resultados, que por sua vez evidenciaram
prejuízos nos períodos analisados.
Os estudos sobre contabilidade rural, apesar de se debruçarem sobre
diferentes ramos do agronegócio, convergem na defesa de sua importância
gerencial para o desenvolvimento e rentabilidade das propriedades. Silva e Brito
(2024), ao analisar uma empresa pecuária, destacam a eficácia da contabilidade
gerencial na análise de custos e precificação, promovendo gestão eficiente de
recursos e maior rentabilidade. Dagostin, Robetti e Pereira (2021) e Dagostin et al.
(2018), focando na avicultura, ressaltam a viabilidade da atividade e a necessidade
de apuração de resultados, mesmo com a percepção do produtor sobre a
complexidade contábil e seus custos.
Kruger, Mendes e Camargo (2015), por sua vez, ao comparar critérios de
avaliação na atividade leiteira, reforçam o papel da contabilidade na análise dos
custos e na correta mensuração do patrimônio. Em essência, todos os autores
sublinham que, independentemente do tipo de produção, a utilização das
informações contábeis, em especial dos custos de produção, é um pilar para a
melhor gestão e para a tomada de decisões na propriedade rural, assegurando a
continuidade e o sucesso do negócio, um ponto crucial para a avicultura moderna.
3. METODOLOGIA
A abordagem desta pesquisa é qualitativa, com o objetivo de examinar a
aplicação da contabilidade gerencial em uma propriedade rural situada no
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município de Palmeira PR. A pesquisa combina a análise de aspectos qualitativos
da propriedade, que atua no setor avícola, para gerar informações relevantes para
a administração rural. Segundo Gil (2007), a pesquisa qualitativa se distingue
por focar na compreensão profunda e detalhada de fenômenos, buscando entender
as particularidades e nuances do objeto de estudo, ao invés de apenas medir e
quantificar dados, neste caso, a propriedade rural. Assim, a pesquisa qualitativa
explora aspectos da realidade que não podem ser quantificados, focando em
significados e contextos.
A pesquisa possui objetivo descritivo, visando coletar uma gama detalhada
de informações sobre o objeto de estudo. Para isso, foi realizado um estudo de
caso, cuja finalidade é aprofundar a descrição de uma realidade específica
(Triviños, 1987). A escolha do estudo de caso se justifica por sua capacidade de
proporcionar um entendimento detalhado de uma situação delimitada, permitindo
que os resultados obtidos ofereçam subsídios para a formulação de novas
hipóteses e o desenvolvimento de pesquisas futuras (Triviños, 1987).
Para garantir a validade e a robustez dos dados coletados, a pesquisa
adotou técnicas de triangulação metodológica. Essa abordagem envolveu a
combinação de diferentes métodos de coleta de dados, incluindo levantamento de
dados junto ao zootecnista responsável técnico da granja, observação direta das
práticas contábeis e análise documental dos registros financeiros da propriedade.
A triangulação metodológica permite uma análise mais rica e confiável, ao integrar
diferentes fontes de dados e perspectivas, proporcionando uma visão mais
abrangente da aplicação da contabilidade gerencial no contexto específico da
propriedade avícola.
4. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
4.1. Informações Obtidas com o Responsável Técnico
A coleta de dados junto ao zootecnista da integradora, buscou entender os
predicados buscados por esta em seus integrados, para uma melhoria da qualidade
dos produtos e caminhos para melhoria nos retornos da granja sob análise.
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Pelos dados fornecidos ficou evidenciado que um dos desafios a serem
enfrentados é o controle eficiente da conversão alimentar. Destacando a
necessidade de monitorar com precisão a média aplicada pela empresa, que isso
impacta diretamente na lucratividade. Essa observação complementa os dados do
inventário, que mostraram uma variação significativa nos estoques de ração entre
os períodos analisados, sugerindo um monitoramento deficiente.
Também a importância do setor de qualidade no aviário, apontando que este
pode ser decisivo para gerar perdas ou lucros, dependendo do manejo, podendo
resultar em custos inesperados. Também foi mencionada a relevância dos cuidados
com os equipamentos, explicando que "uma falha no sistema de ventilação, por
exemplo, pode aumentar a taxa de mortalidade das aves, afetando diretamente a
produção". Isso mostra a necessidade de uma maior integração entre as equipes
técnica e contábil da granja, para que tanto os custos preventivos quanto os
corretivos sejam devidamente registrados e previstos nos relatórios gerenciais.
Os dados reforçam como a falta de gestão adequada dos custos
operacionais pode prejudicar o desempenho financeiro da granja. Isso destaca a
importância de implementar relatórios gerenciais e tecnologias que permitam um
acompanhamento mais preciso dos gastos.
4.2 Inventário
Os dados da pesquisa foram obtidos referente aos meses de março a agosto
de 2024, sendo efetivada seu levantamento em setembro do mesmo ano.
A granja é composta por um barracão de 2.100 m², com capacidade de alojar
40 mil frangos. Para ventilação e controle da umidade, existem 12 exaustores, no
auxílio de transporte de materiais um trator Massey Ferguson Modelo 275 4X4
Ano 1995, para o controle de temperatura a granja possui um forno que é
abastecido com pellets, no auxílio do processo produtivo dois batedores de
cama no modelo branco tratorito, para controle e gerenciamento de todos os
equipamentos da granja controlando a luminosidade, ventilação e temperatura
existe um painel de controle com atualmente um ano de uso. Para alimentação a
granja possui o total de 4.410 comedouros e bebedouros sendo 3.400 comedouros
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adultos, 850 bebedouros e 160 comedouros infantis. A granja é de sistema Dark
House, ou seja, controla a luminosidade através de cortinas para acelerar o
processo de engorda dos frangos, para isso são utilizadas no total 4 cortinas. Por
fim, a granja possui dois silos de metal para armazenamento de ração, com
capacidade de armazenar até 15.000 kg.
TABELA 1 – Ativos Imobilizados.
Imobilizado Quantidade
Valor de
aquisição
(R$)
Base da
depreciação
(R$)
Depreciação
Vida útil
(Anos)
Aquisição
(Anos)
Trator 1 75.000 75.000 5 20 13
Máquina 2 6.700 13.400 10 10 3
Silos 2 8.000 16.000 10 10 10
Forno 1 32.000 32.000 10 10 2
Cortina 4 6.000 24.000 20 5 1
Comedouro 3400 80 272.000 20 5 3
Bebedouro 850 80 68.000 20 5 3
Comedouro infantil 160 80 12.800 10 5 2
Exaustores 12 38.400 460.800 4 10 2
Barracão 1 150.000 150.000 10 25 13
Painel de Controle 1 4.000 4.000 139 10 1
Total 4.434 320.340 1.128.000 - 115 53
Fonte: dados da pesquisa (2024).
A tabela 1 refere-se à composição do imobilizado, vale ressaltar que os
valores utilizados para vida útil de cada ativo não foram retirados da tabela de
depreciação da Receita Federal, foi considerada a vida útil que o ativo possui em
média na realidade da produção da granja estudada. O valor de aquisição dos
ativos imobilizados se deu por uma pesquisa de mercado, pois o produtor não
possuía mais as notas fiscais dos bens.
Na tabela 2 observa-se o valor da depreciação mensal de cada ativo,
totalizando em uma depreciação de R$11.477,50.
TABELA 2 – Valor da Depreciação Mensal.
Imobilizado
Valor da Depreciação Mensal
Trator R$ 312,50
Máquina R$ 111,67
Silos R$ 133,33
Forno R$ 266,67
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Cortina R$ 400,00
Comedouro R$ 4.533,33
Bebedouro R$ 1.133,33
Comedouro infantil R$ 213,33
Exaustores R$ 3.840,00
Barracão R$ 500,00
Painel de Controle R$ 33,33
Total
R$ 11.477,50
Fonte: dados da pesquisa (2024).
4.3. Apuração do Lucro
Não foram encontrados relatórios que permitissem o conhecimento sobre o
real lucro do produtor, pois não era realizado um controle dos custos envolvidos em
sua atividade, desta forma foram elaborados os controles dos custos e estes
comparados ao valor bruto recebido pelo produtor, evidenciando o lucro de cada
período.
Para análise foram utilizadas as informações de cinco lotes, os quais
possuem duração de 28 e 30 dias, desde o alojamento dos pintinhos até seu abate.
TABELA 3 – Apuração do Lucro.
Data
Plantel no final do
período (quantidade)
Custo
por
cabeça
(R$)
Lucro por cabeça
(R$)
Lucro total (R$)
29/02 até 27/03 36.325 0,66 (0,13) (4.604,24)
09/04 até 07/05 35.302 0,70 (0,12) (4.391,61)
17/05 até 13/06 37.414 0,64 (0,22) (8.278,87)
28/06 até 25/07 36.967 0,65 (0,01) (315,23)
30/07 até 28/08 36.396 0,64 (0,24) (8.838,38)
Fonte: dados da pesquisa (2024).
Na tabela 3 está demonstrada a apuração final do lucro, para isto foram
utilizados os valores fornecidos nos relatórios de informações da produção
integrada, que evidenciam todos os indicadores que influenciam na remuneração
do produtor, bem como as características de cada lote de pintos, como valor,
quantidade alojada e peso.
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Também foram levados em consideração do produtor que não faziam parte
dos relatórios, como energia elétrica, combustível, manutenção, impostos, mão de
obra e depreciações.
TABELA 4 – Receita Bruta por Lote.
Data
Receita Bruta por Ave
Receita Bruta do Lote
29/02 até 27/03 0,53 R$ 19.141,87
09/04 até 07/05 0,58 R$ 20.616,50
17/05 até 13/06 0,42 R$ 15.730,78
28/06 até 25/07 0,64 R$ 23.835,33
30/07 até 28/08 0,40 R$ 14.497,22
Fonte: dados da pesquisa (2024).
Os dados da Tabela 4 também foram retirados dos RIPI’s (Relatório de
Informações da Produção Integrada) de cada lote. Comparando os valores da
Tabela 3 com os valores da Tabela 4 observa-se que houve prejuízo em todos os
períodos.
Na tabela 5 estão dispostos os valores dos custos de cada lote, ao que se
refere aos valores de manutenção, o valor de R$ 1.200,00 é da manutenção de
contatores do poço artesiano, e o valor de R$ 600,00 refere-se a manutenção do
motor dos exaustores, os quais são responsáveis pela ventilação da granja, as
manutenções foram consideradas nos lotes em que precisaram ser realizadas, pois
não se sabe ao certo de quanto em quanto tempo são necessárias estas
manutenções, sendo consideradas esporádicas.
A mão de obra na granja estudada é totalmente familiar, não havendo
contratação de funcionários, para este caso foi utilizado o valor de R$ 1.856,94 que
corresponde ao valor mínimo estipulado pelo governo que pode ser pago
mensalmente a um trabalhador agropecuário no Paraná em 2024, como pró-labore
do produtor e sua esposa que trabalham na granja.
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TABELA 5 – Discriminação dos Custos de cada Lote em R$.
29/02 até
27/03
09/04 até
07/05
17/05 até
13/06
28/06 até
25/07
30/07 até
28/08
Maravalha 4.200,00 4.200,00 4.200,00 4.800,00 4.200,00
Manutenção - 1.200,00 - 600,00 -
Depreciação 11.477,50 11.477,50 11.477,50 11.477,50 11.477,50
Pessoal 3.730,13 3.730,13 3.730,13 3.730,13 3.730,13
Senar 55,72 58,18 55,39 65,41 59,19
Funrural 362,18 378,16 360 425,20 348,71
Ass. Avicultores 17,43 17,43 17,43 17,43 17,43
Energia Elétrica 2.775,46 2.567,30 2.914,23 2.220,37 2.289,75
Pellets 5.250,00 5.250,00 5.250,00 5.250,00 5.250,00
Diesel 116,80 116,80 116,80 116,80 116,80
Gasolina 87,52 87,52 87,52 87,52 87,52
Total 23.856,49 29.066,77 28.192,75 28.174,11 23.396,78
Fonte: dados da pesquisa (2024).
A energia elétrica foi considerada o total das faturas dos meses de março
até agosto e distribuídos para cada lote somados aos valores dos intervalos de
cada alojamento. Entre o intervalo de seis meses citados, ocorreram cinco lotes,
com a duração de 28 e 30 dias. Para o aquecimento da granja é utilizado um forno,
cujo é abastecido com pellets de madeira, para apuração de seu custo foi realizada
a média de consumo de 3 toneladas de pellets por lote multiplicado pelo valor pago
de R$ 1.750,00 por tonelada.
A gasolina e o diesel são utilizados respectivamente para o trator e os
batedores de cama, o trator consome em média 40 litros de diesel por lote, os
batedores de cama consomem em média 12 litros de gasolina por lote, estes
valores foram multiplicados pelo valor da gasolina e do diesel encontrados no posto
em que o produtor abastece.
A maravalha utilizada para forração, tem duração de 5 lotes sendo utilizados
por volta de 300 metros para forração de toda a granja, o preço pago pelo produtor
é em média 70 reais por metro, desta forma foi dividido o custo da maravalha pelos
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5 lotes de duração até sua troca. Destaca-se que a ração e a saúde das aves são
custeadas pela empresa parceira.
4.4. Fluxo de Caixa
O fluxo de caixa foi realizado pelo Método Direto, ou seja, houve a
evidenciação de todos os recebimentos e pagamentos decorrentes das atividades
operacionais da granja por seus valores brutos. Para realizar o Fluxo de Caixa
foram utilizadas informações de entradas e saídas de caixa do período dos cinco
lotes, ou seja, de 29 de fevereiro até 28 de agosto do ano de 2024.
TABELA 6 – Entradas e Saídas em R$.
Lotes
29/02 até
27/03
09/04 até
07/05
17/05 até
13/06
28/06 até
25/07
30/07 até
28/08
Saldo Inicial
-
(17.193,76)
(13.094,66)
(13.498,07)
(7.525,23)
Entradas
Recebimento
lote
19.141,87 20.616,50 15.730,78 23.835,33 R$ 14.497,22
Incentivo
Projeto
Autônomo
8.718,00 8.472,48 8.979,36 8.872,08 R$ 8.735,04
Auxílio sinistro
- - 2.982,40 - 6.361,15
Total de
Entradas
27.859,87 29.088,98 27.692,54 32.707,41 29.593,41
Saídas
Empréstimo 8.300,10 8.036,14 11.730,78 8.381,47 14.652,29
Associação
dos avicultores
17,43 17,43 17,43 17,43 17,43
Energia
elétrica
1.931,77 1.931,77 2.564,15 3.876,86 2.122,19
Manutenção 21.000,00 1.200,00 - 600,00 -
Maravalha 4.200,00 4.200,00 4.200,00 4.200,00
Combustível 204,32 204,32 204,32 204,32 204,32
Prolabore 3.713,88 3.713,88 3.713,88 3.713,88 3.713,88
Funrural(1,3%)
362,18 378,16 360,00 425,20 384,71
Senar (0,20%)
55,72 58,18 55,39 65,41 59,19
Total de
Saídas
45.053,63 24.989,88 28.095,95 26.734,57 30.604,01
Saldo Final
(17.193,76)
(13.094,66)
(13.498,07)
(7.525,23)
(8.535,83)
Fonte: dados da pesquisa (2024).
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A CONTABILIDADE RURAL APLICADA COMO FERRAMENTA GERENCIAL EM UMA GRANJA NO MUNICÍPIO DE
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jul./dez., 2024.
As entradas consistem em recebimento do lote, incentivo projeto autônomo
e auxílio sinistro. As saídas consistem em desconto de empréstimo, valor de
contribuição a Associação dos Avicultores, energia elétrica, manutenção,
combustível, forração, pró-labore, Funrural e Senar. A propriedade possui poço
artesiano, por este motivo não houve pagamento de conta de água, contudo nos
valores de manutenção inclui-se também a manutenção do poço.
Como o produtor é pessoa física, na prática nãoa separação do caixa da
atividade com os gastos pessoais, com o fluxo de caixa é possível enxergar as
entradas e saídas relacionadas diretamente à produção e fomentar esta separação
dos negócios com o que é pessoal.
Observa-se na tabela 6 que o saldo final do caixa em todos os lotes foi
negativo, sendo o período de 28/06 até 25/07 houve a maior receita da venda dos
frangos totalizada em R$23.835,33.
5. CONCLUSÃO
Ao analisar os desafios contábeis enfrentados pela granja na cidade de
Palmeira, PR, utilizando das ferramentas de contabilidade gerencial, possibilitou
demonstrar o resultado da atividade, bem como evidenciou informações que antes
não eram conhecidas pelo produtor.
O conhecimento sobre os indicadores que impactam a receita é essencial
para cortar custos, o que influencia diretamente na lucratividade do negócio,
verificando os resultados o produtor mensurava unicamente pelos relatórios
disponibilizados pela empresa parceira, os resultados da pesquisa evidenciaram a
importância dos controles de custo da atividade, para a real melhoria da
lucratividade, bem como geração correta desta informação sob o ponto de vista do
usuário interno, sem o viés da integradora.
Através da busca das informações junto ao supervisor técnico da
propriedade, da empresa integradora, foi possível conhecer importantes ações a
serem tomadas pelo produtor, e com o levantamento dos ativos envolvidos no
processo produtivo, os custos e despesas da atividade, foi possível verificar que o
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produtor obteve prejuízo nos cinco lotes analisados, e este resultado se verificou
considerando que as margens obtidas não foram suficientes para suportar a
depreciação dos ativos utilizados.
Desta forma, a atividade mostrou-se deficitária, sendo o prejuízo total dos
lotes de R$ 39.028,32, tal conclusão entrou em acordo com os resultados obtidos
por Dagostin et al. (2018) e foi contrária aos resultados de Dagostin, Robetti e
Pereira (2021).
Apesar dos resultados negativos, a atividade despende pouco esforço no
processo produtivo quando comparado a outras atividades realizadas pelo produtor
e como remuneração foi considerado um valor de pró-labore totalizando nos cinco
lotes R$ 22.283,28, o que garante uma renda à família do produtor.
Os resultados da pesquisa se referem exclusivamente a granja estudada e
não podem ser generalizados para todas as granjas, considerando as
especificidades do método de estudo de caso adotado.
Para a realização desta pesquisa foram encontradas dificuldades em relação
à falta de bibliografias e pesquisas relacionadas ao tema, além de muitas das
informações, decorrentes de relatórios e registros formais, necessárias para a
realização da contabilidade gerencial da granja estudada não estarem acessíveis
com facilidade.
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