Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 4, n. 2, p. 71-92,
jul./dez., 2024.
LOGÍSTICA NO TRANSPORTE DE CARGA: UMA REVISÃO DA LITERATURA
1
LOGISTICS IN CARGO TRANSPORTATION: A LITERATURE REVIEW
ALEXANDRA DIDOMENICO GARCIA
Universidade do Vale do Taquari (UNIVATES)
E-mail: xanda.dido.06@gmail.com
LUCIMARA FIORESE
Universidade do Vale do Taquari (UNIVATES)
E-mail: lucimara@universo.univates.br
RESUMO
Esta pesquisa objetivou analisar por meio de uma revisão da literatura as maneiras que as empresas
realizam a otimização de rotas em seus processos de logística intermunicipais e/ou interestaduais
no transporte de cargas. A metodologia envolveu pesquisa descritiva e bibliográfica, sendo
coletados os dados no Google Acadêmico, os quais foram analisados por meio da descrição
histórica e conceitual sobre a logística, de quadros e do software Iramuteq. Os resultados
demonstram a origem da logística desde as civilizações antigas. Destaca o papel das empresas na
criação de rotas logísticas, com o uso de sistemas informatizados para controle e rastreio que visam
a otimização, a qual é estudada por meio de análises de dados sobre a eficiência de carga e de
custos. Dessa forma, acontece a padronização de processos com programas e softwares, além de
inovações. Por fim, entendeu-se a via rodoviária prevalece como principal meio de transporte entre
empresas e clientes por meio de transporte próprio e terceirizado.
Palavras-chave: Logística; Otimização de rotas; Informatização; Roteirização.
ABSTRACT
This research aimed to analyze through a literature review how companies optimize routes in their
intermunicipal and/or interstate logistics processes for cargo transportation. The methodology
involved descriptive and bibliographical research, with data collected from Google Scholar, which
were analyzed through historical and conceptual descriptions of logistics, tables, and the Iramuteq
software. The results demonstrate the origin of logistics since ancient civilizations. It highlights the
role of companies in creating logistical routes, using computerized systems for control and tracking
aimed at optimization, which is studied through data analyses on load efficiency and costs. Thus,
process standardization occurs with programs and software, along with innovations. Finally, it was
understood that the road transport remains the main means of transportation between companies
and customers through both own and outsourced transport.
Keywords: Logistics; Route optimization; Computerization; Route Planning.
1
DOI: https://doi.org/10.5935/2763-9673.202400010
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Alexandra Didomenico Garcia e Lucimara Fiorese
LOGÍSTICA NO TRANSPORTE DE CARGA: UMA REVISÃO DA LITERATURA
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1. INTRODUÇÃO
Em concepções históricas, a logística está alicerçada nas civilizações
antigas, sendo uma atividade que busca trazer equilíbrio entre as mais variadas
atividades empresariais com objetivo de maximização de lucro (Paura, 2011). A
logística é o ramo do conhecimento que estuda a movimentação e a armazenagem
de materiais para que estejam no local e momento certo para atendimento da
demanda, reduzindo custos, melhorando a qualidade e fluxo das informações e o
nível de serviço (Matos Jr. et al., 2013, p. 2). Além disso, é considerado como custo
logístico “todo o processo de estoque, inventário, processamento de pedidos.
transporte, entre outros” (Araujo, 2021, p. 13).
Embora a logística aplicada ao transporte de cargas já seja abordada na
literatura, especialmente no que se refere à redução de custos, eficiência
operacional e gestão de estoques, observa-se que os estudos ainda se
concentram, em grande medida, em análises gerais dos sistemas logísticos ou em
contextos específicos de grandes centros urbanos e cadeias globais de
suprimentos. No entanto, pesquisas sobre roteirização, por sua vez,
frequentemente privilegiam modelos matemáticos ou simulações computacionais,
deixando lacunas quanto à compreensão de como as empresas, na prática,
estruturam e otimizam seus processos de roteirização em operações
intermunicipais e interestaduais, marcadas por variáveis como infraestrutura viária,
restrições operacionais e diversidade de demandas regionais.
Desse modo, o presente estudo almeja contribuir para o avanço do
conhecimento ao explorar esse recorte específico, evidenciando práticas, desafios
e soluções adotadas pelas organizações, o que reforça sua relevância acadêmica
e sua aplicabilidade gerencial. Nesse sentido, este estudo envolveu o seguinte
problema de pesquisa: como as empresas otimizam as roteirizações nos processos
de logística intermunicipais e/ou interestaduais no transporte de cargas?
Ainda, este estudo justifica-se pela necessidade que as empresas têm de
desenvolver controle de rotas eficientes, pois, para Ballou (2007), elaborar boas
soluções para o problema de roteirização e programação de veículos torna-se cada
vez mais difícil na medida em que novas restrições são impostas. Ademais, ao se
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reduzir custo, por meio da decisão de rota, “é possível fazer melhor uso dos
recursos existentes, fazer entregas inteligentes, ter maior controle das rotas” (Matos
Jr. et al., 2013, p. 4). Entende-se que as atividades relacionadas à logística de
transporte “consiste basicamente na movimentação de mercadorias, não somente
de uma região para outra, mas também dentro da empresa” (Paura, 2011, p. 35).
Ainda, este estudo justifica-se pela necessidade crescente que as empresas
têm de desenvolver e aprimorar o controle de rotas de transporte, em um cenário
marcado pelo aumento da competitividade, pela elevação dos custos operacionais
e pela ampliação das exigências dos clientes quanto a prazos e níveis de serviço.
Conforme Ballou (2007), a elaboração de boas soluções para os problemas de
roteirização e programação de veículos torna-se progressivamente mais complexa
à medida que novas restrições são incorporadas às operações, tais como
limitações de infraestrutura, janelas de tempo, legislação de transporte e
variabilidade da demanda.
Nesse contexto, a relevância deste estudo reside, do ponto de vista teórico,
em contribuir para o aprofundamento das discussões sobre logística de transporte
e roteirização, ao articular conceitos clássicos da literatura com a análise de
práticas adotadas pelas empresas em operações intermunicipais e interestaduais,
ampliando a compreensão sobre como esses processos são estruturados e
gerenciados na realidade organizacional. Também, o estudo reforça e atualiza o
debate acadêmico sobre a importância estratégica da logística de transporte,
evidenciando a roteirização como elemento central para a eficiência dos sistemas
logísticos. Sob a perspectiva empírica, as discussões conduzidas permitem
identificar benefícios concretos decorrentes da adequada decisão de rotas, uma
vez que a redução de custos por meio da roteirização possibilita melhor uso dos
recursos existentes, entregas mais inteligentes e maior controle operacional das
rotas (Matos Jr. et al., 2013).
Ademais, ao considerar que as atividades logísticas de transporte consistem
basicamente na movimentação de mercadorias entre regiões e também no interior
das organizações (Paura, 2011), o estudo contribui ao evidenciar como as
empresas enfrentam desafios cotidianos e adotam soluções práticas para otimizar
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seus fluxos de transporte, oferecendo subsídios tanto para gestores quanto para
pesquisadores interessados no aprimoramento dos processos logísticos.
Diante contexto, este artigo objetiva analisar por meio de uma revisão da
literatura as maneiras que as empresas realizam a otimização de rotas em seus
processos de logística intermunicipais e/ou interestaduais no transporte de cargas.
Para tal, este artigo estrutura-se em sete seções, a primeira traz a introdução com
seus questionamentos, justificativas e objetivos. A segunda seção traz o caminho
metodológico que norteou esta pesquisa. A terceira e a quarta seção apresentam
o embasamento teórico. A quinta seção envolve a revisão de literatura analisada
por meio de nuvem de palavras e dendograma. Por fim, na última seção se
apresenta as considerações finais sobre este artigo.
2. METODOLOGIA
Este estudo envolveu pesquisa descritiva e bibliográfica, sendo que a
pesquisa bibliográfica é “elaborada a partir de material já publicado, constituído
principalmente de: livros, revistas, publicações em periódicos e artigos científicos,
jornais, boletins, monografias, dissertações, teses, material cartográfico, internet”
(Prodanov; Freitas, 2013, p. 54). Já a pesquisa descritiva “ocorre quando o
pesquisador apenas registra e descreve os fatos observados sem interferir neles”
(Prodanov; Freitas, 2013 p. 52).
Na coleta dos dados realizou-se uma aproximação com uma revisão
narrativa, a qual:
[...] não utiliza critérios explícitos e sistemáticos para a busca e análise
crítica da literatura. A busca pelos estudos não precisa esgotar as fontes
de informações. [...] A seleção dos estudos e a interpretação das
informações podem estar sujeitas à subjetividade dos autores (UNESP,
2015, p. 2).
Esse processo envolveu duas etapas, uma que envolveu uma pesquisa
abrangente sobre as concepções históricas e conceituais sobre a logística,
considerando livros, artigos e estudos divulgados no Google Acadêmico. A outra
etapa foi realizada por meio da base de dados do Google Acadêmico, pesquisando-
se em conjunto a partir das palavras-chaves “logística”, “roteirização” e “transporte
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de carga”, em estudos publicados nos anos de 2018 a 2023, sendo as pesquisas
somente em língua portuguesa, foram considerados estudo empíricos e revisões.
A análise dos dados foi realizada por meio de descrição histórica e conceitual, bem
como com uso de quadros e do Software Iramuteq.
3. A LOGÍSTICA: HISTÓRIA E CONCEPÇÃO
A logística tem suas bases em civilizações antigas, líderes, como Alexandre,
o Grande, faziam valer conhecimentos de técnicas de guerra para que a logística
aplicada fosse eficiente. Enfatiza-se que o surgimento da logística não tem data
definida, mas a segunda guerra mundial foi um grande divisor de águas para o
estudo da logística, isso porque tivemos o surgimento da logística como ciência
(Puara, 2011). A respeito da Segunda Guerra Mundial ser o marco decisivo para
sua consolidação enquanto área do conhecimento, esta aconteceu pela
complexidade das operações militares que exigiram planejamento integrado,
coordenação de fluxos e racionalização de recursos, impulsionando o
desenvolvimento de métodos, técnicas e conceitos que posteriormente foram
incorporados ao ambiente empresarial (Novaes, 2007; Ballou, 2007). Com o avanço
da industrialização e a ampliação dos mercados consumidores, a logística deixou
de ser vista apenas como atividade de apoio e passou a ocupar papel estratégico
nas organizações, contribuindo diretamente para a competitividade e a
sustentabilidade dos negócios.
Para Moura (2006, p. 22) “o desempenho logístico resulta de uma complexa
combinação de fatores físicos, humanos e organizacionais”, evidenciando que sua
eficácia depende de infraestrutura e tecnologia, da gestão de pessoas, da
coordenação de processos e do alinhamento estratégico. Além disso, “a logística
não existe isoladamente, pelo contrário, intervém em toda cadeia de
abastecimento, dentro e fora da organização, estabelecendo relações, alianças e
acordos em ligações operacionais e estratégicas” (Moura, 2006, p. 24), isso reforça
sua natureza sistêmica e interdependente. Corroborando essa visão, Bowersox,
Closs e Cooper (2014) afirmam que a logística integra atividades que conectam
fornecedores, empresas e clientes, sendo responsável por sincronizar fluxos físicos
e informacionais ao longo da cadeia de suprimentos. Para Christopher (2016), a
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logística eficaz é aquela capaz de equilibrar custo e nível de serviço, assegurando
rapidez, confiabilidade e flexibilidade no atendimento às demandas do mercado.
Na compreensão de Ballou (2007, p. 27) a logística:
[...] trata de todas as atividades de movimentação e armazenagem, que
facilitam o fluxo de produtos desde o ponto de aquisição da matéria-prima
até ao ponto de consumo final, assim como os fluxos de informação que
colocam os produtos em movimento, com propósito de providenciar níveis
de serviço adequado aos clientes à um custo razoável.
Essa definição evidencia que a logística ultrapassa o simples transporte de
mercadorias, abrangendo decisões estratégicas relacionadas a estoques,
processamento de pedidos, localização de instalações e gestão da informação. De
forma complementar, Chopra e Meindl (2016) apontam que a logística exerce
influência direta no desempenho financeiro das organizações, uma vez que
decisões inadequadas nesse campo podem gerar custos elevados, perdas de
eficiência e redução da satisfação do cliente. Lambert, Stock e Ellram (1998)
acrescentam que a integração logística contribui para a criação de valor ao longo
da cadeia de suprimentos, promovendo maior coordenação entre os elos e redução
de ineficiências operacionais.
Dessa forma, compreende-se que a logística envolve processos sistêmicos
e inter-relacionados, que exigem operacionalização técnica, capacidade gerencial,
visão estratégica e integração organizacional. Inserida nesse contexto, a
roteirização apresenta-se como uma prática fundamental para a melhoria dos
processos logísticos, sobretudo no transporte de cargas, ao possibilitar a definição
de rotas mais eficientes, a redução de custos operacionais, a otimização do tempo
de entrega e o melhor aproveitamento dos recursos disponíveis, consolidando-se
como elemento essencial para o desempenho logístico e a competitividade
empresarial.
4. A ROTEIRIZAÇÃO
Considerando processos de roteirização, Bodin (1990 apud Mello; Ferreira
Filho, 2001, p. 224) enfatiza que:
[...] a mais significativa mudança com relação aos sistemas para
roteirização e programação de veículos ocorreu no ambiente
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computacional. Em sua primeira geração, quando os sistemas de
roteirização e programação de veículos eram executados nos chamados
mainframes, os resultados gerados nem sempre podiam ser conhecidos
imediatamente, pois dependiam tanto do tempo de processamento como
da sua prioridade na fila de espera para resolução.
Ainda, Ballou (2007, p. 452) enfatiza que “um modelo de roteirização como
o ROUTER, no LOGWARE, pode ser usado para alinhavar rotas e minimizar o
custo dos transportes”. Ademais, Melo e Ferreira Filho (2001) elencam alguns
sistemas disponíveis no mercado. O Trucks é um sistema que indica as rotas
levando em conta parâmetros como:
- Horários de recebimento das mercadorias de cada veículo;
- Taxas de descarga;
- Velocidades médias por trecho;
- Distância média entre pontos (Melo; Ferreira Filho, 2001, p. 226).
O Truckstops é um sistema que trabalha com três tipos básicos de dados:
- Informações de paradas: nomes, endereços, números de identificação,
latitude e longitude;
- Informações dos veículos: fatores de custo ($/milha, $/h e $/h extra),
regras de trabalho, origem e destino;
- Informações gerais: defaults e dados não específicos de paradas ou
veículos individuais (Melo; Ferreira Filho, 2001, p. 226).
O RoadShow pode mostrar, além de mapas contendo rotas, paradas e
caminhos a serem percorridos, planilhas de cálculo de rotas com detalhes de custo
para até 4 rotas (Melo; Ferreira Filho, 2001). O TransCAD pode ser utilizado por
diferentes setores (públicos ou privados) em aplicações tais como:
- Operações de coleta e entrega;
- Planejamento da distribuição;
- Manutenção de facilidades/oportunidades (Facility maintenance);
- Coleta e entrega porta-a-porta;
- Varrição de ruas ou remoção de neve;
- Coleta de lixo sólido e reciclável;
- Cálculo de distâncias percorridas (Melo; Ferreira Filho, 2001, p. 227).
O ROTAcerta é um sistema que determina os roteiros de coleta ou entrega
e seus respectivos horários da frota, a fim de atender um conjunto de clientes ou
tarefas, minimizando os custos totais de distribuição e atendendo a restrições do
tipo:
- Capacidade de cada tipo de veículo em peso e/ou volume;
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- Coleta e entrega simultânea (backhaul);
- Equipamentos especiais dos veículos para realizar os atendimentos;
- Faixa de horário de atendimento;
- Horas extras, duração máxima da jornada e horário de almoço;
- Tempos de viagem e de atendimento;
- Veículo máximo por cliente (Melo; Ferreira Filho, 2001, p. 228).
E também existente o ArcLogistics Route, que atribui paradas dos veículos
considerando tempo, custo, capacidade e produtividade, podendo envolver:
- Operações governamentais (estaduais e locais), permitindo redução de
custos e melhoria de serviços, ao mesmo tempo, adequando-se a
questões políticas e regulamentares;
- Gerenciamento de frotas de veículos, fornecendo suporte à tomada de
decisão referente tanto à geração quanto ao planejamento de rotas de
entrega (comercial e residencial);
- Operações relacionadas à saúde pública, possibilitando maior eficiência
tanto em serviços de transporte (emergência/transferência) de pacientes,
feitos por ambulâncias, como em coletas de material destinado a exames
laboratoriais;
- Telecomunicações, auxiliando companhias públicas ou privadas na
redução de custos, ao mesmo tempo, mantendo/aumentando níveis de
infra-estrutura, manutenção e serviços (Melo; Ferreira Filho, 2001, p. 228).
A partir da compreensão sobre a logística e a roteirização no transporte,
especialmente de cargas, apresentam-se os desdobramentos de pesquisas que
envolvem essas temáticas nas publicações.
5. ESTADO DA ARTE: RESULTADOS E DISCUSSÃO
A partir da consulta no Google Acadêmico com as palavras-chaves
“logística”, “roteirização” e “transporte de carga” (2018-2023), encontrados trinta e
dois estudos, que ao se realizar a leitura dos títulos e dos resumos foram
selecionadas doze pesquisas, sendo que uma delas não estava disponível e foi
descartado. Por fim, com a leitura na íntegra, oito estudos foram analisados.
Quadro 1 - Seleção dos artigos.
Total de estudos
encontrados
Estudos selecionados
na leitura do título e
resumo
Estudos excluídos por
não estarem
disponível
Total de estudos
analisados após
leitura na íntegra
32 12 1
8
Fonte: Dados da pesquisa (2023).
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Com base nas buscas na base de dados, os oito estudos selecionados para
esta análise são detalhados de maneira sintetizada no Quadro 2.
Quadro 2 – Artigos selecionados
Autores
Título
Objetivo
Metodologia
Considerações
Sara
Dereste
Perseghini;
Viviane
Panza
Borges
2023
Otimização de
processos
logísticos por
meio da
aplicação de
análise de
dados
Propor o uso da
análise de dados
para otimizar o
processo de
ocupação de
carga da cadeia
logística de uma
empresa do setor
de bens de
consumo e
desenvolver uma
solução para
apoiar a tomada
de decisão,
minimizar o
retrabalho e
diminuir os custos
operacionais com
o transporte de
carga.
- Investigação
dos processos
operacionais.
- Métricas e
indicadores
dos processos.
- Validação das
métricas e
indicadores.
- Ferramenta avançada de
consolidação e análise de
dados em tempo real
aprimoram os
procedimentos da equipe
de logística.
- Aumento na taxa de
ocupação de carga (de
82,92% para 84,45% em
três meses), crescimento
de 1,53%.
- Elevou a eficiência
operacional.
- Melhorou a maturidade
do processo
- Ofereceu qualidade aos
clientes.
Jonatan
Ben
Bandeira
2023
Plataforma para
redução de
cadeia logística
de transporte
para produção
rural
Promover uma
logística agrícola
mais eficaz,
contribuindo para
o crescimento do
setor e
aprimorando a
competitividade
dos produtores
brasileiros.
- Exploratória
- Levantamento
de dados
- Avaliação e
discussão dos
resultados
- A tecnologia é promissora
para a eficácia e redução
de custos da cadeia
logística de transporte na
produção rural.
- A plataforma proposta
traz benefícios para os
produtores e impulsiona o
desenvolvimento
econômico e social.
Adriano
Maniçoba
da Silva;
Renato
Nagai
2023
Redução do
custo frete com
a padronização
de cabeças de
rota e tabela de
preço unificada
Analisar os
números após a
implementação
da padronização
e unificação
Observações e
análises de
dados
coletados no
triênio 2019 a
2021 da
indústria case,
dados obtidos
foram
analisados pelo
Microsoft Excel
em tabelas
dinâmicas com
geração de
gráficos.
- A padronização no
modelo de tabela de
preços, aliado com a
integração sistêmica de
dados em tempo real para
a tomada de decisão
tempestiva da empresa
estudada atingiu sua meta
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Autores
Título
Objetivo
Metodologia
Considerações
Affonso
Celso
Aldeia
Caiazzo da
Silva; Nélio
Domingues
Pizzolato
2022
Utilização de
veículos
elétricos no
transporte de
carga e os
desafios para
implementação
no Brasil
Entender o
potencial dos
veículos elétricos
e estabelecer
condições que
viabilizem o seu
uso no transporte
rodoviário de
carga no mercado
brasileiro.
Pesquisa de
artigos, teses e
dissertações
nas bases de
dados Web of
Science,
Science Direct
e Scopus,
revisão da
literatura com
pesquisa
qualitativa
- Excelente potencial que o
veículo elétrico possui.
- Incentivar o processo de
transição da frota de
veículos tradicionais para
novas frotas de veículos
elétricos no setor de
transporte rodoviário de
carga.
- Necessidade de política
de redução de preços dos
impostos e subsídios.
- A tecnologia ainda em
mutação apresenta
desafios relacionados a
infraestrutura, custos e
autonomia dos veículos
Victor Spini
Paranaiba
2022
Gestão de
transporte e
desenvolvimento
da ferramenta
de distribuição
de cargas e
fretes
Implementar
melhorias no
planejamento
estratégico de
transportes das
empresas de
logística,
principalmente no
processo de
distribuição de
cargas e fretes,
por meio da
substituição de
métodos
empíricos
baseados na
experiência
adquirida da
operação por
ferramentas de
otimização em
logística de
distribuição.
Pesquisa
exploratória
com
abordagem
qualitativa,
realização de
uma produção
técnica que
descreve e
propõem uma
solução para
problemas
enfrentados
pelas
organizações.
Na terceirização de frota
com operadores logísticos
é importante ter estratégias
de gestão dos
fornecedores, a fim de
garantir máxima satisfação
dos clientes e redução de
custos.
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Autores
Título
Objetivo
Metodologia
Considerações
Alan
Oliveira
Lima;
Fernando
Pelicioni;
Galbas
Figueiredo
Lima;
Miguel da
Silva
Marques;
Pedro
Andrade
dos
Santos;
Pedro
Gonçalves
Aguiar;
Tiago
Fernando
Teixeira
Bispo
2022
Gestão de
tempo no
transporte
rodoviário de
cargas
Implementar uma
ferramenta como
alternativa para
reduzir o tempo
dos veículos em
trânsito.
-Efetuar uma
pesquisa
bibliográfica
nas áreas de
Gestão de
Negócios,
-buscar
soluções para
gestão do
tempo no setor
rodoviário de
cargas
Foi possível perceber as
deficiências da empresa, e
então buscar meios para
solucionar essa deficiência
José Allan
Barbosa
da Silva
2022
Gestão
Estratégica da
Logística como
Vantagem
Organizacional:
Estudo de Caso
em um dos
Maiores
Varejista s
Do Brasil
Verificar qual a
contribuição e
papel da logística
na estratégia
organizacional,
mostrar que a
gestão
estratégica da
logística
apresenta-se
como uma
poderosa
ferramenta para a
criação de
estratégias que
visam melhorar a
eficiência, eficácia
e efetividade da
organização
Descreve a
complexidade
do problema e
também
contribui para a
reflexão e
processo de
mudança na
empresa
pesquisada o
estudo de caso
único,
realizado em
um dos
maiores
varejistas do
Brasil
Este artigo buscou
responder a seguinte
indagação: qual a
contribuição e papel da
logística na estratégia
organizacional como sendo
capaz de reter, atrair e
satisfazer as necessidades
dos clientes
.
Deividi
Luiz Pinto
da Silva
2022
Análise e
geração de rotas
no transporte de
cargas por
simulação
Apresentar uma
solução em
modelagem e
simulação para
processos de
roteirização e
rastreamento de
veículos de
cargas. Através
de técnicas
abordadas,
Simulação
estratégica
utilizada como
instrumento
para estudos
de problemas
no
comportamento
de sistemas
solução em
modelagem
Através dos resultados
obtidos pelo modelo
desenvolvido,
comprovamos sua eficácia
em comparações com
entradas genéricas ou
modelos convencionais,
demonstrando a eficiência
na representação do
comportamento
necessário, bem como, na
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jul./dez., 2024.
Autores
Título
Objetivo
Metodologia
Considerações
estratégias na
definição de
melhores rotas
diversificação de
propriedades definidas.
Fonte: Dados da pesquisa (2023).
A literatura evidencia que a roteirização assume papel central na otimização
dos processos logísticos, especialmente no transporte rodoviário de cargas, ao
articular decisões operacionais, tecnológicas e estratégicas capazes de impactar
diretamente custos, prazos e níveis de serviço. Estudos como o de Perseghini e
Borges (2023) demonstram que a aplicação de análise de dados aos processos
logísticos possibilita identificar padrões operacionais, gargalos e oportunidades de
melhoria, sendo a definição e o ajuste de rotas um dos principais fatores de ganho
de eficiência. As autoras ressaltam que a utilização de dados históricos e
indicadores de desempenho permite às empresas reavaliar trajetos, frequência de
entregas e alocação de recursos, contribuindo para uma roteirização mais assertiva
e alinhada às demandas reais do sistema logístico.
Nesse sentido, Silva e Nagai (2023) aprofundam a discussão ao analisar a
redução do custo de frete por meio da padronização de cabeças de rotas e da
adoção de uma tabela de preços unificada. Os autores evidenciam que a
organização prévia das rotas, com definição clara de trajetos principais e
secundários, reduz a variabilidade operacional e facilita o controle dos custos
logísticos. A roteirização, nesse contexto, deixa de ser apenas uma atividade
operacional e passa a ser um instrumento gerencial, capaz de subsidiar decisões
estratégicas relacionadas à precificação, negociação com transportadores e
planejamento de capacidade.
A importância da roteirização também é destacada em estudos voltados a
contextos específicos, como o transporte rural. Bandeira (2023), ao propor uma
plataforma para redução da cadeia logística de transporte na produção rural,
demonstra que a reorganização das rotas e a diminuição de intermediários
contribuem significativamente para a redução de custos e do tempo de escoamento
da produção. O autor evidencia que, em regiões com limitações de infraestrutura e
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longas distâncias, a roteirização eficiente torna-se elemento-chave para a
viabilidade econômica das operações logísticas, reforçando seu caráter
estratégico.
De forma complementar, Paranaíba (2022) aborda a gestão de transporte
por meio do desenvolvimento de uma ferramenta de distribuição de cargas e fretes,
na qual a roteirização é tratada como variável essencial para o balanceamento
entre demanda, capacidade de transporte e custos operacionais. O estudo aponta
que a definição adequada das rotas permite melhor aproveitamento dos veículos,
redução de viagens ociosas e maior previsibilidade das entregas, aspectos
fundamentais para a competitividade das empresas que atuam no setor de
transporte de cargas.
Sob uma perspectiva mais tecnológica, Deividi Silva (2022) analisa a
geração de rotas no transporte de cargas por meio de simulação, demonstrando
que modelos computacionais podem auxiliar na avaliação de diferentes cenários
de roteirização antes de sua aplicação prática. O autor evidencia que a simulação
de rotas permite considerar múltiplas restrições, como tempo, distância,
capacidade dos veículos e condições viárias, contribuindo para decisões mais
robustas e eficientes. Esses achados reforçam a relevância da roteirização como
campo de integração entre logística, tecnologia da informação e análise de dados.
Ainda que não trate exclusivamente da definição de rotas, o estudo de Silva
e Pizzolato (2022), ao discutir a utilização de veículos elétricos no transporte de
cargas, destaca desafios que impactam diretamente a roteirização, como
autonomia dos veículos, disponibilidade de pontos de recarga e adequação da
infraestrutura. Nesse contexto, a roteirização passa a incorporar novas variáveis,
ampliando sua complexidade e exigindo maior planejamento para garantir a
viabilidade operacional e ambiental das operações logísticas.
A dimensão estratégica da roteirização também é evidenciada por José Silva
(2022), ao analisar a gestão estratégica da logística como vantagem organizacional
em um grande varejista brasileiro. O autor aponta que a eficiência no transporte,
sustentada por rotas bem definidas e constantemente revisadas, contribui para a
redução de custos, aumento do nível de serviço e fortalecimento da posição
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competitiva da organização. De modo semelhante, Lima et al. (2022) destacam que
a gestão do tempo no transporte rodoviário de cargas está diretamente associada
à qualidade da roteirização, uma vez que rotas mal planejadas impactam
negativamente prazos, produtividade e confiabilidade das entregas.
Dessa forma, os estudos analisados convergem ao evidenciar que a
roteirização constitui elemento central para a otimização dos processos logísticos,
sendo tratada tanto como ferramenta operacional quanto como instrumento
estratégico. Ao integrar análise de dados, tecnologias de simulação, padronização
de processos e gestão do tempo, a roteirização contribui para a eficiência do
transporte de cargas em diferentes contextos, reforçando sua relevância
acadêmica e prática no campo da logística.
Em continuidade a esta pesquisa, os resumos de cada uma das oito
pesquisas foram agrupados em único documento para análise no software
Iramuteq, gerando-se dois processos de análise: Nuvem de Palavras e
Dendograma. A seguir apresenta-se a Nuvens de Palavras.
Figura 1 - Nuvem de palavras.
Fonte: Dados da pesquisa, com base no software Iramuteq (2023).
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Ao analisar a Nuvem de Palavras observa-se as palavras que determinam
as maiores temáticas dos estudos, destacando-se: transporte, logístico, custo,
projeto, carga, trabalho, redução, serviço, cadeia, produto, setor, análise, processo,
cliente, entrega, rota e resultado. O que pontua questões a respeito do
gerenciamento do tempo no transporte, evidenciando como são montados os
projetos e qual a melhor opção para as empresas analisadas.
Ainda, pelo software Iramuteq, o Dendograma (Figura 2) gerou dois
subcorpus, por fim, criando sete classes, as quais demonstram o percentual de
cada agrupamento de palavras pelas aproximações textuais.
Figura 2 – Dendograma.
Fonte: Dados da pesquisa, com base no software Iramuteq (2023).
Com relação à classe 6, que teve percentual de 17%, percebeu-se que ela
evidencia questões relacionadas ao serviço prestado ao cliente, o nível de
organização e gestão estratégia da logística e os processos de melhoria e aumento
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da qualidade dos serviços que se apresentam aos clientes. Essas discussões
dialogam com os achados de José Silva (2022), ao demonstrar que a gestão
estratégica da logística contribui diretamente para a qualidade dos serviços e para
a construção de vantagem organizacional, bem como com Lima et al. (2022), que
evidenciam a relação entre organização logística, cumprimento de prazos e
percepção de valor por parte dos clientes.
A respeito da classe 1, o percentual é de 15,1%, em que se enfatizam as
rotas e seus sistemas que apresentam modelos de melhoria para as análises
técnicas do trabalho das empresas de transporte, considerando seus veículos de
carga. Tal abordagem se articula com os estudos de Deividi Silva (2022), que
analisa a geração e simulação de rotas como forma de subsidiar decisões técnicas
no transporte de cargas, e com Perseghini e Borges (2023), ao destacarem o uso
da análise de dados para aprimorar sistemas de roteirização e desempenho
operacional.
Sobre a classe 2, que é contemplada com o percentual 15,1%, evidenciou-
se o transporte de produtos da produção rural no Brasil, em que os estudos
apontam perspectivas envolvendo a otimização do custo de frete que acontece
principalmente por transporte rodoviário, visando garantir a eficiência da cadeia
produtiva. Essa perspectiva converge com os resultados apresentados por
Bandeira (2023), ao demonstrar que a reorganização das rotas e da cadeia logística
no meio rural contribui significativamente para a redução de custos e melhoria da
eficiência do escoamento da produção.
Na classe 5 encontrou-se um percentual de 15,1%, a qual fala sobre os
processos de análise realizados pelas empresas do setor para implantação de
ferramentas operacionais, buscando otimizar os resultados, redução dos custos,
para as operações que se realizam nos processos logísticos. Essas discussões
dialogam diretamente com Perseghini e Borges (2023), que evidenciam a aplicação
de ferramentas analíticas como suporte à tomada de decisão logística, e com
Paranaíba (2022), ao destacar o desenvolvimento de sistemas voltados à
otimização da distribuição de cargas e fretes.
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Por conseguinte, na classe 3, o percentual é de 13,2%, em que se
evidenciam questões gerenciais e administrativas que permitem o desenvolvimento
de estratégias e projetos de gestão e aprimoramento de técnicas que buscam a
qualidade dos serviços, por meio da otimização de entregas por meio de estudos
envolvendo prazos de entrega. Tal enfoque se aproxima das contribuições de Lima
et al. (2022), que relacionam a gestão do tempo à eficiência do transporte rodoviário
de cargas, e de José Silva (2022), ao tratar da logística como elemento estratégico
para o aprimoramento do desempenho organizacional.
A classe 4 (13,2%) traz questões envolvendo a política pública brasileira do
setor logístico (leis, normas, subsídios), permitindo olhar questões de mercado,
envolvendo frotas de veículos e as características de negócio, possibilitando
estudos e pesquisas sobre inovação nesse setor. Essa discussão estabelece
interlocução com Silva e Pizzolato (2022), que abordam os desafios regulatórios,
estruturais e de políticas públicas relacionados à inovação no transporte de cargas,
especialmente no que se refere à adoção de novas tecnologias e modelos
operacionais.
Por fim, na classe 7 (11,3%) demonstra-se que a distribuição e entrega é
principalmente rodoviária, realizada por meio de transporte de carga, em que as
empresas utilizam técnicas de gestão que visam a otimização dos fretes. Esse
cenário é reforçado pelos estudos de Silva e Nagai (2023), que analisam a
padronização de rotas como estratégia para redução de custos de frete, e por
Paranaíba (2022), ao evidenciar a importância da roteirização e da gestão eficiente
do transporte para o desempenho logístico das organizações.
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Evidencia-se que a roteirização se consolida como um dos principais
elementos estruturantes da eficiência logística no transporte rodoviário de cargas,
assumindo papel que extrapola a dimensão operacional e alcança o nível
estratégico das organizações. As análises demonstraram que decisões
relacionadas às rotas impactam diretamente custos, prazos, nível de serviço e
competitividade, reforçando que a roteirização deve ser compreendida como um
processo sistêmico, integrado à gestão logística e ao planejamento organizacional.
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Nesse sentido, os estudos analisados convergem ao apontar que a definição,
revisão e padronização de rotas constituem práticas essenciais para a
racionalização dos recursos e para a melhoria do desempenho logístico.
Os resultados também indicam que a incorporação de tecnologias e
ferramentas analíticas tem ampliado significativamente o potencial da roteirização.
A utilização de análise de dados, simulações computacionais e sistemas de apoio
à decisão permite às empresas avaliar diferentes cenários, identificar gargalos
operacionais e ajustar trajetos de forma mais precisa e fundamentada. Essa
integração entre logística e tecnologia da informação contribui para decisões mais
robustas, reduzindo a dependência de práticas puramente empíricas e fortalecendo
a previsibilidade das operações de transporte, especialmente em contextos
caracterizados por múltiplas restrições e elevada complexidade operacional.
Outro aspecto relevante identificado refere-se à diversidade de contextos em
que a roteirização se mostra estratégica, como no transporte rural, no varejo de
grande escala e nas operações intermunicipais e interestaduais. Os estudos
analisados evidenciam que, em regiões com limitações de infraestrutura ou longas
distâncias, a otimização das rotas se torna determinante para a viabilidade
econômica das operações. Além disso, a roteirização adequada contribui para a
redução de intermediários, melhor aproveitamento da frota e diminuição do tempo
de escoamento da produção, fortalecendo a eficiência da cadeia logística como um
todo.
A análise textual realizada por meio do software Iramuteq reforça essas
constatações ao evidenciar, tanto na nuvem de palavras quanto no dendograma, a
centralidade de termos relacionados a transporte, custo, rota, entrega, tempo e
serviço. As classes formadas demonstram que as discussões sobre roteirização
estão fortemente associadas à qualidade do serviço ao cliente, à gestão estratégica
da logística, à otimização de custos e à adoção de ferramentas operacionais e
gerenciais. Esses achados indicam coerência entre os resultados empíricos da
análise lexical e os argumentos apresentados na literatura, fortalecendo a
consistência do estudo.
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Embora este estudo tenha contribuído ao sistematizar e analisar produções
recentes sobre o tema, reconhece-se como limitação o recorte temporal e
metodológico adotado, ainda que tais escolhas metodológicas se mostraram
adequadas ao objetivo proposto, ao permitir a identificação de padrões temáticos,
convergências conceituais e lacunas de pesquisa. Desse modo, compreende-se
que a roteirização constitui um campo relevante e ainda fértil para o avanço das
pesquisas, sobretudo no que diz respeito à incorporação de novas variáveis, como
políticas públicas, sustentabilidade, inovação tecnológica e uso de veículos
alternativos. Também, recomenda-se que investigações futuras ampliem o escopo
dos estudos analisados, adotem abordagens metodológicas que integrem métodos
quantitativos e qualitativos e aprofundem a análise de aplicações práticas da
roteirização em diferentes segmentos econômicos, de modo a ampliar a
compreensão de seu papel estratégico e dinâmico na logística contemporânea.
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