DIRETRIZES DE MELHORES PRÁTICAS PARA O AUMENTO DE EFICIÊNCIA  
NA APLICAÇÃO DOS RECURSOS PÚBLICOS EM SAÚDE: NOS MUNICÍPIOS  
MATO-GROSSENSES1  
BEST PRACTICE GUIDELINES FOR INCREASING EFFICIENCY IN THE  
APPLICATION OF PUBLIC HEALTH RESOURCES IN MUNICIPALITIES IN  
MATO GROSSO  
PRESLINE BLUM  
Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT)  
E-mail: presline.blum@gmail.com  
FELIPE STORCH DAMASCENO  
Fucape Business School  
E-mail: fdamasceno@fucape.br  
RESUMO  
Este estudo tem o intuito de avaliar o avanço dos dispêndios da área de saúde e garantir que os  
recursos disponíveis sejam utilizados de forma eficiente, sobretudo em um estado marcado por  
grandes diferenças territoriais e por limitações fiscais. O propósito central é medir a eficiência  
relativa na aplicação dos recursos financeiros oriundos de transferências públicas e dos próprios  
municípios mato-grossenses. Com isso, busca-se gerar subsídios para a formulação de diretrizes  
tecnológicas de boas práticas de gestão referentes ao período de 2014 a 2024. A pesquisa é de  
natureza aplicada, adota uma abordagem quantitativa e tem caráter exploratório-explicativo. Foram  
analisados 141 municípios entre 2014 e 2023, utilizando a metodologia Data Envelopment Analysis  
(DEA), nos modelos CCR e BCC. A avaliação anual dos dados, após o tratamento de missing  
values, revelou um cenário bastante heterogêneo: em vários anos, mais de 70% dos municípios  
apresentaram algum tipo de ineficiência - seja por limitações gerenciais (ineficiência técnica pura),  
seja por inadequação de escala, quando o porte operacional não se ajusta às demandas locais.  
Apenas um grupo reduzido alcançou eficiência plena, constituindo o benchmark para o estado. Os  
resultados mostram que a eficiência municipal não está condicionada apenas ao volume de recursos  
recebidos ou investidos. Ela depende, sobretudo, da capacidade gerencial, da qualidade da  
governança local e da adequação estrutural para atender às necessidades da população. Com base  
nesses achados, foram desenvolvidas diretrizes que envolvem o fortalecimento da governança e da  
regionalização, a qualificação contínua dos gestores, a incorporação sistemática de indicadores de  
desempenho, o aumento da transparência e do controle social, além do uso estratégico de  
tecnologias digitais, como tele assistência e prontuário eletrônico. Conjuntamente, essas  
recomendações oferecem um caminho factível para melhorar a eficiência e ampliar a equidade no  
acesso aos serviços de saúde em Mato Grosso, com potencial para serem adaptadas a outros  
territórios que enfrentam desafios semelhantes.  
Palavras-chave: Eficiência em saúde; DEA; Recursos públicos; Gestão pública.  
1DOI: https://doi.org/10.5935/2763-9673.20250004  
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 5, n. 1, p. 84-121,  
jan./jun., 2025.  
ABSTRACT  
This study aims to evaluate the progress of healthcare spending and ensure that available resources  
are used efficiently, especially in a state marked by significant territorial differences and fiscal  
limitations. The central purpose is to measure the relative efficiency in the application of financial  
resources from public transfers and from the municipalities of Mato Grosso themselves. This seeks  
to generate input for the formulation of technological guidelines for good management practices for  
the period from 2014 to 2024. The research is applied in nature, adopts a quantitative approach, and  
has an exploratory-explanatory character. 141 municipalities were analyzed between 2014 and 2023,  
using the Data Envelopment Analysis (DEA) methodology, in the CCR and BCC models. The annual  
evaluation of the data, after processing for missing values, revealed a highly heterogeneous  
scenario: in several years, more than 70% of municipalities presented some type of inefficiency –  
either due to managerial limitations (pure technical inefficiency) or due to inadequate scale, when  
the operational size does not adjust to local demands. Only a small group achieved full efficiency,  
constituting the benchmark for the state. The results show that municipal efficiency is not conditioned  
solely by the volume of resources received or invested. It depends, above all, on managerial capacity,  
the quality of local governance, and structural adequacy to meet the needs of the population. Based  
on these findings, guidelines were developed that involve strengthening governance and  
regionalization, continuous qualification of managers, the systematic incorporation of performance  
indicators, increased transparency and social control, as well as the strategic use of digital  
technologies, such as telehealth and electronic medical records. Taken together, these  
recommendations offer a feasible path to improve efficiency and increase equity in access to health  
services in Mato Grosso, with the potential to be adapted to other territories facing similar challenges.  
Keywords: Efficiency in healthcare; DEA; Public resources; Public management.  
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1. SITUAÇÃO PROBLEMA E MOTIVAÇÃO TECNOLÓGICA  
A busca pelo uso eficiente dos recursos públicos tornou-se um eixo central  
da administração pública contemporânea, especialmente em contextos marcados  
por restrições orçamentárias e crescimento contínuo das demandas sociais.  
Conforme a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico  
(OCDE, 2023), a eficiência no setor público refere-se à capacidade de converter  
insumos em resultados de forma consistente, considerando não apenas os  
recursos mobilizados, mas também as condições institucionais, econômicas e de  
governança que moldam essa relação.  
No contexto brasileiro, esse desafio assume contornos ainda mais  
complexos. A rigidez orçamentária, a limitada flexibilidade na alocação dos  
recursos e a forte presença do Estado na provisão de serviços essenciais dificultam  
a tradução do gasto público em resultados concretos para a população (Kawall,  
2025). Embora o volume de recursos destinados às políticas sociais seja  
expressivo, persistem questionamentos quanto à efetividade e à eficiência do seu  
uso, especialmente em nível subnacional.  
No campo da saúde pública, tais desafios são intensificados pelo caráter  
constitucional do direito à saúde e pela necessidade de garantir acesso universal,  
equitativo e de qualidade em um ambiente de escassez relativa de recursos. A  
literatura recente destaca que eficiência em saúde não se restringe à redução de  
custos, mas envolve a capacidade dos sistemas locais de transformar recursos  
financeiros, humanos e estruturais em melhores resultados sanitários, mesmo  
diante de condições institucionais e socioeconômicas adversas (Negri; Dincă, 2023;  
Schedler, 2024).  
Além disso, estudos apontam que fatores como governança, capacidade  
administrativa, mecanismos de controle e o contexto territorial exercem influência  
decisiva sobre o desempenho dos sistemas municipais de saúde, reforçando a  
necessidade de abordagens analíticas que considerem múltiplas dimensões do  
fenômeno.  
Apesar dos avanços normativos observados nas últimas décadas como a  
Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº 101/2000), a Lei da  
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Transparência (Lei Complementar nº 131/2009), a Lei Anticorrupção (Lei nº  
12.846/2013) e a modernização da contabilidade pública, ainda são limitados os  
instrumentos capazes de avaliar, de forma comparativa e sistemática, a eficiência  
relativa com que os municípios transformam recursos financeiros em resultados em  
saúde.  
Em contextos caracterizados por elevada heterogeneidade territorial,  
institucional e socioeconômica, como ocorre no Brasil, a ausência de ferramentas  
analíticas robustas dificulta a identificação de gargalos, boas práticas e padrões de  
desempenho, comprometendo a formulação de políticas públicas baseadas em  
evidências. Crises recentes, como a recessão econômica de 2015–2016 e a  
pandemia de Covid-19, evidenciaram ainda mais essas fragilidades, ampliando a  
necessidade de diagnósticos precisos e comparáveis (Lima, 2023).  
Diante desse cenário e apesar da centralidade do financiamento público da  
saúde e dos avanços normativos no Brasil, ainda são limitados os instrumentos  
capazes de mensurar, de forma comparativa e sistemática, a eficiência com que os  
municípios transformam recursos financeiros em resultados em saúde e,  
sobretudo, de traduzir essas mensurações em diretrizes práticas que orientem a  
gestão pública. Em contextos marcados por elevada heterogeneidade territorial,  
institucional e socioeconômica, como o do estado de Mato Grosso, essa lacuna  
dificulta a identificação de gargalos, a disseminação de boas práticas e o  
aprimoramento das decisões alocativas no âmbito do Sistema Único de Saúde.  
Nesse contexto, a questão que norteia esta pesquisa é: De que maneira a  
eficiência relativa na utilização de recursos financeiros em saúde varia entre os  
municípios do estado de Mato Grosso no período de 2014 a 2024, e quais fatores  
institucionais, socioeconômicos e de governança explicam essa variação?  
Diante do problema apresentado, o objetivo deste estudo é mensurar a  
eficiência relativa na utilização de recursos financeiros provenientes de  
transferências públicas e gastos municipais em saúde nos municípios do estado de  
Mato Grosso, no período de 2014 a 2024, e, a partir dos resultados obtidos, propor  
diretrizes de boas práticas de gestão pública em saúde, considerando fatores  
institucionais, socioeconômicos e territoriais.  
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A escolha desse intervalo temporal permite captar mudanças estruturais  
ocorridas antes e após crises econômicas e sanitárias relevantes, bem como  
avanços institucionais associados às práticas de gestão pública.  
Do ponto de vista teórico, o estudo contribui para a literatura sobre eficiência  
no setor público e economia da saúde ao integrar diferentes abordagens  
metodológicas análise de eficiência por fronteira (Data Envelopment Analysis –  
DEA), análise de produtividade e modelagem econométrica em painel. Essa  
combinação possibilita avançar na compreensão dos mecanismos que  
condicionam o desempenho dos sistemas municipais de saúde, superando  
limitações de análises puramente descritivas ou unidimensionais.  
Ao considerar simultaneamente insumos financeiros, estrutura de serviços e  
resultados sanitários, a pesquisa dialoga com abordagens contemporâneas que  
tratam a eficiência como um fenômeno sistêmico e multidimensional, influenciado  
por fatores institucionais e contextuais (Negri; Dincă, 2023; Schedler, 2024).  
Sob a perspectiva prática e tecnológica, o estudo responde à carência de  
ferramentas analíticas capazes de apoiar gestores públicos na avaliação  
comparativa do desempenho municipal em saúde. A metodologia DEA mostra-se  
particularmente adequada nesse contexto por permitir a comparação de unidades  
que operam com diferentes combinações de insumos e produtos, identificando  
níveis relativos de eficiência, benchmarks e oportunidades de melhoria (Charnes;  
Cooper; Rhodes, 1978; Narbón-PerpiñÁ et al., 2020).  
Ao identificar gargalos e padrões de boas práticas, os resultados da pesquisa  
oferecem subsídios concretos para o aprimoramento da alocação de recursos, do  
planejamento regional e da formulação de políticas públicas mais eficientes e  
replicáveis, fortalecendo a governança e os mecanismos de tomada de decisão  
baseados em evidências.  
A escolha do estado de Mato Grosso como objeto de análise justifica-se por  
suas singularidades econômicas, territoriais e sanitárias. Apesar de apresentar  
elevado Produto Interno Bruto per capita (SEPLAG-MT, 2023), o estado convive  
com profundas desigualdades regionais, baixa densidade populacional,  
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dependência de polos concentradores de serviços e desafios sanitários agravados  
por fatores ambientais, como o uso intensivo de agrotóxicos (Pignati et al., 2022).  
Um estudo recente indica que municípios rurais, isolados ou com menor  
capacidade técnico-administrativa operam sob restrições estruturais que  
comprometem tanto a equidade quanto a eficiência dos serviços de saúde  
(Schenkman; Almeida, 2024). Nesse contexto, analisar a eficiência relativa desses  
municípios não apenas contribui para o debate acadêmico, mas atende a uma  
demanda concreta da gestão pública por diagnósticos que considerem a  
diversidade territorial e institucional.  
Assim, a motivação central deste estudo reside na necessidade de  
compreender como diferentes municípios, operando sob condições desiguais,  
conseguem (ou não) transformar recursos públicos em resultados em saúde,  
oferecendo evidências que possam orientar políticas públicas mais eficazes,  
equitativas e sustentáveis, tanto no âmbito estadual quanto nacional.  
A eficiência no setor público, especialmente na área da saúde, é um conceito  
multidimensional que transcende a simples otimização de custos. Refere-se à  
capacidade de um sistema de converter insumos (recursos financeiros, humanos,  
tecnológicos) em resultados e impactos positivos para a saúde da população,  
considerando as condições institucionais, econômicas e de governança que  
moldam essa relação. A busca por eficiência, portanto, não significa meramente  
gastar menos, mas sim alcançar os melhores resultados de saúde possíveis com  
os recursos disponíveis, garantindo acesso, qualidade e equidade.  
Para mensurar um fenômeno tão complexo, a Análise Envoltória de Dados  
(Data Envelopment Analysis – DEA) consolidou-se como uma das principais  
ferramentas metodológicas. Desenvolvida por Charnes, Cooper e Rhodes em  
1978, a DEA é uma técnica não paramétrica de programação matemática que  
constrói uma fronteira de eficiência a partir das melhores práticas observadas em  
um conjunto de unidades produtivas comparáveis (Decision Making Units – DMUs),  
que neste estudo são os municípios. A principal vantagem da DEA é sua  
capacidade de lidar com múltiplos insumos e produtos simultaneamente, sem a  
necessidade de pré-especificar uma forma funcional para a relação entre eles ou  
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de atribuir pesos arbitrários, o que a torna particularmente adequada para avaliar  
setores como a saúde.  
Contudo, a eficiência não é determinada apenas por fatores operacionais. A  
literatura especializada aponta de forma consistente que a governança e a  
capacidade administrativa local são determinantes cruciais do desempenho.  
Fatores como a transparência na gestão, a existência de mecanismos de controle  
social, a qualificação dos gestores, a capacidade de planejamento e a utilização de  
indicadores de desempenho para a tomada de decisão influenciam diretamente a  
habilidade de um município em transformar recursos em serviços de saúde efetivos.  
No estado de Mato Grosso, a temática da eficiência em saúde já foi  
explorada por diferentes perspectivas. Daniel (2011) foi um dos pioneiros ao utilizar  
a DEA e identificar uma ineficiência generalizada, associada à concentração  
regional da oferta de serviços. Souza et al. (2016) e Souza e Souza (2022) focaram  
na eficiência hospitalar, revelando que o contexto institucional e a escala de  
operação são variáveis importantes. Mais recentemente, Daniel et al. (2020)  
analisaram a atenção básica, encontrando alta eficiência técnica, mas problemas  
de escala, enquanto Daniel e Vázquez (2021) propuseram, de forma inovadora,  
atrelar a eficiência a mecanismos de incentivo fiscal, como o rateio do ICMS.  
Apesar das contribuições, esses estudos, em geral, mantiveram-se em análises  
setoriais ou não avançaram na formulação de diretrizes práticas para a gestão. Esta  
pesquisa busca preencher essa lacuna, conectando um diagnóstico robusto da  
eficiência municipal a um conjunto de recomendações aplicáveis para o  
aprimoramento da gestão da saúde no estado.  
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA DO ESTUDO  
2.1. Eficiência no Setor Público e Mensuração do Desempenho Institucional  
A eficiência no setor público configura-se como um dos construtos mais  
debatidos na literatura contemporânea de governança e administração pública,  
justamente por envolver tensões estruturais entre racionalidade econômica, valores  
democráticos e restrições institucionais. Em termos analíticos, pode ser  
compreendida como a capacidade do Estado de transformar recursos escassos —  
financeiros, humanos e organizacionais — em entregas institucionais socialmente  
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relevantes, preservando legalidade, qualidade, equidade e responsabilidade fiscal  
(Narbón-Perpiñá et al., 2020; Sperling et al., 2023). Todavia, ao contrário do setor  
privado, em que a eficiência tende a ser operacionalizada sob uma lógica  
predominantemente produtivista, organizações públicas operam sob múltiplos  
objetivos simultâneos, frequentemente não hierarquizáveis, além de enfrentarem  
assimetrias informacionais, heterogeneidade de demandas sociais e restrições  
normativas que complexificam a definição de desempenho ótimo.  
Sob a perspectiva da teoria da produção, eficiência técnica refere-se à  
capacidade de produzir o máximo de outputs a partir de determinado conjunto de  
inputs (Farrell, 1957). A transposição desse conceito para o setor público, contudo,  
requer adaptações metodológicas e cautela interpretativa, uma vez que outputs  
governamentais frequentemente não capturam integralmente resultados finais ou  
impactos sociais. Nesse contexto, a mensuração da eficiência financeira e  
operacional tende a concentrar-se na relação entre insumos observáveis — como  
orçamento executado, estrutura de pessoal e custos operacionais — e produtos  
institucionais mensuráveis, tais como auditorias realizadas, fiscalizações  
concluídas, processos apreciados e relatórios emitidos (Narbón-Perpiñá et al.,  
2020). Essa abordagem permite avaliar desempenho relativo entre unidades  
organizacionais, ainda que não esgote a dimensão substantiva de efetividade das  
políticas públicas.  
A literatura recente enfatiza que a eficiência pública não pode ser  
dissociada de accountability e legitimidade institucional. Conforme argumentam  
Sperling et al. (2023), a capacidade de otimizar recursos e gerar entregas  
consistentes constitui elemento central da confiança pública e da sustentabilidade  
fiscal de longo prazo. Zhao et al. (2024) complementam ao indicar que arranjos  
institucionais que combinam transparência, capacidade analítica e coordenação  
interorganizacional tendem a apresentar melhores resultados operacionais. Assim,  
eficiência não deve ser concebida apenas como indicador gerencial, mas como  
dimensão estruturante da governança democrática.  
No âmbito das transformações organizacionais, evidências empíricas  
sugerem que inovações tecnológicas podem atuar como vetores de racionalização  
administrativa, reduzindo custos de transação, acelerando fluxos processuais e  
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ampliando a capacidade de monitoramento (Sperling et al., 2023). Entretanto, tais  
efeitos não se manifestam de forma automática ou homogênea. Sua materialização  
depende de capacidades institucionais pré-existentes, desenho organizacional  
coerente e mecanismos robustos de controle (Zhao et al., 2024). Bento (2019)  
alerta que processos de digitalização implementados de maneira fragmentada  
podem gerar novas assimetrias informacionais, fragilizar estruturas decisórias e  
comprometer a qualidade da governança, produzindo ganhos aparentes de  
eficiência acompanhados de riscos institucionais latentes.  
Essa problematização revela-se particularmente relevante para instituições  
públicas complexas, como os órgãos de controle interno e externo. Tais  
organizações operam sob forte densidade normativa, elevada exposição política e  
múltiplas funções institucionais, combinando prevenção, fiscalização e indução de  
melhorias administrativas. Nesses casos, a análise da eficiência exige instrumentos  
capazes de captar a conversão relativa de recursos em desempenho operacional  
mensurável, distinguindo volume de atividades de qualidade técnica e capacidade  
institucional. Ademais, requer prudência na inferência de impactos sistêmicos mais  
amplos sobre a gestão pública, evitando a extrapolação automática de ganhos  
operacionais para melhorias estruturais de governança.  
2.2. Estudos Sobre Eficiência na Saúde em Mato Grosso: Evidências  
Empíricas e Lacunas na Literatura  
O fortalecimento da governança e do planejamento tem sido reconhecido  
como condição essencial para aumentar a eficiência das políticas públicas de  
saúde, ao promover transparência, controle social e melhor alocação de recursos  
(Azevedo De Souza et al., 2025). Em Mato Grosso, porém, os desafios estruturais  
e gerenciais requerem análises mais amplas sobre o uso dos recursos públicos e  
as variáveis que condicionam o desempenho municipal.  
Diversos estudos de caso aplicaram a metodologia DEA no estado,  
contribuindo para a compreensão inicial da eficiência, mas com escopo limitado.  
Daniel (2011), utilizando DEA em dois estágios, identificou ineficiência generalizada  
e forte concentração regional da oferta, além de baixo investimento em prevenção.  
Esse estudo, embora pioneiro, apresentou abordagem restrita ao período e ao  
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conjunto de variáveis disponíveis. Em trabalho complementar, Souza et al. (2016)  
avaliaram dez hospitais do SUS e observaram maior eficiência técnica nos  
privados, mas seus resultados foram fortemente influenciados pelo contexto  
institucional e pela complexidade dos serviços — indicando que comparações  
isoladas têm capacidade explicativa limitada.  
No âmbito da atenção básica, o estudo de Daniel et al. (2020) identificou  
níveis elevados de eficiência técnica, mas acompanhados de deseconomias de  
escala, o que indica problemas na organização da rede municipal e na própria  
regionalização do sistema. Apesar disso, os autores não exploram como fatores  
administrativos, territoriais ou socioeconômicos influenciam esses achados.  
Em outro estudo de Daniel e Vázquez (2021) sugerem a criação de um  
índice de eficiência para compor o rateio do ICMS, proposta inovadora, mas ainda  
limitada ao campo das simulações, sem aplicação prática nas rotinas de gestão.  
Souza e Souza (2022) também contribuem ao demonstrar que diferenças de  
eficiência entre hospitais tendem a se reduzir quando a escala de operação é  
considerada, reforçando o peso do contexto. Contudo, o estudo não avança na  
formulação de recomendações que possam orientar políticas públicas.  
Em um contexto geral, esses trabalhos oferecem contribuições relevantes,  
mas permanecem restritos a análises setoriais, descritivas e pouco integradas.  
Falta-lhes uma perspectiva abrangente sobre a eficiência municipal e, sobretudo, a  
incorporação  
de  
variáveis  
institucionais,  
territoriais  
e
socioeconômicas  
reconhecidamente decisivas para o desempenho dos serviços públicos. Além  
disso, nenhum deles resulta em instrumentos que apoiem diretamente a tomada de  
decisão pelos gestores. Em geral, tratam-se de estudos de caso que ampliam a  
compreensão do problema, mas cuja capacidade de orientar políticas públicas é  
limitada.  
Diante desse cenário, observa-se a clara necessidade de um modelo que  
una mensuração rigorosa da eficiência e produção de diretrizes práticas e  
tecnológicas capazes de auxiliar a gestão municipal. Recomendações que  
contemplem regionalização, distribuição equitativa de recursos, fortalecimento da  
atenção primária e avaliação contínua de resultados mostram-se fundamentais  
para uma política de saúde mais eficiente e sustentável em Mato Grosso.  
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3. ESTRUTURA METODOLÓGICA DA PESQUISA  
Este estudo enquadra-se como uma pesquisa aplicada, de abordagem  
quantitativa e caráter exploratório-explicativo. Seu objetivo é medir a eficiência  
relativa no uso dos recursos públicos destinados à saúde nos municípios de Mato  
Grosso, ao longo do período de 2014 a 2024. A partir dessa análise, pretende-se  
oferecer subsídios para a formulação de diretrizes tecnológicas de boas práticas  
que possam apoiar o aprimoramento da gestão pública em saúde no estado.  
A construção dessas diretrizes demanda um método capaz de comparar  
diferentes municípios, mesmo quando operam sob condições estruturais bastante  
distintas e utilizam múltiplas combinações de insumos e produtos. Por esse motivo,  
adotou-se a DEA, técnica não paramétrica de programação linear amplamente  
empregada na avaliação de eficiência no setor público e adequada para  
mensurações desse tipo.  
3.1. Data Envelopment Analysis (DEA)  
3.1.1. Estrutura geral do modelo DEA  
A DEA permite avaliar o desempenho relativo de unidades de tomada de  
decisão (Decision Making Units DMUs) sem impor uma forma funcional entre  
insumos e produtos, característica fundamental para estudos de saúde pública,  
onde as relações entre recursos e resultados são complexas e multifatoriais  
(Charnes; Cooper; Rhodes, 1978; Cooper et al., 2007). O DEA é um método não  
paramétrico de programação linear que constrói uma fronteira eficiente a partir da  
combinação linear das DMUs mais eficientes da amostra. Cada DMU é avaliada  
em relação a essa fronteira, obtendo-se um escore de eficiência () que varia entre  
0 e 1, em que valores iguais a 1 indicam eficiência técnica relativa e valores  
inferiores a 1 indicam ineficiência (Banker et al., 1984).  
Neste estudo, as DMUs correspondem aos 141 municípios de Mato  
Grosso, analisados anualmente ao longo de 11 anos. A aplicação da DEA  
possibilita:  
Identificar variações de eficiência no tempo;  
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Estimar o potencial de melhoria nos serviços;  
Avaliar desequilíbrios de escala;  
Mapear benchmarks estaduais;  
Subsidiar diretrizes práticas de gestão.  
A técnica estabelece uma fronteira de eficiência formada pela combinação  
linear das DMUs que apresentam o melhor desempenho no conjunto analisado.  
Cada município é então comparado a essa referência e recebe um escore de  
eficiência que varia de 0 a 1. Valores iguais a 1 indicam que o município opera de  
forma eficiente em relação aos demais, enquanto escores abaixo desse patamar  
apontam algum nível de ineficiência.  
Do ponto de vista conceitual, utilizaram-se dois modelos clássicos:  
CCR (Charnes et al., 1978) – assume retornos constantes à escala  
(CRS), permitindo mensurar a eficiência técnica global;  
BCC (Banker et al., 1984) – assume retornos variáveis à escala  
(VRS), isolando efeitos gerenciais e distinguindo ineficiências devidas ao  
porte de operação.  
A utilização combinada dos modelos CCR e BCC foi fundamental para dar  
maior robustez à análise, permitindo distinguir três tipos de ineficiência: aquela  
associada à gestão, a decorrente da estrutura disponível e a relacionada ao porte  
inadequado da operação em saúde. As estimativas foram produzidas no software  
Stata, com cálculos realizados ano a ano para o período de 2014 a 2024.  
3.1.2. Formulação matemática  
Apresenta-se, para fins de rigor metodológico, a formulação dos modelos  
DEA orientados a outputs (forma dual):  
Notação básica:  
xij: quantidade do insumo i utilizada pela DMU j, i = 1, …, m  
yrj: quantidade do produto r produzido pela DMU j, r = 1, …, s  
n: número de DMUs  
λj: peso de contribuição da DMU j na formação da fronteira eficiente  
φ: fator de expansão proporcional dos outputs  
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Modelo BCC (VRS):  
max φ  
ꢀ,ꢁ  
sujeito a:  
ꢂ 휆ꢄꢃ ≤ 푥ꢄꢅ, ∀푖 = 1, … , 푚  
ꢃꢇꢈ  
ꢂ 휆ꢉꢃ ≤ 휑푦ꢉꢅ, ∀푟 = 1, … , 푠  
ꢃꢇꢈ  
(
)
ꢂ 휆= 1 푐표푛푑푖çã표 푉푅푆  
ꢃꢇꢈ  
≥ 0, ∀푗  
A eficiência é dada por 1/φ.  
Modelo CCR (CRS):  
max φ  
ꢀ,ꢁ  
sujeito a:  
ꢂ 휆ꢄꢃ ≤ 푥ꢄꢅ, ∀푖 = 1, … , 푚  
ꢃꢇꢈ  
ꢂ 휆ꢉꢃ ≤ 휑푦ꢉꢅ, ∀푟 = 1, … , 푠  
ꢃꢇꢈ  
≥ 0, ∀푗  
Onde ϕ>1 indica que é possível expandir proporcionalmente todos os  
outputs mantendo os insumos fixos. A eficiência pura é calculada como Eficiência  
= 1/φ.  
A robustez dos resultados foi avaliada por meio de três estratégias  
principais: (i) comparação sistemática entre os modelos CCR e BCC, permitindo  
distinguir ineficiência técnica pura de ineficiência de escala; (ii) estratificação dos  
municípios por quartis populacionais, para reduzir heterogeneidade estrutural e  
aprimorar a comparabilidade entre unidades semelhantes; e (iii) análise longitudinal  
dos escores ao longo de onze anos, identificando padrões recorrentes de  
desempenho e evitando conclusões baseadas em um único ponto no tempo.  
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3.2. Variáveis e Base de Dados  
A seleção das variáveis baseou-se em literatura consolidada sobre  
eficiência em saúde (Andrett et al., 2018; Frio; Triacca; Fochezatto, 2017; Tabosa;  
Castelar, 2022; Ulinski et al., 2024), que reconhece os insumos financeiros,  
estruturais e humanos como determinantes centrais da produção de serviços de  
saúde. O conjunto adotado busca captar, de forma integrada, a relação entre  
financiamento, capacidade operacional e resultados sanitários no âmbito municipal.  
Como insumos (inputs), utilizaram-se os gastos públicos com saúde e as  
transferências intergovernamentais, variáveis que refletem o esforço fiscal, a  
dependência financeira e a capacidade de sustentação dos serviços, sobretudo em  
municípios com baixa arrecadação própria. A literatura destaca que não apenas o  
volume, mas também a forma de alocação e execução desses recursos influencia  
a eficiência do gasto público.  
Os produtos (outputs) contemplam indicadores de estrutura, recursos  
humanos e resultados do sistema, incluindo equipes de saúde, leitos hospitalares,  
médicos, enfermeiros, produção ambulatorial, internações, mortalidade geral e  
número de estabelecimentos de saúde. Esses indicadores permitem avaliar  
simultaneamente oferta de serviços, capacidade assistencial e desfechos  
sanitários, evitando análises baseadas em variáveis isoladas.  
O conjunto de variáveis selecionadas é teoricamente coerente e alinhado à  
evidência empírica recente, possibilitando uma análise robusta da eficiência relativa  
dos municípios. Ressalta-se que tais variáveis operam de forma interdependente,  
compondo um sistema no qual recursos financeiros e estruturais condicionam a  
capacidade produtiva e os resultados em saúde. O Quadro 1, sintetiza os  
indicadores utilizados e suas respectivas fontes de dados.  
Para reduzir vieses decorrentes de heterogeneidade estrutural, os  
municípios foram estratificados por quartis populacionais, conforme Willemann et  
al. (2019), assegurando maior comparabilidade entre unidades semelhantes. O  
Quadro 1 sintetiza os indicadores utilizados e suas respectivas fontes de dados.  
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Quadro 1 – Matriz de Indicadores e Fontes de Dados (DEA)  
N
Indicador de estrutura  
(Inputs)  
Classificação  
Fonte  
1
2
Gastos públicos com saúde  
Transferência de recursos  
Indicador de resultado  
(Outputs)  
Financeiro/Orçamentário  
Financeiro/Fiscal  
Indicadores  
Siops  
Siops  
Fonte para coleta de  
dados  
1
2
Equipes de saúde  
Números de leitos  
hospitalares  
Recurso humano/Operacional  
Estrutural/Físico  
Datasus/SIM  
Datasus/SIM  
3
4
5
6
Números de médicos  
Número de enfermeiros  
Mortalidade geral  
Recurso humano/ Profissional  
Recurso humano/ Profissional  
Epidemiológico / Sanitário  
Cobertura / Produção  
assistencial  
Datasus/SIM  
Datasus/SIM  
Datasus/SIM  
Datasus/SIM  
Número de Internações  
7
8
Número de Produção  
Ambulatorial  
Número de estabelecimentos  
Cobertura / Produção  
assistencial  
Estrutural / Institucional  
Datasus/SIM  
Datasus/SIM  
Fonte: Andrett, et al. (2018); Frio, Triacca e Fochezatto (2017) e Tabosa e Castelar (2022).  
Nota: Adaptada pelos autores.  
Reconhece-se, como limitação, o potencial risco de endogeneidade entre  
alguns insumos e produtos, uma vez que decisões de alocação de recursos podem  
responder ao próprio desempenho sanitário observado. Assim, os resultados  
devem ser interpretados como medidas de eficiência relativa, e não como relações  
causais estritas. Ainda assim, a estratificação populacional e a análise longitudinal  
dos escores contribuem para mitigar esse problema, reforçando a utilidade da DEA  
como ferramenta de diagnóstico comparativo e apoio à decisão.  
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES DA EFICIÊNCIA  
4.1. Descrição dos Resultados  
A mensuração da eficiência municipal foi realizada por meio dos modelos  
DEA-CCR e DEA-BCC. A comparação entre ambos permitiu distinguir ineficiências  
decorrentes da gestão (eficiência técnica pura – VRS) daquelas associadas ao  
porte e escala de operação (eficiência de escala), o que é fundamental em um  
estado marcado por grande heterogeneidade administrativa, territorial e  
socioeconômica.  
O procedimento de tratamento dos dados envolveu a exclusão de  
observações com informações incompletas para os principais insumos e outputs,  
de modo a preservar a consistência da fronteira de eficiência estimada. Esse critério  
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resultou na retirada de alguns municípios e anos específicos, bem como na  
exclusão do ano de 2024, em razão da ausência da variável de mortalidade geral  
na base. Embora tal abordagem seja metodologicamente usual em aplicações de  
DEA, reconhece-se que a eliminação de observações pode introduzir viés de  
seleção, sobretudo se os municípios com informações faltantes apresentarem  
padrões sistemáticos de gestão ou estrutura. Assim, os resultados devem ser  
interpretados como válidos para o subconjunto de municípios com dados  
completos, e essa restrição é assumida explicitamente como limitação do estudo.  
Tabela 1 – Síntese anual dos resultados de eficiência (DEA) por município (2014–2023)  
Ano  
DMUs  
% Efic. CRS  
% Efic. VRS  
% Efic.  
plena  
27.8  
27.9  
27.1  
32.9  
36.0  
40.8  
32.1  
35.5  
25.3  
37.3  
%
Ineficiente  
38.9  
2014  
2015  
2016  
2017  
2018  
2019  
2020  
2021  
2022  
2023  
72  
68  
70  
73  
75  
76  
78  
76  
75  
75  
33.3  
27.9  
28.6  
34.2  
37.3  
47.4  
33.3  
36.8  
26.7  
41.3  
54.2  
45.6  
42.9  
54.8  
56.0  
55.3  
44.9  
50.0  
40.0  
48.0  
54.4  
57.1  
45.2  
44.0  
40.8  
52.6  
50.0  
58.7  
48.0  
Fonte: Elaboração própria com base nos resultados DEA (2014–2023).  
Nota: Para atender ao limite de extensão do manuscrito (25 páginas), a listagem completa por  
município foi condensada nesta síntese. A relação nominal completa pode ser disponibilizada pelos  
autores mediante solicitação  
A partir da síntese anual apresentada na Tabela 1, torna-se relevante  
examinar como características estruturais dos municípios influenciam os resultados  
de eficiência. Nesse sentido, a análise por quartis populacionais indica que o porte  
municipal desempenha papel decisivo no comportamento dos escores DEA.  
A análise por quartis populacionais confirma que o porte municipal  
desempenha papel decisivo na eficiência:  
Municípios de pequeno porte (1º quartil): apresentam grande variação  
nos resultados, com casos que alcançam eficiência plena e outros que  
exibem níveis elevados de ineficiência. Essa oscilação reflete diferenças  
na capacidade de gestão, demonstra limitações estruturais comuns a  
localidades com baixa densidade populacional e redes de serviços menos  
complexas.  
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Municípios de porte médio (2º e 3º quartis): apresentam maior  
equilíbrio entre gestão e escala, mas revelam com frequência problemas  
de deseconomia de escala, confirmando evidências de Daniel et al. (2020).  
Esses municípios representam o grupo mais sensível à organização da  
rede regional.  
Municípios de grande porte (4º quartil): apesar de, em geral, operarem  
em uma escala considerada adequada, nem sempre conseguem  
transformar essa condição em eficiência técnica. Os resultados indicam a  
existência de gargalos ligados à coordenação e à governança, além de  
dificuldades na integração da rede e na gestão de serviços de maior  
complexidade.  
De modo geral, as análises mostram que um grande porte populacional não  
garante eficiência, e um pequeno porte populacional não impede que um município  
alcance alto desempenho — a variável determinante é a combinação entre  
capacidade administrativa e adequação estrutural.  
A análise longitudinal da eficiência municipal entre 2014 e 2023 revela três  
padrões predominantes, observados de forma recorrente na série histórica. Em  
média:  
25% a 40% dos municípios alcançaram eficiência plena em pelo  
menos um dos modelos;  
40% a 57% apresentaram algum tipo de ineficiência persistente;  
Um subconjunto menor — cerca de 10% a 15% — manteve eficiência  
recorrente ao longo dos anos.  
Com base nesses resultados, identificam-se três padrões principais de  
comportamento entre os municípios analisados: (i) aqueles que apresentam  
eficiência técnica pura sob VRS, mas não operam na escala ótima (isto é, são  
eficientes em VRS, porém ineficientes em escala); (ii) aqueles que atingem  
eficiência sob CRS/CCR, mas não são eficientes em VRS, sugerindo limitações  
associadas à eficiência técnica pura; e (iii) aqueles persistentemente ineficientes,  
com desempenho inferior tanto em termos técnicos quanto de escala. A seguir,  
esses padrões são descritos de forma analítica, destacando-se seus significados e  
implicações à luz da literatura  
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Primeiro analisa-se os Municípios eficientes em VRS, mas ineficientes em  
escala (aprox. 18% a 25% da amostra ao ano). Esses municípios operam com boa  
capacidade gerencial, apresentando eficiência técnica pura (VRS = 1), mas não  
atingem o porte ótimo de produção, o que resulta em ineficiência de escala (SE <  
1). Embora a gestão seja eficiente na transformação dos insumos em outputs,  
fatores estruturais — como dispersão territorial, baixa densidade populacional ou  
redes assistenciais subdimensionadas — limitam os ganhos potenciais associados  
às economias de escala. Segundo Farrell (1957) e Banker et al. (1984), a  
ineficiência de escala decorre exclusivamente do porte da operação, e não da  
qualidade da gestão.  
Coelli et al. (1998) reforçam que unidades menores ou geograficamente  
dispersas tendem a operar abaixo da escala ótima mesmo quando tecnicamente  
eficientes. De modo semelhante, Narbón-Perpiñá e De Witte (2018) demonstram  
que características demográficas, geográficas e institucionais influenciam  
diretamente a eficiência de escala, levando municípios de menor porte a não  
capturar as economias de escala necessárias para serviços públicos essenciais.  
Com base nas análises observa-se que os Municípios eficientes em CCR,  
mas não em VRS (aprox. 8% a 12% da amostra). Esses municípios operam em  
uma escala considerada adequada (CCR = 1), mas ainda assim exibem ineficiência  
técnica pura, o que evidencia problemas essencialmente ligados à gestão. Embora  
tenham porte compatível com a escala ótima de produção, aparecem fragilidades  
na organização interna, como baixa padronização de processos, pouca integração  
entre as equipes e uso limitado de indicadores de desempenho como ferramenta  
de monitoramento.  
Os municípios persistentemente ineficientes são aproximadamente 40% a  
57%. Esses municípios apresentam simultaneamente:  
CRS < 1 (ineficiência global)  
VRS < 1 (falhas de gestão)  
SE < 1 (porte inadequado)  
Representam o grupo mais vulnerável, caracterizado por fragilidade  
institucional, dependência elevada de transferências, baixa capacidade técnica,  
informalidade nos processos de gestão e dificuldade de coordenação da rede.  
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Esses padrões estão alinhados à literatura nacional e internacional, onde  
Gavurova et al. (2021); Jung (2023) e Orsini et al. (2021), destacam que falhas de  
gestão reduzem eficiência mesmo em contextos com recursos adequados,  
mostram que municípios maiores frequentemente enfrentam desperdícios  
associados à escala e evidenciam que municípios pequenos sofrem retornos  
crescentes de escala, incapazes de aproveitar totalmente seus insumos.  
Na análise dos alvos de melhoria sugeridos pelos modelos DEA indica que  
algumas variáveis se mostram particularmente sensíveis para a explicação das  
diferenças de eficiência entre os municípios. Do lado dos insumos, destacam-se o  
gasto total em saúde per capita e o número de profissionais de nível superior por  
habitante, que aparecem com folgas relevantes nas DMUs ineficientes, sugerindo  
espaço para reorganização do uso desses recursos sem, necessariamente,  
aumento de despesa. Entre os outputs, as maiores margens potenciais de  
incremento concentram-se na produção ambulatorial, nas internações sensíveis à  
atenção primária e no número de equipes de saúde, especialmente em municípios  
com baixa cobertura de atenção primária. Em termos práticos, isso significa que a  
eficiência tende a ser mais sensível a melhorias na organização da oferta e na  
resolutividade da atenção primária a saúde do que a aumentos adicionais de  
recursos financeiros isoladamente.  
4.2. Interpretação Institucional e Implicações dos Resultados  
A análise transversal evidencia que a eficiência em saúde não está apenas  
relacionada ao montante de recursos disponíveis, mas depende, da qualidade da  
governança, da capacidade administrativa e do arranjo institucional de cada  
município. De modo geral, os municípios com menor eficiência tendem a apresentar  
fragilidades na coordenação das ações, baixa integração da rede de serviços,  
limitações na qualificação das equipes e pouca utilização de instrumentos de  
planejamento e monitoramento. Esses elementos, quando combinados, reduzem a  
capacidade de transformar recursos financeiros em resultados efetivos para a  
população.  
Tais inferências são consistentes com Negri e Dincă (2023), que  
demonstram empiricamente a relação entre qualidade da governança e  
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desempenho institucional, e com Holý (2023), que destaca o papel dos indicadores  
de desempenho (KPIs) no fortalecimento da gestão pública.  
Os achados da DEA não configuram apenas diagnóstico, constituem a  
base tecnológica para o desenvolvimento das diretrizes desta pesquisa. A  
identificação sistemática de: Fragilidades de escala; Gargalos gerenciais;  
Benchmarks naturais; Padrões territoriais; Variações temporais da eficiência;  
permite converter o diagnóstico em orientações práticas, diretamente aplicáveis  
pelos gestores locais.  
Dessa forma, a análise empírica serve de base para a elaboração das  
diretrizes estratégicas, que reúnem as práticas identificadas nos municípios com  
melhor desempenho e transformam em recomendações concretas as fragilidades  
observadas naqueles menos eficientes, sempre considerando as diferenças  
territoriais, socioeconômicas e administrativas que caracterizam o estado.  
5. ORIENTAÇÃO PARA SOLUÇÃO DA INEFICIÊNCIA MUNICIPAL EM SAÚDE  
A partir dos resultados produzidos pelos modelos DEA-CCR e DEA-BCC,  
foi possível identificar distintos perfis de ineficiência entre os municípios mato-  
grossenses: ineficiência técnica global, ineficiência técnica pura, ineficiência de  
escala e ineficiência combinada. Com base nesses achados, esta seção apresenta  
um conjunto organizado de diretrizes tecnológicas de gestão para cada tipo de  
ineficiência, articulando de forma sistemática o problema identificado, a proposta  
de solução, os mecanismos de governança envolvidos, as etapas de  
implementação, as métricas de acompanhamento e os principais riscos  
associados.  
5.1. Ineficiência Técnica Global (Crs < 1)  
Problema  
A ineficiência técnica global, identificada pelo modelo DEA-CCR (CRS < 1),  
indica desequilíbrios amplos na conversão de insumos em resultados. Os  
municípios com menores escores apresentaram, de forma recorrente:  
.
Subutilização de recursos financeiros e humanos;  
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.
.
Baixa produtividade operacional;  
Fragilidade na gestão integrada da rede assistencial;  
As variáveis mais críticas observadas foram:  
Insumos: gasto total em saúde per capita e número de profissionais de nível  
superior por mil habitantes;  
Outputs: produção ambulatorial, equipes de saúde e internações sensíveis  
à atenção primária.  
Esse padrão sugere que, para esse grupo, o problema é menos a escassez  
de recursos e mais a forma como são organizados e geridos.  
Diretrizes  
Para enfrentar a ineficiência técnica global, propõem-se quatro eixos de  
intervenção: Formação estratégica e continuada de gestores públicos;  
Reorganização da rede assistencial com base em critérios territoriais e de  
vulnerabilidade; Implantação de métricas de desempenho sistêmico e comparativo,  
com uso regular dos escores de eficiência; Fortalecimento da governança,  
integridade e transparência institucional. Esses eixos derivam da comparação entre  
municípios eficientes e ineficientes, e da literatura sobre eficiência e governança  
em saúde.  
Framework de Mitigação  
O Quadro 2 sintetiza as ações propostas para reduzir a ineficiência técnica  
global observada no modelo DEA-CCR, relacionando causas, intervenções,  
resultados esperados e indicadores de monitoramento.  
Quadro 2 – Framework de mitigação da ineficiência técnica global  
Insumo Identificado  
Ação Proposta  
Resultado  
Esperado  
Indicador de  
Monitoramento  
CRS médio e custo per  
capita  
Alocação ineficiente  
de recursos  
Capacitação gerencial Melhor distribuição e  
contínua e criação de  
núcleo de  
uso dos recursos  
planejamento local  
Fragmentação da  
rede  
Reorganização da ESF  
e pactuação de fluxos  
entre níveis de atenção  
Redução de  
duplicidades e  
aumento da  
cobertura  
Taxa de internações  
evitáveis  
Falhas informacionais  
Criação de painéis  
integrados e  
Tomada de decisão  
baseada em  
Tempo médio de  
resposta (TMEA)  
interoperáveis (SISAB,  
CNES, SIH/SUS)  
evidências  
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Fragilidade  
institucional  
Contratos de gestão e  
conselhos de  
governança regionais  
Aumento da  
accountability e da  
efetividade  
Taxa de cumprimento de  
metas  
Fonte: Elaboração própria (2025), com base nos resultados do modelo DEA.  
Observa-se que as intervenções sugeridas estão organizadas de forma a  
relacionar diretamente os principais problemas diagnosticados — como alocação  
ineficiente de recursos, fragmentação da rede assistencial, falhas informacionais e  
fragilidade institucional — com estratégias gerenciais e institucionais capazes de  
promover melhorias no desempenho do sistema de saúde. As ações propostas  
buscam fortalecer a capacidade de planejamento, aprimorar a coordenação entre  
os níveis de atenção e ampliar a utilização de sistemas de informação para  
subsidiar a tomada de decisão. Ademais, os indicadores de monitoramento  
definidos permitem acompanhar de forma objetiva os resultados das intervenções,  
possibilitando avaliar se as mudanças implementadas contribuem efetivamente  
para o aumento da eficiência operacional e para a melhoria da governança no  
âmbito municipal.  
Implementação da Diretriz (Roadmap)  
.
.
.
Sugere-se uma implementação em três fases: 0–90 dias:  
criação de comitê gestor;  
implantação de painel de monitoramento (dashboard);  
capacitação inicial de gestores.  
90–180 dias:  
padronização normativa;  
definição de fluxos integrados entre atenção básica, especializada e  
hospitalar.  
180–360 dias:  
celebração de contratos de gestão;  
realização de uma segunda rodada de avaliação (re-DEA) para  
mensurar ganhos de eficiência.  
Métricas-alvo  
As metas foram definidas com base em estudos prévios (Emrouznejad;  
Yang, 2018) e em benchmarking intermunicipal entre os 25 % mais eficientes  
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(quartil superior). O Quadro 3 sintetiza os parâmetros quantitativos propostos para  
o monitoramento da eficiência global.  
Quadro 3 – Metas e fundamentos para melhoria da eficiência técnica global  
Meta  
CRS +0,05  
Fundamento  
Média de variação observada  
entre rodadas DEA em  
municípios com governança  
ativa  
Objetivo Quantitativo  
Elevar o escore médio de  
eficiência em 0,05 pontos  
TMEA −20%  
Indicadores de tempo-resposta  
adotados pelo Ministério da  
Saúde  
Reduzir o tempo médio de  
espera em 20%  
Produtividade +15%  
Média de crescimento nos  
municípios mais eficientes  
Aumentar produção de  
serviços em 15%  
Custo −10%  
Ganhos de escala observados  
em unidades eficientes  
Reduzir custos operacionais  
em 10%  
Absenteísmo −15%  
Padrões de gestão de pessoas  
em hospitais modelo (NR-32 e  
SIH/SUS)  
Diminuir ausências em 15%  
Fonte: Elaboração própria (2025), com base em Emrouznejad e Yang (2018).  
As metas foram definidas com base em evidências empíricas observadas  
entre os municípios mais eficientes e em parâmetros institucionais do sistema  
público de saúde. De forma geral, os objetivos combinam melhorias no escore de  
eficiência (CRS), aumento da produtividade dos serviços, redução de custos  
operacionais, diminuição do tempo médio de espera (TMEA) e redução do  
absenteísmo. Em conjunto, esses indicadores permitem monitorar de forma  
objetiva os avanços na eficiência e na organização dos processos de gestão em  
saúde.  
Riscos e Estratégias de Mitigação  
O Quadro 4 demonstra os principais riscos e as respectivas estratégias de  
mitigação, conforme descrito a seguir:  
Quadro 4 – Riscos identificados e estratégias de mitigação da ineficiência técnica global  
Risco Identificado  
Impacto Potencial  
Estratégia de Mitigação  
Alta rotatividade de  
gestores  
Banco de gestores certificados  
e plano de sucessão  
Descontinuidade das ações  
Falhas na integração de  
dados  
Monitoramento limitado e  
duplicidades  
Padrões interoperáveis e  
integração via CNES/SISAB  
Programas de sensibilização,  
incentivos e feedback contínuo  
Resistência a protocolos  
Baixa adesão às diretrizes  
Fonte: Elaboração própria (2025), com base nos resultados do modelo DEA.  
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 5, n. 1, p. 84-121,  
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DIRETRIZES DE MELHORES PRÁTICAS PARA O AUMENTO DE EFICIÊNCIA NA APLICAÇÃO DOS RECURSOS  
PÚBLICOS EM SAÚDE: NOS MUNICÍPIOS MATO-GROSSENSES  
Observa-se que os riscos identificados estão relacionados principalmente  
à rotatividade de gestores, às limitações na integração de sistemas de informação  
e à resistência institucional à adoção de novos protocolos. As estratégias sugeridas  
buscam fortalecer a continuidade administrativa, aprimorar a interoperabilidade dos  
dados e estimular a adesão das equipes às diretrizes de gestão, contribuindo para  
a sustentabilidade das melhorias de eficiência propostas.  
5.2. Ineficiência Técnica Pura (Vrs < 1)  
Problema  
A ineficiência técnica pura (VRS < 1), identificada pelo modelo DEA-BCC,  
reflete falhas essencialmente gerenciais, em contextos onde escala e infraestrutura  
não são, em princípio, o principal limitador. Nesses casos, a DEA indica que, com  
os mesmos recursos, seria possível produzir mais ou melhor.  
Os resultados associados a esse grupo apontam para:  
.
.
.
.
Organização interna pouco eficiente dos recursos;  
Ausência ou baixa padronização de protocolos;  
Coordenação multiprofissional limitada;  
Fragilidade em mecanismos de monitoramento de desempenho.  
Trata-se, portanto, de um problema de gestão operacional, e não de porte.  
Diretrizes  
Para esse tipo de ineficiência, as diretrizes centrais são:  
.
.
Capacitação operacional contínua de gestores e equipes;  
Otimização da estratégia saúde da família (ESF), com distribuição  
clara e equilibrada de responsabilidades;  
.
.
Monitoramento sistemático da produtividade e do absenteísmo;  
Aprimoramento da prestação de contas e do controle interno.  
Framework de Mitigação  
O Quadro 5 apresenta as ações propostas para mitigar as causas da  
ineficiência técnica pura, estabelecendo a relação entre as falhas identificadas, as  
intervenções sugeridas, os resultados esperados e os indicadores de  
monitoramento.  
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PÚBLICOS EM SAÚDE: NOS MUNICÍPIOS MATO-GROSSENSES  
Quadro 5 – Framework de mitigação da ineficiência técnica pura  
Insumo Identificado  
Ação Proposta  
Resultado  
Esperado  
Indicador de  
Monitoramento  
Deficiência na gestão  
operacional  
Realização de  
treinamentos mensais  
voltados ao controle de  
estoques e fluxos  
padronizados  
Aumento da  
Escore médio VRS e  
custo operacional  
eficiência na gestão  
cotidiana e redução  
de desperdícios  
Falta de integração  
multiprofissional  
Elaboração e  
implementação de  
protocolos unificados de  
atendimento  
Melhoria da  
coordenação entre  
as equipes e  
Aderência aos  
protocolos e tempo  
médio de atendimento  
aumento da  
resolutividade  
Ausência de  
monitoramento de  
produtividade  
Criação de sistemas de  
acompanhamento de  
desempenho com  
indicadores de  
Identificação de  
gargalos e ajustes  
imediatos nos  
processos  
Taxa de absenteísmo  
e TMEA  
absenteísmo e tempo de  
espera  
Fragilidade na  
Realização de auditorias Maior transparência  
Percentual de  
prestação de contas  
internas trimestrais com  
relatórios simplificados e  
públicos  
e controle  
institucional  
execução das metas e  
auditorias concluídas  
Fonte: Elaboração própria (2025), com base nos resultados do modelo DEA-BCC.  
As intervenções concentram-se no aprimoramento da gestão operacional,  
no fortalecimento da coordenação entre equipes multiprofissionais, na  
implementação de sistemas de monitoramento de desempenho e no reforço dos  
mecanismos de prestação de contas. Em conjunto, essas medidas buscam  
melhorar a organização dos processos internos, aumentar a produtividade dos  
serviços e ampliar a transparência na gestão pública, contribuindo para a elevação  
dos níveis de eficiência técnica.  
Implementação da Diretriz (Roadmap)  
.
0–90 dias:  
Elaboração e validação dos protocolos padronizados.  
Realização de treinamentos operacionais iniciais.  
Criação de painel digital de acompanhamento com indicadores em  
tempo real.  
.
90–180 dias:  
Microplanejamento local;  
Redistribuição de responsabilidades;  
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PÚBLICOS EM SAÚDE: NOS MUNICÍPIOS MATO-GROSSENSES  
Definição de metas por setor e equipe.  
.
180–360 dias:  
Consolidação das práticas;  
Nova aplicação de DEA-BCC (re-DEA) para mensurar ganhos de  
gestão.  
Métricas-alvo  
As metas de desempenho operacional foram estabelecidas com base em  
evidências empíricas, comparações entre municípios e em referências da literatura  
sobre eficiência técnica e gestão pública. De acordo com Farrell (1957) e Coelli et  
al. (2005), a eficiência técnica pura (VRS) expressa a capacidade de uma unidade  
produtiva atuar em sua fronteira ótima de produção. Assim, melhorias nesse  
indicador sinalizam avanços na forma como os recursos são administrados e como  
os processos internos são conduzidos.  
Quadro 6 – Metas e fundamentos para melhoria da eficiência técnica pura  
Meta  
Fundamento  
Objetivo Quantitativo  
Média de variação observada entre  
rodadas DEA-BCC em municípios  
com boa governança operacional  
Elevar o escore médio de  
eficiência técnica pura em  
0,05 pontos  
VRS +0,05  
Ampliar em 20% a produção  
de serviços (consultas,  
atendimentos e  
Experiências de melhoria de  
processos e reorganização da ESF  
Produtividade +20%  
procedimentos)  
Elevar em 25 pontos  
percentuais a adesão das  
equipes aos protocolos e  
fluxos  
Comparativo intermunicipal de  
conformidade a protocolos  
Aderência +25 p.p.  
Reduzir em 20% o tempo  
médio dos processos internos  
(ex.: triagem até atendimento)  
Estudos de otimização de fluxos e  
microplanejamento  
Tempo de ciclo −20%  
Fonte: Elaboração própria (2025), com base em benchmarking intermunicipal e literatura de  
eficiência gerencial.  
As metas foram definidas com base em evidências empíricas,  
benchmarking entre municípios e experiências de reorganização dos processos de  
gestão na atenção básica. De forma geral, os objetivos buscam elevar o escore de  
eficiência técnica (VRS), ampliar a produtividade dos serviços, aumentar a adesão  
aos protocolos assistenciais e reduzir o tempo dos processos internos. Esses  
indicadores permitem acompanhar de forma objetiva os avanços na gestão  
operacional e na organização dos serviços de saúde.  
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DIRETRIZES DE MELHORES PRÁTICAS PARA O AUMENTO DE EFICIÊNCIA NA APLICAÇÃO DOS RECURSOS  
PÚBLICOS EM SAÚDE: NOS MUNICÍPIOS MATO-GROSSENSES  
Riscos e Estratégias de Mitigação  
A efetividade das ações de melhoria depende da capacidade de  
enfrentamento dos riscos que podem comprometer a adesão das equipes e a  
sustentabilidade das mudanças. O Quadro 7 apresenta os principais riscos  
identificados e suas respectivas estratégias de mitigação.  
Quadro 7 – Riscos identificados e estratégias de mitigação da ineficiência técnica pura  
Risco Identificado  
Impacto Potencial  
Estratégia de Mitigação  
Sensibilização, capacitação  
participativa e envolvimento das  
lideranças  
Baixa adesão a novos  
protocolos  
Cultura resistente  
Redistribuição de funções, metas  
graduais e apoio  
multiprofissional  
Queda na qualidade e baixa  
adesão  
Sobrecarga de trabalho  
Inconsistência de dados  
Falta de continuidade  
Padronização de registros e  
auditorias de qualidade dos  
dados  
Monitoramento comprometido  
Plano institucional de  
continuidade e documentação de  
processos  
Interrupção das ações após  
mudanças de gestão  
Fonte: Elaboração própria (2025), com base nos resultados do modelo DEA-BCC.  
Observa-se que os desafios estão relacionados principalmente à  
resistência organizacional, à sobrecarga das equipes, à inconsistência dos dados  
e à descontinuidade administrativa. As estratégias de mitigação propostas buscam  
fortalecer o engajamento das equipes, melhorar a qualidade das informações e  
garantir maior estabilidade na implementação das ações, contribuindo para a  
sustentabilidade das melhorias na gestão operacional dos serviços de saúde.  
5.3. Ineficiência de Escala (Scale < 1)  
Problema  
A ineficiência de escala (SCALE < 1) ocorre quando os municípios não  
operam no porte ótimo de produção, segundo o modelo DEA. Isso se manifesta de  
duas formas:  
.
Em municípios pequenos: subutilização de recursos, ociosidade de  
leitos e custos fixos elevados;  
Em municípios médios e grandes: sobrecarga da rede, filas de espera  
.
e gargalos operacionais.  
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DIRETRIZES DE MELHORES PRÁTICAS PARA O AUMENTO DE EFICIÊNCIA NA APLICAÇÃO DOS RECURSOS  
PÚBLICOS EM SAÚDE: NOS MUNICÍPIOS MATO-GROSSENSES  
Conforme Silva e Silveira Neto (2019), tais desequilíbrios tendem a refletir  
falhas na regionalização e na cooperação intermunicipal, com baixa coordenação  
da capacidade instalada.  
Diretrizes  
As principais diretrizes para correção da ineficiência de escala são:  
.
.
.
.
.
Redesenho da regionalização da rede de saúde;  
Constituição de consórcios intermunicipais;  
Adoção de compras coletivas;  
Uso ampliado de telemedicina e prontuário eletrônico;  
Racionalização do uso da infraestrutura existente.  
Framework de Mitigação  
O Quadro 8 sintetiza as ações propostas para mitigar a ineficiência de  
escala, relacionando causas, intervenções, resultados esperados e indicadores de  
monitoramento.  
Quadro 8 – Framework de mitigação da ineficiência de escala  
Causa Identificada  
Ação Proposta  
Resultado Esperado  
Indicador de  
Monitoramento  
Estrutura  
subdimensionada  
ou ociosa  
Redesenhar a  
regionalização com  
criação de polos  
Uso equilibrado da  
infraestrutura e  
aumento da cobertura  
assistencial  
Escore médio  
SCALE e taxa de  
ocupação de leitos  
regionais de saúde.  
Baixa capacidade  
de gestão  
compartilhada  
Criar consórcios  
intermunicipais para  
exames, leitos e  
Redução de custos e  
ampliação da oferta de  
serviços de média e  
alta complexidade  
Custo médio por  
atendimento e  
número de  
transporte sanitário.  
municípios  
consorciados  
Elevado custo de  
aquisição de  
insumos  
Implementar programas  
de compras coletivas e  
pregões unificados.  
Ganhos de escala e  
diminuição dos gastos  
operacionais  
Percentual de  
economia obtida nas  
aquisições  
Desigualdade  
Expandir a telemedicina  
Redução de barreiras  
Percentual de  
territorial no acesso e o prontuário eletrônico geográficas e aumento  
consultas resolutivas  
por teleatendimento  
do paciente – PEP.  
da resolutividade dos  
atendimentos.  
Superlotação em  
centros urbanos  
Redistribuir o uso de  
leitos por meio da  
regulação regional  
integrada.  
Diminuição do tempo  
de espera e melhor  
aproveitamento da  
rede hospitalar  
TMEA e taxa de  
transferência  
intermunicipal  
Fonte: Elaboração própria (2025), com base em Silva e Silveira Neto (2019), Banco Mundial (2017)  
e Souza (2020).  
As intervenções concentram-se na reorganização da regionalização da  
rede de saúde, no fortalecimento da cooperação intermunicipal e na adoção de  
estratégias que permitam ganhos de escala, como compras coletivas e uso de  
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DIRETRIZES DE MELHORES PRÁTICAS PARA O AUMENTO DE EFICIÊNCIA NA APLICAÇÃO DOS RECURSOS  
PÚBLICOS EM SAÚDE: NOS MUNICÍPIOS MATO-GROSSENSES  
tecnologias digitais. Além disso, medidas voltadas à ampliação da telemedicina e à  
regulação regional de leitos buscam reduzir desigualdades territoriais no acesso  
aos serviços e melhorar o aproveitamento da infraestrutura existente. Em conjunto,  
essas ações visam equilibrar a capacidade instalada com a demanda por serviços,  
promovendo maior eficiência na organização da rede assistencial.  
Implementação da Diretriz (Roadmap)  
.
.
.
0–90 dias:  
Acordos de cooperação técnica;  
Piloto de telemedicina;  
Criação de comitê regional.  
90–180 dias:  
Estruturação formal dos consórcios;  
Fila única de regulação;  
Primeiros programas de compras coletivas.  
180–360 dias:  
Consolidação da gestão integrada;  
Ampliação do pep e da telemedicina;  
Re-dea para mensurar ganhos de escala.  
Métricas-Alvo  
O Quadro 9 apresenta as metas quantitativas propostas para mensurar os  
ganhos de eficiência de escala.  
Quadro 9 – Metas e fundamentos para melhoria da eficiência de escala  
Meta  
Fundamento  
Objetivo Quantitativo  
Alcançar eficiência de escala mínima de  
Eficiência mínima esperada para  
operação em porte ótimo.  
SE ≥ 0,95  
95%,  
equilibrando  
capacidade  
e
demanda regional.  
Reduzir custos operacionais entre 10%  
e 15% sem comprometer a qualidade  
dos serviços.  
Ganhos de escala observados em  
consórcios intermunicipais.  
Custo −10–15%  
TMEA −25%  
Indicadores  
de  
tempo-resposta Diminuir em 25% o tempo médio de  
utilizados pelo SUS Digital.  
espera por atendimento.  
Garantir que pelo menos 60% das  
Tele resolutiva ≥ Experiências de teleatendimento no  
consultas  
via  
telemedicina  
sejam  
60%  
contexto pós-pandemia.  
resolutivas.  
Fonte: Elaboração própria (2025), com base em Farrell (1957), Coelli et al. (2005), Banco Mundial  
(2017), Souza (2020) e Silva e Silveira Neto (2019).  
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DIRETRIZES DE MELHORES PRÁTICAS PARA O AUMENTO DE EFICIÊNCIA NA APLICAÇÃO DOS RECURSOS  
PÚBLICOS EM SAÚDE: NOS MUNICÍPIOS MATO-GROSSENSES  
As metas foram definidas a partir de evidências observadas em  
experiências de gestão regionalizada e em práticas de cooperação intermunicipal  
no sistema público de saúde. De modo geral, os objetivos buscam equilibrar a  
capacidade instalada com a demanda por serviços, por meio do aumento da  
eficiência de escala (SE), da redução de custos operacionais, da diminuição do  
tempo médio de espera por atendimento e da ampliação da resolutividade do  
teleatendimento. Esses indicadores permitem monitorar os avanços na utilização  
mais racional da infraestrutura e na organização regional da rede de saúde.  
Riscos e Estratégias de Mitigação  
A implementação das ações propostas exige a adoção de mecanismos que  
previnam riscos operacionais, financeiros e tecnológicos. A gestão desses riscos é  
fundamental para garantir a continuidade e a estabilidade dos ganhos de eficiência  
em nível regional. O Quadro 10 reúne os principais riscos identificados e as  
respectivas estratégias de mitigação.  
Quadro 10 – Riscos identificados e estratégias de mitigação da ineficiência de  
escala.  
Risco Identificado  
Impacto Potencial  
Estratégia de Mitigação  
Formalização de regimentos  
internos e comitês colegiados  
com representatividade técnica  
e política.  
Dificuldade de coordenação  
entre municípios e adesão  
desigual às metas regionais  
Governança  
fragilizada  
intermunicipal  
Falhas na integração de Adoção de padrões de dados  
sistemas de informação e do abertos e capacitação técnica  
Interoperabilidade limitada  
prontuário eletrônico  
contínua das equipes.  
Dificuldade de transporte de Planejamento de investimentos  
pacientes e restrições de em conectividade e parcerias  
Infraestrutura  
insuficiente  
logística  
conectividade digital  
Risco de descontinuidade Criação de fundos regionais de  
de programas e cofinanciamento e de modelos  
dependência de repasses compartilhados de arrecadação  
governamentais e custeio.  
público-privadas regionais.  
Sustentabilidade financeira  
Fonte: Elaboração própria (2025), com base em Silva e Silveira Neto (2019), Souza (2020) e Banco  
Mundial (2017).  
Observa-se que os desafios estão relacionados sobretudo à fragilidade da  
governança intermunicipal, às limitações na integração de sistemas de informação,  
às restrições logísticas e à sustentabilidade financeira das ações propostas. As  
estratégias de mitigação buscam fortalecer os mecanismos de coordenação  
regional, aprimorar a interoperabilidade dos sistemas, ampliar a infraestrutura de  
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 5, n. 1, p. 84-121,  
jan./jun., 2025.  
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Presline Blum, Felipe Storch Damasceno  
DIRETRIZES DE MELHORES PRÁTICAS PARA O AUMENTO DE EFICIÊNCIA NA APLICAÇÃO DOS RECURSOS  
PÚBLICOS EM SAÚDE: NOS MUNICÍPIOS MATO-GROSSENSES  
suporte e garantir maior estabilidade no financiamento das iniciativas, contribuindo  
para a continuidade e efetividade das políticas de regionalização da saúde.  
5.4. Ineficiência Total (Crs < 1; Vrs < 1; Se < 1)  
Problema  
A ineficiência total representa o cenário em que falhas de gestão, escala e  
governança convergem, comprometendo o desempenho global do sistema local de  
saúde. Nesses municípios, a DEA indica: Baixa eficiência técnica global (CRS);  
Baixa eficiência técnica pura (VRS); Baixa eficiência de escala (SCALE).  
De acordo com Farrell (1957) e Coelli et al. (2005), essa condição indica  
uma distância expressiva em relação à fronteira ótima de produção. O problema  
tende a se intensificar em contextos marcados pela fragmentação das políticas,  
pela baixa integração entre os diferentes níveis de governo e pela fragilidade dos  
mecanismos de transparência (Schenkman; Almeida, 2024).  
Diretrizes  
Para esse grupo, as diretrizes precisam ser sistêmicas, envolvendo:  
.
.
.
.
.
.
.
Planejamento e governança integrados;  
Gestão de pessoas (fixação e valorização de profissionais);  
Fortalecimento da prevenção e promoção;  
Integração saúde–meio ambiente;  
Tecnologia e interoperabilidade;  
Transparência e controle social;  
Sustentabilidade e parcerias.  
Framework de Mitigação  
Quadro 11 – Framework de mitigação da ineficiência total  
Dimensão Crítica  
Ação Proposta  
Resultado Esperado  
Governança e  
Planejamento  
Criar planos integrados com metas e  
prazos monitoráveis (ISO 9001)  
Coordenação e coerência  
institucional  
Políticas de fixação e capacitação  
continuada (Schenkman; Almeida,  
2024)  
Redução da rotatividade e  
melhoria da eficiência técnica  
Gestão de Pessoas  
Prevenção e  
Promoção  
Expansão de programas vacinais e de Redução de internações e  
atenção básica custos futuros  
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DIRETRIZES DE MELHORES PRÁTICAS PARA O AUMENTO DE EFICIÊNCIA NA APLICAÇÃO DOS RECURSOS  
PÚBLICOS EM SAÚDE: NOS MUNICÍPIOS MATO-GROSSENSES  
Integração Saúde–  
Ambiente  
Ações intersetoriais para mitigar  
impactos ambientais na saúde  
Sustentabilidade e proteção  
populacional  
Gestão de dados eficiente e  
decisões baseadas em  
evidências  
Tecnologia e  
Inovação  
Digitalização de processos e  
interoperabilidade entre sistemas  
Transparência e  
Controle Social  
Portais de dados abertos e conselhos Aumento da accountability e  
participativos  
engajamento social  
Sustentabilidade e  
Parcerias  
Incentivo a PPPs e práticas de  
economia circular  
Continuidade da oferta e  
redução do desperdício  
Fonte: Elaboração própria (2025), com base em ISSO 9001 (2023), Schenkman e Almeida (2024),  
Lima (2023), Pignati et al. (2022) e Silva e Silveira Neto (2019).  
As ações propostas abrangem aspectos institucionais, organizacionais e  
operacionais, incluindo o fortalecimento da governança e do planejamento, o  
desenvolvimento da gestão de pessoas, a ampliação das ações de prevenção e  
promoção da saúde, bem como a incorporação de tecnologias e mecanismos de  
transparência. Em conjunto, essas iniciativas buscam promover maior coordenação  
institucional, melhorar a qualidade da gestão pública e fortalecer a sustentabilidade  
das políticas de saúde.  
Implementação da Diretriz (Roadmap)  
.
.
.
0–90 dias:  
Criação do comitê interinstitucional;  
Definição da linha de base (baseline).  
90–180 dias:  
Interoperabilidade de sistemas (regulação, prontuário, e-SUS) ;  
Formalização de contratos e consórcios.  
180–360 dias:  
Expansão de parcerias, consolidação da governança;  
Re-dea para medir ganhos globais.  
Métricas-Alvo  
As metas de desempenho foram definidas a partir de evidências empíricas,  
literatura internacional sobre eficiência técnica e práticas de benchmarking em  
sistemas públicos (Farrell, 1957; Coelli et al., 2005). A eficiência total busca o  
equilíbrio simultâneo entre eficiência técnica global (CRS), eficiência técnica pura  
(VRS) e eficiência de escala (SCALE), refletindo uma operação em sua fronteira  
ótima de produção.  
Revista de Estudos em Organizações e Controladoria - REOC, ISSN 2763-9673, UNICENTRO, Irati-PR, v. 5, n. 1, p. 84-121,  
jan./jun., 2025.  
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DIRETRIZES DE MELHORES PRÁTICAS PARA O AUMENTO DE EFICIÊNCIA NA APLICAÇÃO DOS RECURSOS  
PÚBLICOS EM SAÚDE: NOS MUNICÍPIOS MATO-GROSSENSES  
Quadro 12 – Metas e fundamentos para melhoria da eficiência total  
Meta  
Fundamento  
Objetivo Quantitativo  
Alcance de eficiência plena nos  
Elevar todos os escores à fronteira  
CRS/VRS/SCALE → 1  
três modelos DEA (Farrell, 1957; eficiente, refletindo uso ótimo de  
Coelli et al., 2005)  
recursos.  
Reduzir em 10% os óbitos infantis  
como reflexo da melhoria na  
atenção primária.  
Relação entre cobertura básica  
e desfechos sanitários  
Mortalidade Infantil −10%  
Indicador de qualidade  
assistencial e acesso ao  
cuidado gestacional  
Aumentar em 5 pontos percentuais  
a proporção de gestantes com  
sete ou mais consultas.  
Pré-natal 7+ +5 p.p.  
Parâmetro de efetividade  
preventiva (PNI/MS, 2023)  
Elevar em 5 p.p. a cobertura  
vacinal total.  
Cobertura Vacinal +5 p.p.  
Reduzir em 10% o custo total em  
saúde sem comprometer a  
qualidade da assistência.  
Ganhos de escala e redução de  
redundâncias administrativas  
Custo Total −10%  
Fonte: Elaboração própria (2025), com base em Farrell (1957), Coelli et al. (2005), Schenkman e  
Almeida (2024) e Ministério da Saúde (2023).  
As metas combinam indicadores de eficiência produtiva, desempenho  
assistencial e racionalização de custos, refletindo uma abordagem integrada da  
gestão em saúde. De modo geral, os objetivos buscam elevar os escores de  
eficiência nos modelos DEA (CRS, VRS e SCALE), ao mesmo tempo em que  
promovem melhorias nos resultados sanitários, como redução da mortalidade  
infantil, ampliação do acompanhamento pré-natal e aumento da cobertura vacinal.  
Esses parâmetros permitem monitorar de forma objetiva os avanços na eficiência  
do sistema de saúde e na qualidade da assistência prestada à população.  
Riscos e Estratégias de Mitigação  
A efetividade das ações depende da capacidade institucional de mitigar  
riscos operacionais, financeiros e tecnológicos. O Quadro 13 apresenta os  
principais riscos identificados e as respectivas estratégias de mitigação.  
Quadro 13 – Riscos identificados e estratégias de mitigação da ineficiência total  
Risco Identificado  
Impacto Potencial  
Estratégia de Mitigação  
Capacitação técnica continuada e  
apoio operacional dos consórcios  
regionais  
Dificuldade de transformar  
planos em ações concretas  
Execução limitada  
Criação de fundos de  
cofinanciamento intermunicipal e  
diversificação de fontes  
Interrupção de programas  
e insuficiência de recursos  
Financiamento restrito  
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Estabelecimento de comitês  
Desalinhamento entre  
entes federativos e  
parceiros privados  
Coordenação  
intergovernamental frágil  
intergovernamentais de  
monitoramento e pactuação  
contínua  
Baixa adesão de equipes e Programas de sensibilização,  
Resistência institucional  
Atrasos tecnológicos  
lideranças às novas  
diretrizes  
incentivos e feedback de  
resultados  
Planejamento técnico prévio,  
suporte regional e manutenção  
contratual preventiva  
Falhas na implantação de  
sistemas interoperáveis  
Fonte: Elaboração própria (2025), com base em Schenkman e Almeida (2024), Lima (2023) e Banco  
Mundial (2017).  
Observa-se que os desafios envolvem limitações na execução das ações,  
restrições financeiras, fragilidade na coordenação entre diferentes níveis de  
governo, resistência institucional e dificuldades tecnológicas. As estratégias de  
mitigação propostas buscam fortalecer a capacidade técnica e institucional dos  
municípios, ampliar mecanismos de cooperação intergovernamental e garantir  
maior estabilidade operacional e financeira para a implementação das ações  
previstas.  
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS  
Este estudo avaliou a eficiência relativa na aplicação dos recursos públicos  
em saúde nos municípios de Mato Grosso por meio da metodologia DEA. Os  
resultados indicaram forte heterogeneidade entre os municípios, com  
predominância de algum nível de ineficiência ao longo do período analisado.  
Observou-se que o desempenho municipal depende não apenas do volume de  
recursos disponíveis, mas principalmente da capacidade gerencial e da  
organização da rede de serviços.  
A partir do diagnóstico obtido, foram propostas diretrizes de boas práticas  
voltadas ao fortalecimento da governança, à qualificação dos gestores, ao uso de  
indicadores de desempenho e à ampliação da transparência e do controle social.  
Também se destacam o uso de tecnologias digitais e o aprimoramento da  
regionalização da rede de saúde como instrumentos relevantes para melhorar a  
eficiência.  
Embora o estudo apresente limitações relacionadas à disponibilidade de  
dados e ao caráter relativo da DEA, os resultados oferecem evidências úteis para  
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PÚBLICOS EM SAÚDE: NOS MUNICÍPIOS MATO-GROSSENSES  
a gestão pública. As diretrizes propostas podem contribuir para decisões mais  
eficientes na alocação de recursos e servir como referência para outros contextos  
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