QUE TEMPOS SÃO ESSES?
ASSOMBROS DA INFINITA DEMANDA POR JUSTIÇA E POR DIREITOS NOS ESTUDOS LITERÁRIOS CONTEMPORÂNEOS
Resumo
O objetivo geral desse artigo é problematizar as razões históricas e teóricas pelas quais, desde a década de 1980 – contexto do pós-ditaduras no Brasil e da ascensção da French Theory nos EUA –, os estudos literários assumiram para si como tarefa contribuir com a aplicação da justiça e a validação dos direitos humanos. Busca-se rascunhar “uma história moral do presente”, tal como propõe Fassin (2011) ao investigar a razão humanitária, investigando o impacto das teses de Antonio Candido (2004), Derrida (2018, 1994) e Felman (2014) sobre a relação entre justiça, o direito e literatura. Buscamos assim investigar algumas razões em torno do sucesso, no campo, de um ideal democrático de gestão da vida, marcado especialmente por uma ética da “sobrevivência” segundo a qual “a desconstrução é a justiça”. Perguntamo-nos se, passadas mais três décadas dessa afirmação de Derrida, não haveria modos de pensar o conceito de “justiça” sem se amparar no rigoroso infinitismo da desconstrução.