MEDO E CICATRIZES: A ESCRITA DO TESTEMUNHO POÉTICO NA DITADURA MILITAR BRASILEIRA

Autores

Resumo

Este estudo analisa a poesia de testemunho como forma de resistência à violência e aos mecanismos autoritários durante a ditadura militar brasileira (1964-1985). Especificamente, toma por objeto as obras Inventário do medo (1997), de Lara de  Lemos, e Inventário de cicatrizes (1978), de Alex Polari, autores marcados por experiências diretas de  repressão política. Sob o aporte teórico de Benjamin, Adorno, Agamben, Seligmann-Silva e Vieira, investigamos o "gesto de inventariar" como procedimento que organiza as experiências traumáticas na linguagem. A análise examina os objetos em sua totalidade documental, partindo da semiótica das capas e dedicatórias — lidas como prólogos visuais e contratuais — até a densidade dos elementos formais do poema, mapeando como Lemos e Polari transmutam o medo e a cicatriz em escrita. A pesquisa demonstra que tais poéticas, ao formalizarem a fratura e o silêncio, instituem o poema como um arquivo contra-hegemônico, convertendo o sofrimento em matéria simbólica e garantindo a sobrevivência ética da memória insurgente frente ao apagamento institucional.

Biografia do Autor

Rafael Custódio Borba, Unicentro

Mestrando no Programa de Pós-graduação em Letras da UNICENTRO, vinculado à linha de pesquisa
Linguagens, leitura, interpretação, na área de concentração Interfaces entre Língua e Literatura. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/5407939056273462. ORCID: https://orcid.org/0009-0003-4040-806X. E-mail: rafaelcustodiodossantos9@gmail.com

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Publicado

01-09-2026

Como Citar

manini, francielle, & Custódio Borba, R. (2026). MEDO E CICATRIZES: A ESCRITA DO TESTEMUNHO POÉTICO NA DITADURA MILITAR BRASILEIRA. Revista Interfaces, 17(2), 136–152. Recuperado de https://revistas.unicentro.br/index.php/revista_interfaces/article/view/8267