RACIALIDADE E SILÊNCIO: A EXCLUSÃO DA COR NO CENSO BRASILEIRO (1970-1979)
Palavras-chave:
Negritude, Negro, Moreno, Censo 1970, Cor.Resumo
Este trabalho analisa os discursos presentes nas notícias veiculadas em periódicos do estado do Paraná nas décadas de 1970 e 1979 acerca da exclusão da categoria “cor” nos censos demográficos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A partir da Análise de Discurso Materialista (AD), busca-se compreender como esse gesto discursivo contribuiu para reforçar a ideologia da democracia racial, promover o apagamento das desigualdades raciais e tensionar a identificação racial no Brasil. A ausência da categoria “cor” não é compreendida como decisão autônoma e sem, mas como prática política e ideológica vinculada ao cenário da ditadura civil-militar (1964-1985), que pretendia projetar a imagem de uma nação homogênea e em progresso. De acordo com Munanga (2024), a mestiçagem foi elevada no Brasil a um “mito fundador da identidade nacional”, funcionando como discurso ideológico que esconde e naturaliza as desigualdades raciais. Essa operação se sustenta em categorias deslizantes, que, segundo Gonzalez (2020), conferem ao negro um lugar subalternizado sob a aparência de integração cordial.Downloads
Publicado
30-10-2025
Como Citar
Pereira Ferreira, A. P. (2025). RACIALIDADE E SILÊNCIO: A EXCLUSÃO DA COR NO CENSO BRASILEIRO (1970-1979). Revista Interfaces, 16(2), 119–131. Recuperado de https://revistas.unicentro.br/index.php/revista_interfaces/article/view/8031
Edição
Seção
Artigos