Infância, resistência e memória em O Som do Rugido da Onça

Clara do Prado Patricio, Milena Barros Tavares

Resumo


Neste artigo, temos como objeto uma textualidade do domínio da literatura. Entramos analiticamente no texto pela narratividade, na leitura da obra O Som do Rugido da Onça, de Micheliny Verunschk. O acontecimento fio-condutor da obra é o sequestro e tráfico de duas crianças indígenas. A partir dele, perguntamos: “Como a branquitude se dá na formação social da infância, tanto nas crianças brancas europeias como no contexto brasileiro?”, ao que, pelo movimento pendular entre teoria e análise, compreendemos que nO Som do Rugido da Onça, as identidades das crianças, são marcadas tanto pela branquitude, quanto inscritas na resistência indígena, sendo construídas por esse movimento de narratividade, que dá existência, gestos de pertencimento e de inscrição histórica aos sujeitos, mesmo em condições de produção atravessadas pela colonialidade.

Palavras-chave


Pêcheux; Análise do Discurso; Literatura; Indígena; Identidade.

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