REGIMES DE VERDADE E DISPUTA DISCURSIVA: UMA ANÁLISE TRANSFEMINISTA DA NOTA TÉCNICA “COTAS PARA OS AUTOINTITULADOS TRANSGÊNEROS NAS UNIVERSIDADES”, DA ASSOCIAÇÃO MÁTRIA

Ronna Freitas de Oliveira

Resumo


Estamos em guerra, e há muito tempo. Mentiram sobre nós, pessoas trans, em espaço médicos, acadêmicos e midiáticos. Nos organizamos. Disputamos ainda hoje as mentiras que foram e são contadas sobre nós. Produzimos conhecimento e disputamos os regimes de verdade que insistem em nos silenciar (Bagagli, 2019; Vergueiro, 2016). Contamos nossas próprias histórias. Ainda nos violentam, mas avançamos. E quando avançamos, forças conservadoras buscam nos silenciar. A Associação Mátria vem produzindo material de violência política anti-trans e este trabalho é uma resposta à esta produção. Aqui, analiso parte de uma nota técnica emitida pela associação, que busca deslegitimar as lutas por cotas para pessoas trans nas universidades brasileiras. Esta análise se fundamenta em perspectivas transfeministas e nos debates sobre performatividade (Butler, 2017; 2018).


Palavras-chave


Transfeminismo. Performatividade. Feminismo transexcludente. Terf. associação mátria.

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Referências


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