CORPO INSURGENTE
VIOLÊNCIA, MEMÓRIA E RESISTÊNCIA EM “ARAMIDES FLORENÇA”, DE CONCEIÇÃO EVARISTO
Resumo
A literatura latino-americana contemporânea de autoria feminina negra constitui espaço de denúncia e elaboração das violências produzidas pelo racismo e pelo patriarcado. Este artigo analisa as relações entre violência, memória e resistência no conto Aramides Florença, de Conceição Evaristo. O objetivo é compreender como o corpo feminino negro se configura como espaço de inscrição da violência e, simultaneamente, como território de memória e reconstrução subjetiva. A pesquisa é bibliográfica, qualitativa e interpretativa, com base em Lugones, Gonzalez, Orlandi, Jelin, hooks e Evaristo. A análise evidencia uma progressão de práticas de controle que culmina na violência sexual durante a amamentação. A sobrevivência, o vínculo com o filho e a narração do vivido, contudo, reposicionam Aramides como sujeito de sua história.