POLÍTICAS DO EXÍLIO:
HERANÇAS CRÍTICAS E FORMAS DA LEGIBILIDADE NA HISTÓRIA LITERÁRIA ESPANHOLA
Resumo
O exílio político republicano de 1939 não acabou com o final da ditadura, mas se prolongou para além dela, chegando até os nossos dias por meio de um exílio cultural e historiográfico. A construção do cânone, os conceitos críticos e os modos de leitura a ele associados nunca são neutros, posto que se sobrepõem a uma história geral, que este artigo pretende colocar em xeque a partir do caso de Bergamín e da reivindicação de políticas da crítica capazes de mostrar a historicidade dos modos de leitura que atravessam o corpus da literatura espanhola e da sua historiografia. Mobilizaremos o conceito de pós-ditadura para pensarmos estrategicamente algumas das séries que conectam a nossa contemporaneidade à ditadura franquista, e o uso da montagem permitirá desnaturalizarmos alguns dos modos de leitura herdados. Nesse sentido, este artigo reivindica a imaginação crítica e a possibilidade de construir cenas, reconstruir trajetórias e exumar catálogos e bibliotecas para tornarmos a ler a tradição a fim de relançá-la a partir dos desafios e problemas do presente.
Palavras-chave: Exílio. História intelectual. Teoria literária. Walter Benjamin. José Bergamín.