MODOS DE LER, MODOS DE NARRAR: A INSTABILIDADE E A PRECARIEDADE DA MEMÓRIA
Resumo
Este trabalho discute como a leitura de algumas produções artístico-literárias que narram as memórias herdadas das ditaduras militares latino-americanas possibilitam articular maneiras de a crítica repensar a construção de algumas categorias de leitura, portanto também de alguns modos de ler. Centrados muito mais nos sintomas da ausência, tanto da trama que falha a todo instante quanto da memória que é cheia de lapsos, os modos de ler operam justamente neste lugar instável e precário. Interessa-nos observar nessas narrativas a aposta na memória, a preocupação com o que fazer com o futuro da memória, como fazer com que ela sobreviva, preocupação de Roberto Vecchi (2021), como operar uma reparação, defesa de Paloma Vidal (2014), como fazer com que a herança produza sentidos, argumentos de Marianne Hirsch (2018) e Eurídice Figueiredo (2022; 2024).